Desmond Tutu defende que Blair e Bush devem ser julgados em Haia

3/09/2012 07:16 - Modificado em 3/09/2012 07:16
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Não é uma posição inédita, mas desta vez foi defendida pelo Nobel da Paz Desmond Tutu. Num artigo publicado no diário britânico Observer, o bispo sul-africano, considerado um herói da luta contra o apartheid, defendeu que George W. Bush e Tony Blair devem ser julgados em Haia devido à guerra no Iraque.

 

Tutu acusou o anterior Presidente norte-americano George W. Bush e o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair de terem mentido sobre a existência de armas de destruição maciça e disse que a guerra naquel país tornou o mundo mais instável, mais “do que qualquer outro conflito na história”. As acusações não surpreenderam Blair, que já as terá ouvido inúmeras vezes. “É o mesmo argumento que ouvimos muitas vezes”, reagiu, citado pela BBC.

 

No início desta semana, o bispo sul-africano recusou-se mesmo a liderar um painel de uma conferência em Joanesburgo em que participava Tony Blair. Agora, Tutu defende que a campanha para derrubar o regime de Saddam Hussein em 2003 abriu caminho à guerra civil na Síria e a um possível conflito no Médio Oriente que envolva o Irão. Bush e Blair “levaram-nos para a beira do precipício, onde nos encontramos agora, com o espectro da Síria e do Irão diante de nós”, escreveu Desmond Tutu.

 

No artigo, o bispo sul-africano refere mesmo alguns números relacionados com a guerra no Iraque – “6,5 pessoas morrem todos os dias em ataque suicidas e em explosões de veículos. Mais de 110.000 iraquianos morreram no conflito e milhões foram deslocados” –, para depois defender que “os responsáveis por este sofrimento e estas perdas de vidas humanas deveriam seguir o mesmo caminho de alguns dos seus pares africanos e asiáticos que respondem pelos seus actos no tribunal de Haia”.

 

Desmon Tutu considera que os bons dirigentes devem ser também “guardiões da moral”. “A questão não é saber se Saddam Hussein era bom ou mau, ou quantas pessoas do seu povo massacrou. A questão é que Bush e Blair nunca deveriam ter descido a esse nível de imoralidade.”

 

Blair defendeu-se em comunicado, considerando “bizarro” dizer-se que o facto de Saddam Hussein ter massacrado centenas de milhares de iraquianos é “irrelevante”. E adiantou: “Temos na memória os massacres de Halabja, onde milhares de pessoas foram assassinadas num dia pelo uso das armas químicas de Saddam, e da guerra entre o Irão e o Iraque, em que as mortes chegaram a um milhão, muitas delas causadas por armas químicas.”

 

 

 

 

publico.pt

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