Monte Tchota: a demissão do CEMFA não resolve o problema: complica!

9/05/2016 08:25 - Modificado em 9/05/2016 08:25

Carlos-Albeto-BEBETOA sociedade cabo-verdiana está dividida quanto ao pedido de demissão do Chefe de Estado das Forças Armadas em consequência do assassinato de oito militares e três civis por um soldado no destacamento de Monte Tchota. Num inquérito deste online 62% dos votantes concordam com demissão do CEMFA.

Nas redes sociais e nos comentários, maioritariamente subscritos por anónimos, também se apoia a demissão. Mas junto dos militares já não há essa unanimidade. O major na reserva Adriano Pires quando questionado pelo NN se estivesse no lugar do CEMFA, disse que “no seu lugar colocaria o cargo a disposição”. Posição contrário tem Adriano Lima, colunista de vários jornais cabo- verdianos, e coronel do exército português na reserva. Este militar na reserva defende que “a ética militar tem uma tradução muito concreta na assunção das responsabilidades mas também na sua partilha, esclarecimento e apuramento dentro das estruturas hierárquicas do comando. Não pode jamais confundir-se com o simples “conceito de pôr o cargo à disposição”, como é procedimento na classe política, porque isso pode significar precisamente o contrário: fuga às próprias responsabilidades, receio de enfrentar, enquanto em funções, o incómodo moral de ter de prestar contas ou de fazer com que a cadeia de comando subordinada assim proceda também.” E os factos parecem dar razão a abordagem de Adriano Lima, visto que todo o Estado Maior também apresentou a demissão e o Tribunal  Militar está sem juízes. Assim quem assume as responsabilidades  e conduz o apuramento dos factos. Para outro militar de patente superior “o facto do Estado-Maior estar demissionário é um problema para quem vier a ser nomeado CEMFA, pois entra sem uma equipa  e num meio de um deserto onde está sozinho”.

O coronel na reserva , Adriano Lima contaria o CEMFA demissionário quando este alega ” falta de condições morais e psicológicas” para prosseguir no cargo. Pois na sua opinião “Um militar não pode abandonar as suas funções por alegar “falta de condições morais e psicológicas” por aquilo que aconteceu no Monte Tchota, da autoria única e directa de um soldado, por maior que tenha sido o impacte emocional na opinião pública. Imagine-se o que seria um comandante em operações de combate desistir do seu cargo aos primeiros desaires ou insucessos. Isso é cobardia e tibieza de quem escolheu mal a profissão. Leva a julgamento marcial.”

  1. Silvério Marques

    A má organização do destacamento militar responsável pelo maior centro de telecomunicações do país levou á morte de 11 pessoas, o centro de telecomunicações esteve abandonado durante 48 horas e as pessoas acham que não aconteceu NADA. Todos nós que fomos militares ( falo de centenas de cabo verdianos, ainda vivos, que estiveram nas foleiras do exército português outros até na guerra colonial ) sabemos que houve falhas enormes, que são da responsabilidade dos comandos. Ao tentar comunicar sem sucesso com o destacamento, o Comando da 3 ª Região Militar achou que não era nada de mais. Estava habituado ás avarias. Isto na era do telemóvel e outros meios de comunicação. Bem esteve o CEM das FA´S em pedir demissão no que foi seguido pelos restantes colaboradores. A isto chama-se a HONRA DO COMANDANTE E DO PRIMEIRO RESPONSÁVEL PELO SUCESSO E PELO FRACASSO. Todos os exércitos têm esta norma, principalmente quando há perdas de vidas humanas. Um simples exemplo. Em Portugal, um ministro das Obras Públicas pediu demissão pela queda de uma ponte, que estava a centenas de quilómetros de Lisboa e a manutenção era da responsabilidade da estrutura regional. Causa directa do pedido de demissão – AS MORTES OCORRIDAS. Por este mundo fora há centenas de exemplos. No Curso de Oficiais Milicianos do Exército Português este sentido ético era claramente transmitido no sentido de fortalecer a solidariedade comandante / comandado. Todos são responsáveis pelos sucessos e pelos insucessos.

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