A Situação e o Estatuto dos Crioulos de Cabo Verde

5/09/2012 00:48 - Modificado em 5/09/2012 00:48

A REGIONALIZAÇÃO E O DEBATE SOBRE O CRIOULO-1ª Parte

 

Faleceu no passado mês de Julho o nosso muito estimado Zizim (José Figueira Júnior), esse grande mindelense que dedicou a parte final da sua vida em defesa de um Crioulo democrático e tolerante, escrevendo e publicando na imprensa contos em Crioulo na versão mindelense, e usando um alfabeto etimológico em vez do ALUPEC, que é o alfabeto do pacote da “Oficialização do Crioulo” que o actual poder pretende impor aos cabo-verdianos de todas as ilhas do arquipélago. O Zizim teria apreciado saber que um debate sobre a Regionalização, e eventualmente sobre o Crioulo, foi anunciado e poderá vir a ocorrer em Cabo Verde.

O debate sobre o Crioulo tem sido uma constante nos últimos 50 anos, desde o tempo da administração portuguesa, passando pelo regime de partido único, até se chegar à actual democracia pluripartidária. Neste momento em que a Regionalização está na agenda nacional, faz todo o sentido trazer à colação a problemática do Crioulo, quiçá incluindo-a no mesmo pacote, como elemento indissociável daquela reforma do Estado em vista. Anteriormente, durante o regime colonial, esse debate era passível de arrostar sempre uma certa carga ideológica, causando constrangimento se não político pelo menos ao nível de possíveis ressonâncias culturais indesejáveis para o poder então vigente. De facto, por hipótese alguma se daria aval à projecção de uma língua que concorresse com a língua oficial e de Estado. O resgate do Crioulo para a luz da ribalta, no pós-independência, em clima festivo de total liberdade de expressão e pensamento e de extravasamento efusivo de tudo o que era recalcado, aparece associado à visão de um Crioulo como instrumento de libertação.

Todavia, é com o advento da democracia que o debate sobre a língua toma um cariz mais técnico, com o pressuposto da necessidade de compreender e estudar a sua génese, desde logo associando-a àquilo que os sucessivos regimes consideram essência da nação cabo-verdiana. E é então que se prevêem dispositivos institucionais para a sua protecção, dentro de um sistema bilingue, onde o Português ficou, no entanto, definido como a língua de comunicação oficial, possivelmente até ulteriores etapas para a consagração plena da chamada “língua materna”, numa situação de bilinguismo assumido, onde o papel da língua portuguesa, por questões práticas, não poderia nem deveria ser posto em causa. Porém, nos últimos 10 anos, sob a batuta do PAICV, ressurge o debate sobre o Crioulo numa perspectiva marcadamente ideológica, desta vez sob uma bandeira identitária santiaguense, com o Crioulo a ser apresentado como um instrumento de libertação de um “povo dominado linguisticamente”. Tese surrealista muito cara ao que resta de uma certa elite maniqueísta cabo-verdiana saída do esquerdismo do 25 de Abril, bem como a certos sectores ligados ao actual poder e ainda muito presos a algum radicalismo mental, para quem uma ruptura total com a considerada “língua de domínio colonial” seria uma maneira de enterrar traumas ainda não resolvidos, ainda que usando um discurso ambivalente ou ambíguo para ocultar o seu verdadeiro íntimo.

Se a instauração de um processo de estudo dos Crioulos de Cabo Vede parece louvável, já a oficialização prematura e apressada do Crioulo aparece, todavia, mais como um “coup de force”desses grupos Fundamentalistas, como Onésimo Silveira os caracteriza, apoiados e financiados pelo Governo, apanhando de surpresa muitos cabo-verdianos que andavam mergulhados no sono da sua apatia e demissão cívica. Talvez porque ninguém imaginasse semelhante ousadia, súbito despontou nos espíritos uma apreensão generalizada sobre as consequências de uma aventura que pode ser desastrosa por significar o fecho umbilical linguístico de Cabo Verde, medida por certo encarada como essencial para um utópico e irrealista retorno às “origens”, isto na perspectiva dos Fundamentalistas, o que só pode acarretar um retrocesso do país face aos padrões culturais a que se moldara. O regime, para satisfazer a sua base de sustentação sociológica ou mesmo étnica, e em coerência com uma matriz ideológica que remonta aos tempos da luta de libertação, onde o sonho e a utopia não tinham limites, lançaria assim o país numa perigosa aventura, mediante uma precipitada adopção do uso do Crioulo como futura ferramenta de trabalho, ao mesmo tempo que desincentivando o uso corrente do Português, relegando-o para o plano de uma mera língua estrangeira, numa altura em que não existem condições para que tal ocorra.

