UNITA garante ter provas de fraude nas eleições em Angola

3/09/2012 07:19 - Modificado em 3/09/2012 07:19
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Depois de a Comissão Nacional Eleitoral de Angola ter avançado os resultados preliminares das eleições no país, que apontam para uma vitória por larga maioria do partido do Presidente José Eduardo dos Santos, o maior partido da oposição, a UNITA, garante que tem provas de fraude na contagem dos votos e que as vai apresentar em breve.

 

O partido do Presidente angolano, o MLPA, venceu sem surpresas as eleições em Angola – ainda que com um resultado abaixo dos 81% conseguidos em 2008. Com mais de 72% dos votos apurados, o MPLA segue à frente com mais de 74,14%, a larga distância da UNITA, a segunda força mais votada, com 17,80%.

 

A Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), formada por antigos membros do MPLA e da UNITA, bem como líderes da sociedade civil, obteve 4,67%. A taxa de participação está próxima dos 57%, com os votos em branco a chegarem aos 4% e os nulos a ultrapassarem os 2%.

 

Em reacção a estes resultados, já neste domingo, a UNITA anunciou, num comunicado divulgado no seu site, que se prepara para apresentar documentos que mostram que os resultados difundidos pela Comissão Nacional Eleitoral “não são os mesmos que foram contabilizados pelos fiscais nas assembleias de voto em diferentes partes do país”. O partido assegura que também a coligação eleitoral CASA vai “contestar as eleições”.

 

Além disso, a UNITA condena que “os órgãos de comunicação do Governo tenham passado uma mensagem adulterada do seu porta-voz Alcides Sakala em que o colocam a aceitar os resultados das eleições de 31 de Agosto”. Segundo a UNITA, na manhã de sábado, antes de a comissão ter divulgado os resultados provisórios, a Rádio Nacional de Angola (RNA) contactou Alcides Sakala por telefone para saber se os iria aceitar. Sakala respondeu que “a UNITA faz parte do jogo democrático e como tal vai aceitar quaisquer resultados das eleições desde que sejam justos”.

 

Contudo, segundo o comunicado, a rádio só terá divulgado as declarações após o conhecimento dos resultados preliminares, cortando a parte “desde que sejam justos” e dando a entender que a UNITA tinha falado já depois de conhecer os números.

 

Apesar das polémicas em torno das eleições e dos vários alertas de fraude que levaram a uma ameaça de impugnação da votação pela UNITA, as votações decorreram na sexta-feira com tranquilidade. Na véspera, houve a detenção de seis membros da CASA-CE, depois de estes terem alegadamente arrombado a sede da Comissão Eleitoral para reclamar credenciais de monitores (das 6850 credenciais requisitadas, só terão sido atribuídas 3000, o que impedia a presença em milhares de assembleias de voto).

 

O antigo presidente cabo-verdiano Pedro Pires, chefe da missão de observadores da União Africana que acompanhou as eleições, considerou no final do dia de sexta-feira que a organização do escrutínio foi “satisfatória”. Não houve observadores nem da União Europeia nem dos Estados Unidos e muitas embaixadas que requisitaram credenciais de monitores não as obtiveram.

 

O MPLA está no poder há 33 anos, sendo estas as segundas eleições desde o fim da guerra civil no país, em 2002, e que servem para eleger os 220 deputados que vão ter assento no Parlamento. De acordo com a Constituição de Angola, que foi alterada em 2010, o líder do partido que vence as legislativas torna-se automaticamente Presidente da República.

 

 

 

 

 

publico.pt

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