Presidente detido e primeiro-ministro atacado num golpe militar em Bissau

13/04/2012 07:37 - Modificado em 13/04/2012 07:37

No espaço de meia hora, militares da Guiné-Bissau detiveram quinta-feira à noite o Presidente interino e atacaram com granadas e armas de fogo a residência do primeiro-ministro e candidato às presidenciais.

O Presidente interino, Raimundo Pereira, foi detido às 20h30 (21h30 em Lisboa) na Fortaleza Amura, onde funciona o Estado-maior das Forças Armadas, disseram ao Público fontes que estão a acompanhar a crise ao minuto. Pouco antes, os militares forçaram a entrada na casa do primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, que está desde então sob coacção de armas de fogo, disseram as mesmas fontes.

Este ataque ocorre um dia depois de a segunda volta das eleições presidenciais, que opõe Carlos Gomes Júnior (62 anos) e Kumba Ialá (59 anos), ter sido convocada para 29 de Abril. Um polícia que se encontrava junto à residência de Carlos Gomes Júnior contou à AFP que o local foi atingido por granadas. “Fomos obrigados a retirar”, disse, sem referir qual a situação do primeiro-ministro.

Vários tiros foram ouvidos ao princípio da noite em Bissau, pelas 20 horas. Houve pessoas a correr em pânico nas ruas, sendo visível o aparato militar, constatou a agência Lusa. Um jornalista da AFP relatou também que se ouviram tiros e que cerca de uma dezena de militares entraram na Rádio Nacional. Pelas 21h locais já a televisão e sete rádios estavam silenciadas.

Enquanto isso, outros soldados ocuparam a avenida que passa em frente à residência do ainda primeiro-ministro e candidato a Presidente, Carlos Gomes Júnior, e a sede do partido no poder, o PAIGC, tendo sido lançados morteiros, adiantou a AFP.

A rua Combatentes da Liberdade da Pátria, onde fica a casa de Carlos Gomes Júnior, foi bloqueada pelos militares, e junto à Presidência da República os soldados impediram a passagem de veículos. Várias embaixadas, incluindo a portuguesa, passaram a ser vigiadas por militares, apesar de nada indicar que sejam um alvo.

Horas antes tinha havido um apelo ao boicote às eleições por parte da oposição ligada ao ex-presidente Kumba Ialá, que na primeira volta do escrutínio obteve 23,26% – Carlos Gomes Júnior alcançou 48,97% – e que tem rejeitado apresentar-se à segunda ronda.

Cinco candidatos da oposição, entre eles Kumba Ialá, pediram “aos militantes e simpatizantes para não votarem a 29 de Abril”, e adiantaram: “Quem se aventurar a fazer campanha assumirá a responsabilidade por tudo o que aconteça”.

Kumba Ialá tinha denunciado fraudes na primeira volta e pediu que a votação fosse anulada. Mas as suas pretensões foram rejeitadas pela comissão eleitoral e pelo Supremo Tribunal. Os observadores internacionais consideraram também que a primeira volta foi justa.

A Comissão Nacional de Eleições acabou por convocar a segunda volta do escrutínio para 29 de Abril, mas a recusa de Kumba Ialá em participar fez crescer o receio de regresso da violência a um país marcado pela instabilidade político-militar. A tentativa de golpe militar de hoje criou um cenário de incerteza quanto à realização da segunda volta.

O candidato também rejeitou a mediação proposta pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que designou o Presidente da Guiné-Conacri, Alpha Conde, para encontrar uma saída para o impasse.

Esta acção militar resulta de uma escalada da tensão na Guiné-Bissau que já se verifica desde o passado sábado, dia 7, disse ao Público fonte diplomática. Na altura circularam em Bissau rumores sobre movimentações militares e pessoas ligadas ao poder dormiram fora das suas casas, sinal de que levaram os rumores seriamente.

Há menos de um mês, a 19 de Março, horas após a primeira volta das presidenciais, foi assassinado o coronel Samba Djaló, ex-chefe dos serviços secretos militares, o que foi interpretado como um aviso de que algo iria acontecer com o objectivo de afastar o primeiro-ministro do poder.

Em Bissau, são intensos os rumores de que o primeiro-ministro corre sério perigo de vida, e também não há informações oficiais sobre a situação em que se encontra o Presidente interino Raimundo Pereira.

  1. Maria

    És ta tud dod

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