Cabo Verde: 41 anos de luta e com mais desafios pela frente

6/07/2016 07:49 - Modificado em 6/07/2016 07:49
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independencia de cvA Assembleia Nacional de Cabo Verde recebeu o acto central das comemorações do 5 de Julho, Dia da Independência Nacional. Um acto onde os líderes partidários fizeram as suas respectivas homenagens e traçaram o percurso percorrido pelo País e os desafios actuais que se colocam à Nação. Desafios políticos, partidários, governativos e sociais estiveram presentes nos vários discursos proferidos durante a sessão.

No “ano de todas as eleições”, como o classificou o Presidente da República Jorge Carlos Fonseca, o mesmo pediu aos cidadãos uma participação activa nas urnas, para não se “passar a responsabilidade a outrem”.

O desafio do desemprego e da segurança no País também foram as preocupações demonstradas pelo Presidente pedindo medidas aos responsáveis para se criar um melhor ambiente no País. O desemprego é a grande preocupação a par da insegurança e o País deposita enorme esperança nas autoridades, especialmente no Governo, com medidas urgentes e concretas que possam dar “sinais que contrastem a tendência actual. Não medidas pontuais, mas medidas estruturantes”.

Para Jorge Carlos Fonseca, “a resolução dos problemas dos jovens é a resolução dos problemas de Cabo Verde”. Jorge Santos, Presidente da Assembleia Nacional, voltou o seu discurso para novas formas de governação.

MpD e a alternância política

Rui Figueiredo, líder parlamentar do MpD, foi o porta-voz do partido nestas celebrações. E focalizou-se sobre a questão da alternância política que ocorreu nas últimas eleições. “Que a alternância do poder possa ser uma regra nuclear do nosso jogo democrático. Este é o caminho que muitos países saídos de regimes autoritários trilharam rumo à consolidação da democracia”.

Para Figueiredo, as últimas eleições inauguraram um novo ciclo e impõem a todos os sujeitos políticos enormes desafios, sendo o maior deles o “aprofundamento da democracia” com novas atitudes. E apela ao consenso e ao diálogo nas matérias importantes do País. “Que continuemos a realizar os consensos nacionais para as grandes questões do País”. Não há nenhum país de momento que tenha conquistado o seu lugar ao sol sem fazer do diálogo o seu “modus vivendi”.

Todos os oradores prestaram singela homenagem aos que tornaram possível o sonho da independência.

PAICV e a democracia participativa

Janira Hopffer Almada, Presidente do PAICV, admite um certo “desencanto com os políticos profissionais”, isto, como expõe, porque a população é chamada apenas uma vez para expressar a sua opinião.

“Sobre a extensão da democracia e a hegemonia da ideia de Nação, é definitivo o desafio da democracia participativa em reforçar a capacidade de todos e dos eleitores, para que cada cidadão tenha uma palavra a dizer”. Neste aspecto, diz ser necessário continuar a consolidação dos predicados que levaram à independência nacional, reforçando uma maior participação e responsabilização pública nas matérias que lhe dizem respeito.

Acrescenta que a classe política deve compartilhar com todos “este ideal e esta esperança”. “Nesta circunstância, devemos olhar para trás e orgulharmo-nos da nossa luta e da nossa vitória, mas devemos olhar para frente e para o dia maior de Cabo Verde que é sempre possível mais e cabe-nos a nós, como representantes políticos, compartilhar com todos este ideal e esta esperança”.

UCID e a despartidarização

A UCID, por sua vez, incidiu sobre a questão da despartidarização da classe política, tendo em conta as mudanças realizadas pelo actual Governo. Para António Monteiro, Presidente da UCID, “nada de bom vem quando se partidariza e se deixa de fora tanto vigor juvenil entregue à ociosidade”.

Monteiro afirma que a UCID como partido tem procurado com a sua prática, lutar em prol da cidadania e envolver todos os cabo-verdianos na tarefa de desenvolvimento do País e nunca deixar que os interesses partidários se sobreponham ao interesse nacional e à defesa do bem comum.

“Esta comemoração do 41º aniversário da Independência Nacional acontece após o desfecho eleitoral, com uma mudança de Governo, para que o País continue no seu rumo. Convenhamos que se confirma que há algo de anormal com o arrumar da casa de organismos e instituições e empresas do Estado. O que a persistir não abona à tão proclamada despartidarização: a seriedade política. Denunciai e exigi a quem de direito toda a lisura e transparência” a que a reforma exige.

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