Aquilo que devia representar um lento e gradual processo de maturação e experimentação, ao longo de décadas, lustres ou mesmo séculos, envolvendo investigação e estudo académicos sérios, com investigadores experimentados e a elaboração de estudos e análise de cenários prováveis, que poderiam apontar inclusivamente para a sua ineficácia, aparece apressadamente como um processo acabado, um prato pronto a ser servido friamente a Cabo Verde e aos cabo-verdianos. Nunca se vira tanta ligeireza em Cabo-Verde, quando, numa questão de semelhante delicadeza, seria de esperar muita cautela e bom senso, a “sagesse” e, necessariamente, o diálogo. E isto quando Cabo Verde continua bastante vulnerável e confrontado com questões inerentes à sua viabilidade: o país não tem recursos, está ainda totalmente dependente da ajuda externa financeira da comunidade internacional para a sua sobrevivência e o seu desenvolvimento, incluindo a garantia dos instrumentos básicos para a afirmação da sua soberania. Sendo inquestionável a intenção que subjaz à defesa e dignificação do Crioulo, o processo da sua oficialização poderá obviamente ser aprovado em sede democrática, mercê de uma maioria unicamente de base numérica, mas nunca o será com a legitimidade que só pode ser conferida por um escrutínio alargado, qualificado e diversificado, como impõe uma questão de tamanha delicadeza e importância para o futuro do país. Mas claro que não foi assim nem parece haver preocupação de agir de outra maneira. Primeiro, tentou-se iludir os cabo-verdianos com o anúncio de que oficialização da versão, dita, badia do Crioulo, estava apenas circunscrita à chamada “República de Santiago”, como símbolo de uma assumida identificação sociológica e cultural com o que se considera a “origem”. Tal atitude confunde abusivamente as pessoas, que “naivement” tenderiam a convencer-se de que se está oficializando os “Crioulos”, como denuncia com toda a razão Onésimo Silveira nos seus recentes artigos. Mas como pedir bom senso num país em que a corrida desenfreada ao “progresso e desenvolvimento” induzido de fora e assente na assistência internacional, não dá tempo para pensar em todas ou diferentes opções sobre importantes matérias de interesse nacional? Com efeito, esta marcha forçada e apressada é intencional para que as pessoas não reflictam nas suas sérias implicações, pois o que se pretende é recriar o paradigma do Estado-Nação, Unitário e Homogéneo, típico do século XX, mediante a fusão genética num único povo, o cabo-verdiano idealizado, injectando-lhe a fusão linguística dos Crioulos numa Língua Unitária, a língua cabo-verdiana idealizada e utópica, e com uma Administração Política e Económica Unitária e Centralizada na Praia (configurando assim assim o ideal do Estado, napoleónico, jacobino, centralista e burocrático). Compreende-se esta atitude como sendo a tendência normal dos Estados em processo iniciático de consolidação, mas, como diz o ditado, não se podem fazer omeletes sem se quebrarem ovos. Porém, o busílis da questão reside na circunstância concreta de nem todos os ovos serem propriedade do cozinheiro-mor, pois não é possível iludir o carácter arquipelágico e regionalista de Cabo Verde, sendo de todo impossível fazer desaparecer os Crioulos e a ‘biodiversidade’, no sentido lato, do país. Relativamente a este aspecto, Onésimo vem lembrar ‘Aqui D’el Rei’ que no Arquipélago de Cabo Verde existem formalmente Crioulos e não um Crioulo como pretendem. Nenhum teórico, por mais brilhante que seja, pode convencer alguém do contrário. Nesta situação, é legítimo que se re-instaure um debate sobre os Crioulos de Cabo Verde. E não adianta lançar acusações de anti-patriotismo e de inimigo do Crioulo aos que propugnam pela racionalidade da solução do problema. Um confronto levado a este extremo fica completamente poluído por emoções nocivas. E aí reside precisamente o grande pomo de discórdia que tem assombrado uma discussão que só pode pautar-se por clarividência e serenidade. E o governo em vez de serenar os ânimos, suspendendo o processo, acrescenta ainda mais confusão com os diversos anúncios que vem lançando em matéria de Oficialização do Crioulo.

