Elementos da PJ acusados de crime de tratamento desumano negam tal prática

24/05/2016 07:15 - Modificado em 24/05/2016 08:17

PJQuatro elementos da Polícia Judiciária de São Vicente estão a ser acusados da prática de crime de tratamento desumano. Os factos remontam a Julho de 2009 na sequência de um alegado crime de receptação onde o ofendido afirma ter sido “torturado como animal” pelos agentes da PJ na tentativa de obrigá-lo a confessar o crime. Os arguidos negam a prática dos crimes de que estão a ser acusados.

O Tribunal de São Vicente iniciou na manhã desta segunda-feira, a audiência do julgamento que envolve quatro agentes da Polícia Judiciária acusados da prática de crime de tratamento desumano. Factos ocorridos há cerca de sete anos com quinze testemunhas arroladas no processo, na sua maioria inspectores, entre eles antigos e actuais coordenadores da PJ em São Vicente.

O ofendido alega que no dia 31 de Julho de 2009 na sequência de uma notificação que o acusava de ter adquirido objectos roubados, dirigiu-se à Polícia Judiciária onde foi interrogado e “torturado como se fosse um animal”, isto, por não ter assumido a prática do crime pelo que foi esbofeteado, agredido com socos e pauladas por parte dos agentes que também o obrigaram a assinar um documento assumindo a autoria do crime.

Após a agressão, os agentes levaram-no para casa, pois não conseguia andar de tanta dor. Posteriormente, terá sido conduzido pelos familiares ao hospital, pois tinha hematomas no rosto, no corpo e tinha fortes dores nos ombros e um dedo fracturado. No hospital, terá sido atendido e medicado depois de ter sido passado uma guia policial que atestava agressões físicas por parte de elementos da PJ.

O ofendido diz ter entregue uma queixa à PJ denunciando as alegadas agressões mas que nunca obteve qualquer resposta por parte dessa entidade, na altura coordenada pelo inspector André Semedo.

Na sequência dos ferimentos, o ofendido que diz ser proprietário de uma oficina de bate-chapa terá ficado dez dias sem condições de trabalhar. O mesmo diz que, apesar de ter passado tanto tempo, ainda sente fortes dores nos ombros que muitas vezes lhe impedem de trabalhar.

Tratando-se de uma falta de respeito pelos seres humanos, o ofendido promete levar o caso até ao fim, pois trata-se de “uma luta sua e de todas as pessoas vítimas dos agentes da Policia Judiciária que tiveram vergonha ou medo de denunciar a situação”.

A vítima afirma que desde a data dos factos tem sido perseguida pelos agentes da PJ que estão constantemente a fazer buscas na sua oficina e na residência no sentido de encontrarem algo para o incriminar.

Apesar das declarações do ofendido e das testemunhas que asseguraram terem presenciado às agressões e de terem visto os sinais de agressão, os arguidos negaram os crimes imputados alegando não existir situações de agressão na PJ.

  1. PG

    Anos atrás, ainda menor de idade, envolvi-me numa pequena delinquência. Os meus colegas foram esbofeteados na cara pelos agentes, houve quem teve o cabelo cortado com uma faca, houve quem levou murros e pontapés … tudo isso dentro das instalações da judiciaria, onde promoveu-se um interrogatório sem a presença de um advogado. Eu quase que fui pelo mesmo caminho, mas a minha postura levou-lhes a melhor. Nunca esqueci, e nunca irei esquecer a cara dos 2 “badios” que cometeram tal barbaridade para com os meus colegas. A justiça do homem tarda, mas chega. Não estou defendendo os meliantes, alguns merecem mesmo apanhar (cacybody e compainha ….) mas há que saber separar “uma pegadinha” ou uma “traquinice” de um crime violento. Acabam-se criando monstros com estes actos. Respeito acima de tudo, porque aquelas crianças de anos atras hoje são homens feitos, e os agentes fortes e jovens de anos atras hoje ja caminham para a velhice. Saudações. Nhos guarda, hora ta txiga.

  2. Robin

    Lembrem-se autoridades deste país (polícia, entre outros) que todo o ser humano atinge o seu limite. Chegará um dia em que dirá basta a humilhação, ao desrespeito e aos abusos. E neste dia este ser humano normal se tornará louco e aí acontecerão coisas cruéis, dor, sofrimento , morte e tragédia. Devemos aprender com o passado recente…

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