Monte Tchota: Governo vai apresentar relatório com toda a verdade, mas…o rei vai nu

27/05/2016 07:11 - Modificado em 27/05/2016 08:14
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monte tchotaIsto tudo contribui para levantar suspeições em relação a todo este caso que a sociedade espera que seja esclarecido no relatório que o Ministro da Presidência assegura que será de verdade e transparência. Até lá, as Forças Armadas são o rei que vai nu com o Presidente da República a correr atrás com uma manta para o tapar.

O Ministro da Presidência do Conselho de Ministros disse que nos próximos dias o Governo vai apresentar o relatório sobre o assassinato de onze pessoas no destacamento militar de Monte Tchota, ocorrido no dia 25 Abril. Fernando Elísio Freire assegurou que “o relatório será apresentado ao País com toda a transparência e com toda a verdade”.

Este relatório é aguardado com alguma expectativa pela sociedade que também exige verdade e transparência, coisas que têm faltado neste processo. A começar pelo Governo que é acusado de ter avançado com a justificação de “motivos pessoais” para explicar o massacre quando não havia factos para sustentar esse móbil. Mas, por outro lado, o jornal ‘ASemana’ tinha avançado que estávamos perante um “novo ataque do narcotráfico” e associava o massacre a uma retaliação do narcotráfico. Outros foram mais longe e associaram o caso a um ataque terrorista. Depois, surgiu a versão do homicida confesso que corrobora a versão de motivos pessoais. E para agravar a situação, não há juízes no Tribunal Militar, não existe Polícia Judiciária Militar e o Estado-Maior das Forças Armadas está demissionário. Neste último aspecto, o Governo também é acusado de não ter agido bem ao aceitar a demissão do Chefe de Estado-Maior e de toda a cadeia de comando. Essas vozes, como as de ex-militares, defendiam que o Governo deveria ter mantido o CEMFA em funções para que fosse ele a conduzir todas as averiguações e também serem averiguadas as suas responsabilidades.

Adriano Lima, Coronel na reserva do exército português defendeu que “ora, se um chefe militar ao mais alto nível tiver de se demitir por causa de um episódio como o ocorrido, então teria de o fazer igualmente toda a cadeia hierárquica descendente até se chegar ao comandante imediato do soldado que, no caso em apreço, deve ser o sargento. Com efeito, a demissão teria de passar por todos os escalões de comando inferiores até desembocar na função comandante de secção efectivo de cerca de dez homens, que organicamente é comandada por um sargento”. E como este jornal revelou mais tarde, a “demissão do CEMFA não resolve o problema, complica-o ainda mais”.

Assim, o Comandante da 3ª Região Militar responsável pelo destacamento de Monte Tchota foi o único que permaneceu no seu posto, obedecendo às normas e ética militares que não se confundem com as civis como defendeu Adriano Lima. “Não se pode jamais confundir-se com o simples conceito de pôr o cargo à disposição, como é procedimento na classe política, porque isso pode significar precisamente o contrário: fuga às próprias responsabilidades, receio de enfrentar, enquanto em funções, o incómodo moral de ter de prestar contas ou de fazer com que a cadeia de comando subordinada assim proceda também”. E aqui o Ministro da Defesa tem responsabilidade ao ter aplicado as regras civis e políticas para aceitar a demissão em bloco do Estado-Maior e do seu chefe.

Mas há mais: depois do Governo ter escolhido um novo CEMFA, a nomeação foi travada por “problemas imprevisíveis”, segundo o Presidente da República e, segundo este online, porque o escolhido alegou “problemas pessoais” para não ser nomeado. Isto tudo contribui para levantar suspeições em relação a todo este caso que a sociedade espera que seja esclarecido no relatório que o Ministro da Presidência assegura que será de verdade e transparência. Até lá, as Forças Armadas são o rei que vai nu com o Presidente da República com uma manta para o tapar.

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