No seu último artigo, Onésimo Silveira refere-se ao debate sobre os Crioulos: “Para eles, não há ilhas, mas sim uma ilha-continente; não há sociedades cabo-verdianas, mas sim a sociedade da sua ilha; não há Crioulos, mas sim um Crioulo, o seu, que a “língua materna” tem de impor às ilhas periféricas.” O mesmo autor adverte os chamados Fundamentalistas para o erro de olhar para a democracia como exclusivamente legitimada pela aritmética eleitoral, esquecendo que ela pode vir a ganhar os mesmos germes de permissividade e violência psicológica de um regime de ditadura. Mas neste preciso domínio nos encontramos felizmente resguardados pelo constitucionalismo democrático que garante um sistema eficaz de freios à acção do governo. Infelizmente, Cabo Verde continua a ser um campo de experimentação de uma certa esquerda sonhadora, nomeadamente no campo da cultura, que se converteu na chamada “gauche caviar”, que, no entanto, quando lida com o poder e o dinheiro se revela de um pragmatismo a raiar a hipocrisia e a negação dos valores e princípios por que devia propugnar. É esse mesmo sector da nossa sociedade que, mandando às urtigas os seus engulhos e complexos mal resolvidos, não abdica de cultivar o Português erudito e de tentar obter nacionalidade portuguesa. Onde está a coerência? A advertência de Onésimo vem mesmo a propósito, colocando os pontos nos ‘is’: Em cada ilha deste arquipélago existe uma realidade concreta e objectiva: pessoas de carne e osso, não meros eleitores, falando quotidianamente os seus Crioulos, não havendo lugar para um Crioulo Oficial, Imaginário e Utópico. Nenhuma medida política ou administrativa pode redesenhar esta realidade.

Mas num país onde o amadorismo floresce e ganha terreno cada dia (ver o debate que tem ocorrido na sociedade civil sobre proliferação de universidades e escolas sem conteúdo, projectos insustentáveis), é fácil revender banha da cobra e requentar várias vezes pratos pré-cozinhados. Acostumados a comer gato por lebre, ou a pôr óculos verdes às cabras para poderem comer pedra, muitos cabo-verdianos rejubilam-se na unanimidade do discurso politicamente correcto sobre o Crioulo libertador, sem se perspectivar os problemas decorrentes de uma oficialização precipitada do Crioulo e da eliminação do Português do quotidiano cabo-verdiano e a enorme ratoeira em que o resto de Cabo Verde se mete. Nunca se debateu nem se apresentou os prós e os contras, os riscos desta opção, numa sociedade onde o debate de ideias e discussões públicas sobre o futuro de Cabo Verde são incipientes ou inexistentes. O Governo ainda não explicou como vai resolver a problemática dos Crioulos, deixando tudo para improvisação e a batata quente para outros, pois alguém terá de, consciente e responsavelmente, escolher uma das três soluções. Ou se tende para Crioulo-Esperanto, fusão artificial e utópica de todos os Crioulos, fazendo desaparecer as outras versões do Crioulo; ou se oficializa todos os Crioulos de uma vez e em todas as ilhas, o que corresponde a uma situação insustentável, típica de Torre de Babel; ou se oficializa simplesmente o badio, como via experimental para o Crioulo padrão a oficializar (é sabido de antemão que oficiosamente o governo vem experimentando a implementação do badio como Crioulo oficial, apesar de pretenderem o contrário. Os sinais exteriores denunciam essa atitude dúbia). As três soluções sobre a mesa são, portanto, e a priori, inviáveis ou inaceitáveis. (A problemática da língua portuguesa, outro assunto bicudo, será discutida na 2ª Parte deste artigo).

O primeiro risco da oficialização do Crioulo-badio tem a ver com o reforço do efeito centrípeto desta medida, com incidências inevitáveis no centralismo, desta feita em termos linguísticos. Mas pergunta-se se o mindelense ou o santantonense abandonarão os seus Crioulos para abraçarem o badio ou o Crioulo-Esperanto? É bom que os governos, e quaisquer que eles sejam, tenham em atenção a gravidade que reveste a deliberada e programada extinção do património linguístico e cultural das ilhas do arquipélago, com a imposição de um Crioulo eleito como padrão e a tentativa de extinção, não natural, das outras versões. Para além de ilegítima, seria um atentado à diversidade cultural cabo-verdiana. É bom que saibam que podem ter de responder tanto perante os cabo-verdianos como perante a comunidade internacional. (Continua: A Situação e o Estatuto da Língua Portuguesa em Cabo Verde: A REGIONALIZAÇÃO E O DEBATE SOBRE O CRIOULO)

 

 

 

  1. ODAÍRO RODRIGUES

    Apoiado…
    Gente, por favor nem? Como “TOTOS NÓS DEVERIAMOS SABER” o nosso país é constituido por DEZ (10) ILHAS, (1,2,3,…,9,10), com 9 (nove) habitadas e cada uma delas com um CRIOULO “diferente”. Como é possivel alguém no seu juizo perfeito pensar na oficializãção do CRIOULO”?

