O lixo à porta das casas é um incómodo para mas é a sobrevivência de Cláudio

11/05/2016 08:44 - Modificado em 11/05/2016 08:44
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lixoO lixo que muitos residentes deixam à porta de casa para ser recolhido pelo carro da CMSV, considerado por muitos como uma falta de civismo, é o sustento do jovem Cláudio. Este, todos os dias de manhã, faz a ronda pelas zonas de São Vicente, de acordo com o dia da recolha do lixo, para “catar” o seu ganha-pão. Isto porque sobrevive da recolha dos restos de comida para vender aos criadores de porcos.

O dia de Cláudio começa bem cedo e, na segunda-feira, 09 de Maio, encontrava-se na zona do Madeiralzinho, em frente a uma residência, a vasculhar os sacos do lixo aí colocados para serem recolhidos pelo carro da CMSV. Questionado sobre a razão pela qual mexe no lixo, o jovem responde que “é o meu ganha-pão. Os restos de comida em bom estado e sólidos, servem para alimentar os porcos.” Assim, Cláudio tira o seu dia de trabalho porque consegue vender um saco por cem escudos e acrescenta que já tem alguns clientes fixos que já contam com a comida para os porcos.

A vergonha não assola o jovem que prefere trabalhar com o lixo do que roubar, afirma o entrevistado. Este conta que “antes trabalhava como calceteiro, mas ficou sem trabalho e com três filhos para criar”. Sendo assim, a vida obrigou-o a desenrascar-se numa ilha onde o desemprego é o pesadelo de muitos. Perante a intempérie, Cláudio arregaçou as mangas e recolhe os restos de comida no lixo alheio, ainda em boas condições e, sobrevive da venda dos restos.

O jovem que viu no lixo o seu sustento não tem possibilidade de comprar luvas para fazer o trabalho com melhor higiene e melhores condições, porém, afirma que “nunca apanhei uma doença, desde que faço este trabalho e até então sou uma pessoa saudável”. Apesar dos riscos, a lei da sobrevivência fala mais alto e inclusive, algumas vezes, é alvo de insultos por parte das pessoas que passam na rua, mas o entrevistado conta que não se deixa abalar pelos comentários maldosos, porque só ele sabe o motivo de vasculhar o lixo e, mais uma vez, frisa que prefere “katar” comida no lixo do que roubar ou passar fome.

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