Presidente da Colômbia e FARC confirmam início das negociações de paz

4/09/2012 23:44 - Modificado em 4/09/2012 23:44
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O Presidente colombiano Juan Manuel Santos confirmou que irão ser iniciadas conversações de paz com a guerrilha das FARC, após “conversas exploratórias” em Havana. Pouco depois foi a vez de o líder da guerrilha, Rodrigo Londoño anunciar o início de “um ciclo de negociações”.

 

O anúncio não foi totalmente inesperado, porque na semana passada a estação de televisão Telesur já tinha negociado que decorreram conversações entre o Governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e que tudo estaria a postos para negociações de paz que começariam já em Outubro, em Oslo, na Noruega. Essa informação foi confirmada nesta terça-feira por ambas as partes.

 

O conflito já se prolonga há meio século e nunca se chegou a um efectivo acordo de paz. Hoje Juan Manuel Santos compareceu no palácio presidencial para um comunicado solene que foi transmitido pela televisão para anunciar negociações que “durarão meses, não anos”, e que para já não significam o fim da mobilização de militares para combater a guerrilha, que actualmente terá cerca de 9000 efectivos.

 

Santos referiu que o entendimento agora alcançado “estabelece um procedimento, uma rota para chegar ao fim” e disse que a responsabilidade sobre um eventual fracasso será sua. “Cairá sobre os meus ombros, de ninguém mais”. E adiantou que não irão terminar para já as operações militares contra a guerrilha e que, para já, não haverá zonas desmilitarizadas, o que significa que também não se pode descartar a possibilidade de novos ataques das FARC.

 

Está então aberto o caminho para negociações de paz, mas estas só começarão efectivamente na Noruega, após o que deverão prosseguir em Havana. São as primeiras desde 2002, quando fracassou outra tentativa de negociação.

 

Depois de Santos, também Londoño confirmou o início das negociações numa mensagem transmitida a partir de Havana. “Sentamo-nos à mesa para dialogar sem rancor ou arrogância”, disse, ao anunciar “o encerramento de um processo exploratório e o início de um ciclo de negociações de paz no quadro do difícil, mas necessário, caminho de paz estável e duradouro para a Colômbia”.

 

Na Noruega, que acolherá as negociações que deverão começar a 5 de Outubro, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jonas Gahr Stoere, confirmou o empenho do país em ajudar as duas parte a chegar a um acordo. “Procurar a paz requer coragem. Quero felicitar ambas as partes por iniciarem o diálogo que pode pôr fim ao muito longo conflito armado na Colômbia”, adiantou.

 

O processo, defendeu o Presidente colombiano, “deve ser sério, realista e eficaz”. Para além da Noruega e de Cuba, que serão os anfitriões das negociações, estas serão também acompanhadas pelo Chile e a Venezuela.

 

Em cima da mesa estão sobretudo as questões do desenvolvimento rural e maior acesso às terras, o fim do conflito armado que implica a deposição das armas e a reinserção de guerrilheiros na vida civil, os direitos das vítimas do conflito e a procura de soluções para o problema do narcotráfico.

 

Desde a década de 1990 que se realizaram várias tentativas de diálogo entre o Governo da Colômbia e as FARC, que nos últimos anos têm sofrido duros golpes que levaram ao enfraquecimento da guerrilha. Em 2008 o número dois Raul Reyes foi morto num ataque das forças colombianas já para lá da fronteira com o Equador, e poucas semanas depois foi anunciada a morte do comandante Marulanda devido a um ataque cardíaco. Foi substituído por Alfonso Cano, que também foi morto pelos militares, tendo-lhe sucedido Rodrigo Londoño, também conhecido por “Timochenko”.

 

 

 

 

 

 

publico.pt

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