Angela Eagle vai desafiar Corbyn no labour porque ele “não é um líder” eficaz

11/07/2016 08:52 - Modificado em 11/07/2016 08:52
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angela eagleBatalha pela liderança do Partido Trabalhista britânico começa segunda-feira. Mas a mudança proposta será mais de estilo do que de rumo político.

Angela Eagle vai abrir a disputa pela liderança do Partido Trabalhista britânico, num discurso na segunda-feira em que apresentará os seus motivos para afastar Jeremy Corbyn. Mais do que ser uma outra opção política, consegue-se já entender, a deputada de 55 anos com experiência nos governos de Tony Blair e Gordon Brown oferece-se como uma alternativa de estilo: “O que está em causa é uma liderança eficaz e podermos voltar ao Governo”, disse.

“Corbyn não é má pessoa, mas também não é um líder”, explicou Angela Eagle neste domingo na televisão ITV. “Não se relaciona com os eleitores dolabour, não estabelece a ligação que é necessária para ganhar eleições e não estende a mão, de nenhuma forma significativa, a outras partes do partido. Perdeu a confiança dos seus colegas no Parlamento e acho que chegou mesmo o momento de ele reconsiderar a sua posição”, declarou a deputada trabalhista, que está na Câmara dos Comuns desde 1992.

Corbyn recusou demitir-se depois do referendo em que o Reino Unido decidiu sair da União Europeia, apesar da contestação interna, de ter sido abandonado por uma parte da sua equipa mais próxima (governo sombra) e de ter visto ser aprovada por esmagadora maioria uma moção de desconfiança à sua liderança, votada pelos deputados labour. Argumentou “ter sido eleito para fazer um novo tipo de política por 60% dos membros e simpatizantes do partido“.

Para forçar Corbyn a sair da liderança, é preciso uma nova eleição partidária – que deverá ser marcada quando Eagle apresentar a candidatura. Diz que garantiu o apoio de 51 deputados para o fazer e que cabe ao comité executivo nacional do partido decidir se Corbyn também necessita ou não de apoios para ser candidato na eleição interna. Outros trabalhistas podem também entrar na corrida.

A resposta de Corbyn foi legalista. Garantiu que voltará a concorrer, e que espera que o seu nome esteja automaticamente nos boletins de voto. Não quer passar pela dificuldade de obter o apoio de 51 militantes – o mínimo necessário para poder concorrer, e que no ano passado lhe custou a conseguir, quando entrou na corrida à liderança como o outsider.

“Espero estar no boletim de voto [na eleição do novo dirigente do partido] porque as regras indicam que o líder em funções, se for desafiado, deve ser candidato”, disse Corbyn à BBC. Explicou que já falou com conselheiros jurídicos do labour que lhe disseram isso mesmo.

Jeremy Corbyn disse estar desapontado por Eagle estar a tentar afastá-lo da corrida pela liderança – apenas nove meses depois de ter sido eleito – e garantiu que contestará o comité executivo se este tentar afastá-lo da possibilidade de reeleição.

O actual líder trabalhista britânico foi eleito em 2015, depois da derrota do partido nas legislativas. O partido era então conduzido por Ed Miliband – os eleitores deram uma nova maioria absoluta ao conservador David Cameron. Candidato da ala mais à esquerda do partido, Corbyn foi eleito com o apoio das bases desse mesmo sector, que se mobilizaram em massa depois da demissão de Ed Milliband.

Já Eagle explicou que avança porque o partido está fracturado, sendo necessário “sará-lo e unificá-lo”. “Não quero que isto se transforme numa disputa acerca desta política ou de outra”, sublinhou.

“Esquerda suave”

Defensora dos direitos das mulheres – foi o primeiro membro de um governo em funções a assumir-se como homossexual, em 1997  – e das minorias, Angela Eagle é vista como sendo da ala da “esquerda suave” do labour, explica o Guardian.

O seu passado de votações mostra um historial misto, que reflecte a sua ligação aos governos do New Labour de Tony Blair e Gordon Brown: votou a favor da invasão do Iraque em 2003 e várias vezes contra investigações sobre esta guerra e, mais recentemente, a favor dos bombardeamentos ao Estado Islâmico na Síria. Votou contra medidas que promovem a mercantilização e autonomia de escolas e do Serviço Nacional de Saúde, empreendidas pelo Governo Blair. É a favor do sistema de dissuasão nuclear baseado nos submarinos nucleares Trident – mas essa era a posição oficial do labour, pelo menos até Corbyn ascender à liderança.

No governo sombra de Corbyn era ministra da Economia, o que lhe deu alguma notoriedade. O seu momento mais mediático foi aquele em que, no Parlamento, o primeiro-ministro a mandou ter calma: “Acalma-te querida” – Cameron teve de lhe pedir desculpa depois.

publico.pt

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