  2. Eduardo Oliveira

    Muito me apraz ler este artigo de um cabo-verdiano que vem mostrando (como os do seu Movimento) o real interesse pela sua terra, embora sabendo o ódio votado pelo Governo aos filhos de fora que, por viverem na Diáspora, não têm direito a interessar-se por Cabo Verde, terra que passou a ser um feudo do partido único que a recebeu numa bandeja onde também estavam punhais para liquidar quem se opusesse à tal acção do cobardes militares portugueses adstritos aos comunistas. Falar deste assunto da língua materna presentemente é capital para a sobrevivência da Nação que se encontra à borda de um precipício e que, almas danadas querem ver rastejando como verme no esterco. O pior é a apatia nacional dos que poderiam levantar-se para a defesa da herança que receberam mas que continuam na sabura e desprezam tudo e tudo. Esses patifes que, na sua maioria, receberam bolsas de estudo para ajudar a jovem nação, saíram, estudaram com sucesso e voltaram como se o beneficio era para eles e pronto. Essa classe endinheirada, bem assente em tronos sem qualquer gosto, não passa de um bando de egoístas malcriados que não têm exemplo para dar a ninguém e ainda enaltecem o partido para não os chatiar . Gente que come arroz de marisco e dá bosta aos pobres. São eles os reponsàveis pelo que sucede às colónias da República de Santiago nomeadamente à ilha de S.Vicente que foi a porta de entrada do arquipélago. — Ao autor do artigo a quem agradeço de todo o coração pergunto porque razão insiste nos contos mindelenses de um vicentino que teve uma projecção limitada? Preferia que falasse antes de pessoas que mundialmente divulgaram nossos crioulos: – Eugénio Tavares, Sérgio Frusoni, B.Leza e Manuel de Novas para não citar demais.

  3. Nita Fortes

    José: – Ess primeira parte de bo artigue ta sabim ma ele podia fcà mdjor se bô falaba de gente que escrevê criol e não de quem copià-l. Mi ê de tempe de Nha Lea, senhora mute cunhide pa sê manêra de falà nôs linga. Nha Lea, que tava morà na lode de Paloce, era de tempe de Nhô Serge Frusoni que nunca tive igual na escrita de criol de Soncente. Eje mnine d’hoje in dia ca ta escrevê quel linga d’um vez, eje ta calofetà cosa q’os otes escrevê. Ma Deus ta cumpanhô-be pa bô escrevê mais otes parte. Tmà cuidode paquem tem um mnine de merda qu’ti ta bem chatiô-be. — Um cosa importante: – Quonde bo falà de criol, cità “Léxico do Crioulo do Arquipélado de Cabo Verde” (Armando Napoleão Rodrigues Fernandes – Brava 01/07/1889 – Santiago 19/06/1969); Poética de Sérgio Frusoni (Augusto Mesquitela Lima) e um grande polonês Wlodimierz Szymanyak, Doutor em linguistica aplicada, pôs graduado da Comunicação e licenciado em Filologia Românica

  4. D

    Não existem nove criolos em Cabo Verde, mas sim uma linga criola, que é o Cabo-verdiano, com nove variantes.

  5. Joaquim ALMEIDA

    Nota-se um òdio evidente do Eduardo Oliveira em relaçao ao malogrado Zezim Figueira , pela maneira como êle critica a homenagem José F. Lopes perante à participaçao do ” Zizim” na cultura de Cabo Verde , particularmente Sao Vicente , com as suas ( estorias ) !..E simplesmente lamentàvel esse tipo de comportamento!.. Até depois da morte odiar uma pessoa? Francamente nao faz sentido !..Devemos reflectir bem antes de escrevermos coisas que so podem confirmar as nossas FRUSTRACOES !.

  6. odju atento

    nhu ta skrebe palavra “ridikulu” mariadu. Un analfabetu ku mania di kultu ! Nhu ba toka korneta, nhu dexa di mete biku na kuzas ki nhu ka ta ntende!

  7. Eduardo Oliveira

    Caro Morgadinho: – Até certo ponto pudemos defender os nossos amigos. Repito “até certo ponto” e “nossos amigos”. Assim concebo que cada um se desenrrasque com os exageros.
    Outra coisa: – Eu não digo que toca corneta porque sei que toca bem mas… o trompete.
    Não volto mais a este assunto e mando-lhe
    o abraço de um croulo do Mindelo

  8. Joaquim ALMEIDA

    Caro Eduardo Oliveira , sei que o meu amigo percebe de cultura melhor do que eu e pode crer que fico satisfeito por isso . Porém devo relembrar o meu amigo que eu tenho uma formaçao musical-( segundo ano do curso preparatorio para conservatòrio – )que me permite tocar vàrios intrumentos , escrever mùsica e compor, o que ando a fazer desde a minha formaçao . Se a mùsica é cultura , neste caso tenho contribuido na divulgaçao da cultura de Cabo Verde e isso desde 1966.Morgadinho !.

  9. Julio Goto

    Oh Sr. D , Poderias ter dito que nao existe a lingua caboverdeana mas sim 9 variante do PORTUGUES.
    Levando em conta que o vocabulario e os dicionario baseam se num portugues ALUPECADO.
    Que Deus vos perdoe!

  10. juca

    advinhem que é ‘odju atento’?
    Uma dica: é um alupequita badio

Os comentários estão fechados.

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