Investimento da Anadarko vai continuar em Moçambique

6/06/2016 13:04 - Modificado em 6/06/2016 13:04
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petroliferaO vice-presidente da petrolífera Anadarko considera que a questão da dívida pública e a difícil situação financeira de Moçambique não vão impedir que a empresa decida sobre o investimento na exploração de gás do Rovuma, no norte do país.

«Estamos cientes dos problemas de dívida de Moçambique e, enquanto o governo trabalha sobre isso, nós estamos a trabalhar arduamente para definir um conjunto de acordos com o governo que vão lançar as bases para os acordos definitivos de vendas com os clientes de gás natural líquido», disse o vice-presidente com o pelouro da comunicação da petrolífera norte-americana, John Christiansen.

«Depois de esses acordos e dos financiamentos estarem definidos, estaremos em posição de tomar uma Decisão Final de Investimento sobre a construção de uma central de gás natural líquido (LNG, na sigla em inglês)», acrescentou o responsável, em declarações à agência de informação financeira Bloomberg.

A Anadarko e a Eni, que já vão ter de adiar a meta de 2018 para o início da exportação de gás moçambicano, são as duas principais empresas que estão a investir fortemente na exploração das reservas de gás natural do país, que são das maiores do mundo.

Moçambique pode receber 212 mil milhões de dólares (cerca de 186 milhões de euros) durante o período do projeto, só em receitas provenientes da Área 1 concessionada à Anadarko, segundo um estudo de 2014 do Standard Bank que calcula que o tamanho da economia moçambicana possa crescer nove vezes até 2035.

Os investimentos no país neste setor podem chegar a 100 mil milhões de dólares (cerca de 88 mil milhões de euros) e fazer o Produto Interno Bruto do País (PIB) crescer cerca de 24 por cento ao ano entre 2021 e 2025, quando a extração de LNG estiver em pleno funcionamento, de acordo com os cálculos feitos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), antes da divulgação da dívida de mais de 1,4 mil milhões de dólares (cerca de 1,2 mil milhões de euros) em empréstimos contraídos no princípio desta década.

Para o responsável do setor do Petróleo e Gás na consultora BMI, Christopher Haines, o recente anúncio de que a petrolífera sul-africana Sasol espera aumentar significativamente a oferta de eletricidade em Moçambique, através do processamento de novas reservas de gás na província de Inhambane, num investimento inicial de 1,4 mil milhões de dólares, é uma boa notícia, mas não é suficiente para mudar o país.
«A África do Sul pode acabar por ser a pioneira no LNG de Moçambique e certamente beneficiaria da vantagem de as distâncias serem curtas, mas os volumes seriam provavelmente pequenos», comentou o analista energético à Bloomberg.

«Moçambique precisa de garantir os contratos de longa duração com a Índia e o Japão e provavelmente um preço mais alto do petróleo, para a Anadarko poder pedir suficiente dinheiro emprestado sem ter de pagar taxas de juro astronomicamente altas», concluiu.

abola.pt

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