João Branco: Reconhecido pela II edição do “Somos Cabo Verde – Os melhores do Ano”

14/06/2016 08:30 - Modificado em 14/06/2016 08:30
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João BrancoNomeado nas categorias de Cultura e Homem do Ano na II edição do “Somos Cabo Verde – Os melhores do Ano”, João Branco vê estas nomeações como reconhecimento do trabalho desenvolvido em Cabo Verde, nomeadamente em São Vicente, numa carreira com mais de trinta anos em prol da cultura, em particular, das artes cénicas.

Como o mesmo diz em jeito de brincadeira, estas nomeações são como “massagens” no ego para quem está a trabalhar no terreno, principalmente na área da cultura, que é muito complicada ainda mais num país insular pobre, que não tem muitos recursos e no domínio da cultura ainda menos.

Para este agente teatral, mindelense de coração, este é um reconhecimento que partilha com todas as pessoas com quem trabalha, bem como com a sua família. Mas atribui também esta nomeação, este ano, à presença pública muito grande em relação a ALAIM (Academia Livre de Artes Integradas do Mindelo), um dos projectos mais inovadores de educação artística informal de Cabo Verde.

“Um projecto de muitas pessoas, no qual dei a cara de uma forma muito intensa e que é um caso de sucesso, desde o anúncio até à abertura que ocorreu em menos de um ano e depois no patamar em que está hoje. Acredito que esta nomeação é o coroar deste trabalho”, avança.

Carreira de mais de 30 anos na cultura

“Foi aqui em Cabo Verde que me fiz homem do teatro, não tinha nem licenciatura e mestrado quando cá cheguei, para além de toda a experiência que resulta em mais de 50 encenações, dezasseis cursos de iniciação teatral, centenas de alunos que passaram por mim, fundação do Festival Mindelact, entre outros. Tudo o que vivi, passei aqui em Cabo Verde, no Mindelo, em particular, é o resultado de muitas colaborações, parcerias com muita gente e sou apenas um deles”, afirma.

Com um largo currículo, a visão deste agente cultural de nacionalidade cabo-verdiana que diz que a distância que a cultura representa para o povo até ao peso institucional do ponto de vista do orçamento de Estado é muito grande. O Ministério da Cultura tem menos de um porcento do orçamento de Estado para desenvolver actividades que são do domínio público.

Considera que devido ao peso “brutal” que ela tem em Cabo Verde, sendo uma actividade diária, contribui de forma decisiva na identidade do povo cabo-verdiano.

Portanto, ainda é preciso que muita coisa seja feita naquilo que diz respeito à aplicação de políticas públicas de alguma forma para responder a essa importância, nomeadamente no que diz respeito à infra-estruturação cultural, à dignificação do trabalho do artista. “Aprovação em termos de lei de um estatuto para artistas que lhes permita descontar para a segurança social, começar a trabalhar para a sua reforma, como um trabalhador qualquer. É preciso que o trabalho nas artes, na cultura, deixe de ser visto como uma segunda ocupação depois do emprego e passe a ser visto como uma actividade de pleno emprego também”.

Com mais de 50 encenações no currículo, este encenador mindelense não consegue escolher entre nenhuma delas porque qualquer uma representa, segundo João Branco, uma vivência, uma história da sua vida e um percurso enquanto profissional das artes, “por isso, costumo dizer que a peça mais importante é a última”.

Além de encenador, pode ser visto também como autor das suas próprias peças, o que é bastante complicado, conforme explica.”Encenar e trabalhar como autor é muito difícil e, por isso, é que preciso o olhar de fora. Geralmente a encenação é encenada porque tenho uma concepção global do que quero para o espectáculo, mas a partir do momento em que estou em cena, principalmente no que diz respeito à direcção de actores e ao meu trabalho específico de actor em cena, o olhar de fora é fundamental, graças às pessoas muito talentosas que me têm ajudado”.

O que espera ainda atingir na sua carreira?

João Branco: Espero que o teatro, de alguma forma, consiga contribuir muito mais para lutar contra uma sociedade que se está a tornar cada vez mais conformista, consumista, anti-solidária. O teatro é uma arte muito poderosa, não só como arte educativa mas também como arte de afirmação política de determinadas questões que se podem levantar. E gostava que os agentes teatrais cabo-verdianos utilizassem mais o teatro como forma de melhorar a sociedade, como ferramenta de melhorar o ego de cada um e, acho que infelizmente, isso não acontece ou acontece menos do que gostaria e a minha ambição é que possamos crescer juntos como classe artística e ajudar o País a crescer também. Acho que falta isso. Por achar isso, se calhar é por isso que estou nomeado para estas duas categorias.

Em relação aos outros nomeados, admiro ambos e não estou preocupado com quem vai ganhar ou não. A nomeação é o reconhecimento pessoal de cada um.

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