Samsung antecipa-se à Nokia e apresenta telemóvel com Windows Phone 8

6/09/2012 21:18 - Modificado em 7/09/2012 02:08
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A Samsung é a primeira marca a anunciar oficialmente o lançamento de um smartphone que funciona com o Windows Phone 8, antecipando-se assim à Nokia, que é vista como a fabricante escolhida pela Microsoft para servir de bandeira ao seu novo sistema operativo para telemóveis.

 

Uma semana depois de o colectivo de juízes de um tribunal de San José, no estado norte-americano da Califórnia, ter dado como provado que a Samsung violou seis patentes registadas pela Apple – relativas às semelhanças entre o aspecto de alguns dos seus aparelhos com o iPhone e entre o sistema operativo Android (da Google) com o iOS –, a marca sul-coreana não parece disposta a ser notícia pelas piores razões.

 

Ao anúncio de que vai recorrer da sentença do tribunal norte-americano – que estabeleceu uma indemnização a pagar à Apple superior a mil milhões de dólares (mais precisamente 836 milhões e 157 mil euros, à cotação actual) –, a Samsung reforça agora o seu contra-ataque, com o anúncio de vários lançamentos em vésperas do início da feira de produtos electrónicos IFA, em Berlim.

 

O anúncio mais surpreendente dá pelo nome de Ativ S. Quando todos esperavam pela próxima semana para ficarem a conhecer o primeiro telemóvel com o novo sistema operativo Windows Phone 8 – que já estava prometido para os modelos Lumia, da Nokia –, a Samsung antecipou-se.

 

Este anúncio não está a ser visto pelos analistas como um afastamento entre a Microsoft e a Nokia, mas antes como um sinal de que a empresa fundada por Bill Gates está disposta a ver o seu sistema operativo integrado em várias marcas.

 

“O facto de a Samsung ter sido autorizada a ser a primeira a anunciar [o lançamento de um smartphone com o Windows Phone 8], é uma forma de a Microsoft dizer a outras marcas que a Nokia não está a receber um tratamento especial”, disse à Reuters Avi Greengart, analista da empresa Current Analysis, com sede em Washington, nos EUA.

 

Também ouvido pela agência Reuters, o analista Geoff Blaber, da CCS Insight, salienta que “a Samsung cortou a meta em primeiro lugar e definiu os parâmetros para o lançamento da Nokia”. A fabricante finlandesa apresentará os seus novos smartphones com o Windows Phone 8 na próxima semana e terá de fazer melhor do que a Samsung, para não perder mais uma oportunidade de regressar à sua gloriosa era de reinado no mundo dos telemóveis – ou, pelo menos, de voltar a lutar com os gigantes actuais, como a Samsung e a Apple.

 

O ecrã do Ativ S da Samsung tem a mesma dimensão do ecrã do Galaxy S III e um processador Qualcomm dual-core de 1.5 GHz e a sua câmara fotográfica não constitui nenhuma revolução, estando em linha com o S III, com o mais antigo S II e com o iPhone 4S: tem uma câmara principal com 8 megapíxeis e uma câmara frontal com 1.9 megapíxeis (a câmara frontal do iPhone 4S tem apenas 0.3 megapíxeis).

 

Antecipação da Samsung pode beneficiar a Nokia?

 

É aqui que alguns analistas consideram que a Nokia poderá até ganhar com a antecipação da Samsung. “Há muitas expectativas quanto à possibilidade de uma câmara de 20 ou 40 megapíxeis. Se a Nokia não anunciar um telemóvel com uma câmara deste tipo na próxima semana, muitas pessoas vão ficar desapontadas”, considera Tero Kuittinen, da empresa Alekstra. Sejam quais forem as características dos novos Lumia, da Nokia, o facto é que a marca finlandesa “fica com muito espaço para se demarcar [da Samsung]”, considera o mesmo analista.

 

A Nokia lançou este ano o Nokia 808 PureView, com um sensor de 41 megapíxeis mas com o sistema operativo Symbian, que há muito perdeu quase toda a sua força em comparação com o Android, o Windows Phone, o iOS e mesmo o BlackBerry OS, cuja versão 10, esperada para o primeiro trimestre de 2013, promete melhorar os resultados da canadiana RIM. A expectativa é que o modelo que a Nokia vai apresentar na próxima semana tenha uma câmara semelhante à do 808 PureView, mas já com o sistema operativo Windows Phone 8.

 

O Ativ S da Samsung será posto à venda entre Outubro e Novembro, mas ainda não há uma data oficial de lançamento.

 

Uma câmara digital com aplicações

 

Para além de um smartphone com o Windows Phone 8, a Samsung apresentou também um tablet com a versão do sistema operativo da Microsoft para este tipo de aparelhos – o Windows RT – e modelos de maiores dimensões e mais potentes, capazes de funcionar com a versão integral do Windows 8 e que podem ser usados como tablets e como uma espécie de computador portátil, em conjunto com um teclado.Quanto a novos aparelhos com o sistema operativo Android – que está no centro da maioria das violações de patentes dadas como provadas pelo tribunal de San José, na Califórnia, no processo da Apple contra a Samsung –, a marca sul-coreana apresentou dois: o Galaxy Note 2, com um ecrã de 14 centímetros, mais fino e mais alto do que o seu antecessor; e uma câmara fotográfica digital onde podem ser instaladas aplicações Android para editar e partilhar imagens na Internet através de 3G ou 4G e Wi-Fi. A Galaxy Camera é dada a conhecer ao grande público uma semana depois da Coolpix S800c, da Nikon, que foi a primeira câmara digital a integrar o sistema operativo Android.

 

Em declarações à BBC, o fundador do site Pocket-lint.com, Stuart Miles, considera que há mercado para este tipo de aparelhos: “Uma das razões pelas quais o mercado das câmaras compactas está em dificuldades é porque as pessoas dão mais valor à partilha de imagens e ao facto de poderem editá-las do que à qualidade dessas imagens. Os modelos da Samsung e da Nikon preenchem esta lacuna, ao oferecerem aos consumidores o melhor dos dois mundos – aplicações e lentes melhores – num aparelho que talvez não seja penalizado pelo facto de ser um pouco maior do que um smartphone.”

 

Quanto ao facto de a marca sul-coreana estar presente em tantos segmentos do mercado dos aparelhos electrónicos, o vice-presidente da consultora Gartner, Ken Dulaney, afirma que “a estratégia da Samsung é fabricar tudo o que o mercado pede”. “Eles fazem muitos produtos de muitas categorias, em vez de fazerem toneladas de pesquisas de mercado. Os seus pontos fortes são a engenharia e a produção e usam esses pontos para perceberem a vontade do mercado. Pelo contrário, as empresas norte-americanas costumam gastar mais tempo em investigação e baseiam-se mais no marketing”, conclui o analista ouvido pela BBC.

 

 

 

 

 

 

publico.pt

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