JCF: “O álcool está a consumir a sociedade cabo-verdiana”

4/07/2016 08:27 - Modificado em 4/07/2016 08:27

jcfO Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, considerou  o combate ao alcoolismo uma “urgência nacional” que tem sido negligenciada, sublinhando que o fenómeno está consumir as famílias e a sociedade cabo-verdiana.

“O uso abusivo de bebidas alcoólicas constitui um dos grandes males do nosso país […] que juntamente com a pobreza, com a qual mantém relações muito próximas, constitui o problema maior a que temos de fazer face”, disse Jorge Carlos Fonseca.

O Presidente , que falava durante o lançamento de uma campanha nacional contra o uso abusivo de álcool, sustentou que apesar dos contornos “muito claros desta urgência nacional”, as respostas têm sido poucas.

“As medidas de política para fazer face a essa realidade têm sido muito limitadas. Estamos perante uma situação de gravidade extrema, temos consciência da mesma, falamos dela, classificamo-la de muito grave, mas de concreto não fazemos o mínimo suficiente e adequado. Diria até que fazemos muito pouco”, disse.

“O uso abusivo do álcool está a consumir-nos enquanto pessoas, enquanto famílias, enquanto sociedade e assistimos, quase impávidos e conformados, a esta situação quase absurda, conduta que configura uma situação de negligência e de conivência coletiva verdadeira e altamente portadora de dano social”, prosseguiu Jorge Carlos Fonseca.

Para o Presidente cabo-verdiano, a ação tem-se limitado a um “combate tímido” das consequências sem agir concretamente sobre as causas profundas.

As exceções são, segundo o Presidente, a lei e o Plano estratégico de combate ao alcoolismo e esforços dos profissionais da saúde, educadores, ONG e confissões religiosas que “teimam em não baixar os braços”.

O chefe de Estado assinalou a forte componente cultural do uso de bebidas alcoólicas, considerando que tal pode facilitar o seu uso abusivo e dificultar as medidas de prevenção e de tratamento do alcoolismo.

“Se essa realidade explica, em parte, o problema, ela não pode, de forma alguma, justificá-lo. […] O incentivo directo ou indirecto para o consumo exagerado e para o consumo precoce deve ser combatido”, sustentou.

Por isso, o Presidente defende que a “prevenção é a palavra-chave” porque permite “fornecer às pessoas, às famílias, os instrumentos necessários a um relacionamento saudável com o álcool”.

A campanha, que conta com o alto patrocínio do Presidente da República e o apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS), mobiliza mais de 60 entidades, entre departamentos estatais e do governo, autarquias, organizações não-governamentais, associações de voluntários, universidades, escolas, entidades desportivas, sindicatos e congregações religiosas.

Sob o lema “Menos álcool, mais vida”, a iniciativa visa contribuir para a diminuição do uso abusivo de bebidas alcoólicas e da dependência do álcool, que representa uma das principais causas de mortes prematuras no país.

Dados divulgados durante a apresentação da campanha dão conta de que em 2010, os cabo-verdianos consumiam em média ‘per capita’ 6,9 litros de álcool puro por ano, valor que dados divulgados já este ano pela OMS relativos a 2015 colocam em 7,2 litros.

Excluindo desta contabilidade os 61,4% de cabo-verdianos que se declaram abstémios, o consumo médio ‘per capita’ sobe para 17,9 litros por ano.

Cabo Verde regista uma frequência superior à média africana de perturbações ligadas ao álcool (5,1%) e entre os países lusófonos africanos detém a mais alta percentagem de mortes associadas ao álcool (3,6%).

Os dados assinalam ainda que o primeiro contacto com o álcool acontece em idades cada vez mais precoces (entre os 7 e os 17 anos), sendo a escola o principal espaço de iniciação nesta prática.

LUSA

 

  1. nuria gonçalves

    PREOCUPADO COM O ALCOOLISMO?????????? E NO ENTANTO, O GOVERNO PERMITE A “PROMOÇÃO DO ÁLCCOL” COM O FESTIVAL “BADJA KU SOL” PROMOVIDO PELA STRELA!!! HAJA HIPOCRESIA!!!!

  2. Silvério Marques

    Na Praia os cartazes publicitários de incentivo ao consumo de bebidas estão por todo o lado. São cartazes enormes. PODEM BEIJAR A NOIVA diz o Super Bock e FIDJU DI TERA, diz a CERIS ( Strela ). Haja coerência. O primeiro passo para uma campanha anti alcoólica é a proibição de tais cartazes e outras publicidades afins. E os festivais ? São financiados por quem ?

  3. Duarte

    O grande problema neste país é que as leis não são cumpridas e as autoridades fingem q nada está a acontecer e com isso o consumo exagerado de alcool em todas as camadas da sociedade,aumentando a criminalidade e também as doenças provocadas pelo excesso de consumo.Infelizmente estamos num país de faz de conta.

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