Ribeira de Julião quer ser mais que um espaço de brincar “San Jon”

6/06/2016 08:51 - Modificado em 6/06/2016 08:51
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cola san jon

O mês de Junho é o mais cheio de festas de romarias em Cabo Verde. Não é à toa que são chamadas festas juninas. Em São Vicente comemora-se a 24 de Junho, na zona de Ribeira de Julião, São Vicente, o São João que é igualmente comemorado na ilha da Brava e na ilha de Santo Antão (Porto Novo). A 29 do mesmo mês, festeja-se São Pedro na aldeia piscatória de São Pedro.

Ainda antes do dia 24 de Junho, começa-se a ouvir o rufar dos tambores que anunciam a tradicional festa do São João. É uma festa que move milhares de pessoas, desde católicos a simples “festeiros”, ou seja, a mistura entre o sagrado e o profano. A parte religiosa, o convívio, os tambores e o “colá sanjon” são alguns itens convidativos para muitos e que atraem as pessoas.

Na Ribeira de Julião, no entanto, onde culmina o alto ponto das festividades, os moradores lamentam que a zona seja lembrada apenas nestes dias e depois cai no esquecimento, tornando-se num à parte da ilha do Monte Cara.

Esta não é a primeira e nem provavelmente a última vez que os moradores reclamam deste facto. É que, conforme se queixam, com o passar dos anos pouca coisa mudou, a disparidade das casas continua na mesma, ou seja, afastadas umas das outras o que dá a sensação de serem zonas diferentes com vários focos de habitações separadas.

Além da falta de emprego para os moradores da zona, onde algumas famílias se deslocam para a zona da lixeira à procura de alguma coisa que possam aproveitar ou mesmo vender, a zona apresenta também problemas de habitação social, contando com a presença de diversas casas de tambor.

Os jovens desta localidade afirmam que procuram sempre uma forma de colocar a zona no “mapa” da ilha e questionam as autoridades responsáveis: se no dia 24 a movimentação é atribuladora, gente por todos os lados, apreciando não só a festa completamente integrada no ambiente cheio de terra e fumaça que é característico da zona, porque é que quem de direito não faz algo de positivo para a zona?

“Estamos muito afastados da cidade, porém, isso poderia ser aproveitado e como o centro das festividades de São João é aqui, porque não investir na zona e criar alguma infra-estrutura, não um museu, mas um lugar onde se possa ter a história da zona, do ambiente que se vive nesta localidade no dia de São João Baptista”, afirma Diego, jovem morador da zona que estuda actualmente na UNICV.

Segundo este jovem, esta poderia ser uma forma de atrair para a zona visitantes apresentando também diversas opções como jogos populares, comidas tradicionais como, o milho assado, “friginote, midjoingron” e outras iguarias típicas da festa de “San Jon”.

Por esta altura em São Vicente, mas ainda pouco, já se começa a sentir a movimentação e, até ao dia vinte e quatro, a Ribeira de Julião será destino de excelência, em São Vicente para quem gosta das festas juninas, mas antes ainda podemos ter alguns encontros de tamboreiros e o tradicional “saltá lumnara” no campo da Vila Nova.

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