Criança de dois anos sem registo porque o pai escolheu o nome de “Ramady Aly”

20/06/2016 07:30 - Modificado em 20/06/2016 08:11

DENUNCIAMoisés Delgado é pai de uma menina de dois anos que não foi registada, não por vontade dos pais mas sim porque a Conservatória dos Registos, Notariado e Identificação de São Vicente não aceitou o nome “Ramady Aly”. Indignado com a situação, o pai resolveu denunciar o facto, pois diz ter recorrido a vários meios mas a filha continua sem ser registada. O entrevistado acusa a Conservatória de mau atendimento. Perante a situação, o pai promete não cruzar os braços e lutar até às últimas consequências para poder ver reconhecer a filha como cidadã cabo-verdiana.

O registo de nascimento de uma criança garante o seu direito à identidade. Sem o registo de nascimento, as crianças não podem ser vacinadas ou matriculadas. Infelizmente, em Cabo Verde, algumas crianças não existem oficialmente, ou seja, não foram registadas ao nascerem.

O caso desta criança de dois anos é apenas mais um das várias crianças sem registo. Moisés, pai da criança, denuncia a situação pelo facto da filha estar sem registar por causa da “insistência” da Conservatória do Registo Civil de São Vicente em não aceitar o nome escolhido para chamar a filha de dois anos.

Em entrevista ao NN, Moisés Delgado avança que devido à sua religião muçulmana não aceitou que a filha recebesse a vacina ao nascer, facto que levou o hospital a reter o cartão durante sete meses.

Após os sete meses, dirigiu-se à Conservatória no sentido de registar a filha, mas foi-lhe recusado o registo, alegando a não existência do nome “Ramady Aly”. Depois de provar a existência do nome, o Registo, mais uma vez, não aceitou sustentado que se tratava de um nome do sexo masculino.

O mesmo diz que após várias tentativas para não aceitarem o nome, lhe sugeriram para registar a filha com o nome de “Ramadie”, nome Francês. Não tendo aceite a proposta por considerar haver racismo em relação ao nome africano escolhido para a filha, Moisés afirma: “penso que uma criança africana se identifica melhor com o seu povo e a sua cultura”.

O “nome muçulmano não é aceite em Cabo Verde, mas há que respeitar a liberdade religiosa”. Apesar disso, Moisés considera que a Conservatória não apresentou argumentos que lhe convencessem dos motivos para a não-aceitação do nome.

Por conta de tudo, o denunciante acusa a Conservatória de mau atendimento. Contudo, o mesmo promete lutar, ir até às últimas consequências e reconhecer a filha como cidadã cabo-verdiana.

O NN contactou a Conservatória através do e-mail da conservadora mas, até ao momento, não recebemos qualquer reacção.

  1. Eduardo Oliveira

    O Registo Civil tem competência para recusar idiotices e fantasias. Também pode coimar pelos registos tardios.
    Garanto que o nome “Ramadie” é uma fantasia criado por quem não vê o interesse de uma criança que pode sofrer com a escolha idiota dos pais.
    Estamos perante uma grande provocação à qual as autoridades devem ser intransigentes.

  2. Francisco andrade

    Esse senhor moisés, é natural de Cabo Verde?
    Se sim, porque não escolhe um nome digno do país em que é natural?

  3. roxana aguilera

    Bom eu e’ escutado Ramadan x Ala’ ou alguma cidade Siria o Iraquiana baixo o DEASCH . olha q o pãe da Ramady tem nome Biblico Crista : Moises !!! acho melhor olhar no Google e pesquisar di onde sai esse “nome” extranjero .

  4. vera Figueiredo

    Segue um texto com o que a Lei diz sobre o Nome em Cabo Verde. O pai em questão só terá razão para reclamar, caso ele ou a mãe da criança, seja Estrangeiro, ou tenha Nacionalidade estrangeira, onde o nome “Ramady Aly” é aceite. Se ele e a mãe são cabo-verdianos só PODERÃO pôr o nome “Ramady Aly” se provarem que esse nome existe em Cabo Verde (nos registos civis).

    A religião não dá direito a nome muçulmano, judaico ou hebreu, ou cristão.

  5. Eduardo Oliveira

    Francamente !!!
    O pai aproveita-se da criança que não pode defender-se para provocar. O que não sabe (ou não quer saber) é que o Conservador dos Registos tem a obrigação de recusar tudo quanto fantasia ou que não se enquadra
    Esse vocàbulo nada tem de francês e nada significa. Existe sim a palavra “Ramadão” como existe Pàscoa, Pascuela, S.Silvestre, Dia de Ano Novo, etc

  6. Djão

    As autoridades devem é investigar este senhor e a sua mulher, a avó já foi a varias instituições para pôr cobro a regimes complicados de alimentação, acesso médico ou renuncia de administração a medicamentos que esta criança e mais um irmão são submetidos pelos pais!

  7. L Z

    Ninguem deve ter o direito de ditar e obrigar o nome que os pais devem colocar nos filhos. Este é o caminho que o planeta esta tomando, onde uns ditam as regras, e cada vez há mais regras e outros seguem-nos que nem pataxocas.

  8. Figueiral

    Moisés não resta outra solução senão emigrar para um dos paraísos terrestres muçulmanos e que são muitos e onde os direitos humanos são respeitados afim de realizares o teu sonho ou seja dar à tua filha o nome que na tua óptica é o justo e o correcto.
    Boa viagem e sucesso.

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