AM de São Vicente: UCID e PAICV unidos contra Augusto Neves

6/05/2016 08:14 - Modificado em 6/05/2016 08:14

Assembleia Municipal de São Vicente avalia situação financeira (1)A Assembleia Municipal está reunida naquela que é a sua última sessão ordinária deste mandato. Na intervenção política a UCID e o PAICV usaram o tempo para fazerem um balanço da governação autárquica de Augusto Neves. Os dois partidos demonstraram-se insatisfeitos com o trabalho realizado até agora e descontentes com a atitude do Presidente da CMSV face aos outros partidos.

PAICV critica falta de visão estratégica para a ilha

“Infelizmente, o que temos a dizer não é muito bom para São Vicente e, olhando para trás, vê-se um gestor do Gabinete Técnico em vez de um Presidente de Câmara. Na verdade, nunca tivemos um Presidente durante este mandato”, analisa Alcides Graça, líder da bancada do PAICV.

Para Graça, o Gabinete Técnico desempenhou normalmente o seu papel mediante as indicações do seu gestor, como classificou o Presidente. “Não vejo projecção da ilha como ela merece, nunca foi projectada apesar das potencialidades. Um Presidente em permanente guerrilha com o poder central, guerrilhas populistas, eleitoralistas, que colocaram no primeiro plano a vaidade e arrogância do Presidente em vez do desenvolvimento de São Vicente”.

O líder da bancada do PAICV não vislumbrou uma visão estratégica para a economia, o desporto, o entretimento, a juventude. “Como é possível que este Presidente que tanto mal fez a São Vicente se recandidate para o próximo mandato?”. E afirma que a falta de trabalho deixa o Presidente da CMSV em desespero e que vai recorrer a um empréstimo “e não se sabe o propósito”.

UCID sente-se enganada pelo Município durante o mandato

A bancada da UCID demonstrou insatisfação para com o Presidente da CMSV, apesar do partido ter votado, aprovando os instrumentos de gestão camarária durante o mandato. Lídio Silva, líder da bancada da UCID, exprime um sentimento de ter sido enganado durante o último mandato.

“No último mandato, o Presidente apenas aceitou as reivindicações da UCID para garantir os votos necessários para a aprovação dos instrumentos de gestão camarária”, como revelou na plenária. (…) Demonstrar que o Presidente da CMSV enganou recorrentemente a bancada da UCID que, de boa-fé, aprovou todos os instrumentos de gestão camarária, apresentando em todo o mandato apenas os passeios da policlínica que foram agora feitos”.

O tom crítico da UCID é elevado quando acusa a edilidade de tentar silenciar a sua bancada sobre as críticas que tem para fazer ao trabalho do executivo. Considera que o dia do balanço é feito durante as cerimónias das festas do Município, mas que “a UCID foi silenciada”. E remete o facto aquando das celebrações do Dia do Município em que o Presidente “resolveu no esquema antidemocrático, retirar a palavra à UCID, com o único objectivo de se livrar das críticas legítimas e construtivas da mesma no exercício das suas funções”.

Augusto Neves e as dificuldades da ilha

Na sua intervenção antes da ordem do dia, o Presidente da CMSV voltou a atenção para as dificuldades por que a ilha tem passado ao longo dos tempo com um Governo centralista e focou-se no trabalho que a edilidade tem feito para reverter a situação difícil da ilha.

“Ao longo do ano económico que agora finda, não se estribou nas dificuldades internas das políticas de um Governo de âmbito centralista e hostil ao poder local e saqueou a todo o custo os recursos financeiros e matérias a este Município que poderiam ser colocados ao dispor dos munícipes para a resolução dos problemas e na concretização das suas legítimas aspirações”, afirma Augusto Neves, Presidente da CMSV.

Com as dificuldades criadas pelo Governo, como diz o Presidente, a edilidade trabalhou arduamente num ambiente extremamente difícil e adverso e foi à procura de financiamento e parcerias público-privadas visando a construção de obras e acções que fossem ao encontro das reais necessidades das pessoas. Isto tendo em vista a melhoria das condições de vida da população.

“A CMSV esteve e está sempre atenta aos anseios da população numa ilha que esteve marcada pela ausência de investimentos estruturantes, face ao antigo poder central, facto que contribuiu para que São Vicente ficasse com uma economia debilitada, desestruturada e muito debilitada com empresas falidas e uma taxa de desemprego elevada”, adianta Neves.

Jorge da Luz, líder da bancada do MpD, tendo como pano de fundo as últimas eleições legislativas, antevê uma nova perspectiva de governação. “Temos a certeza que os compromissos eleitorais serão cumpridos e que São Vicente passará a desempenhar o seu papel no contexto nacional pois, com a regionalização, São Vicente desenvolverá as suas capacidades”, disponibilizando todo o apoio da sua bancada ao executivo camarário.

  1. Eduardo Oliveira

    “Casamento de um Coelho e de um peixe (provérbio francês). Isso quer dizer que dois polos totalmente opostos que se dão a mão porque o programa não convém. Assim é que deve ser. Nunca o partidarismo ou o interesse pessoal mas o interesse da edilidade.
    Isso é cidadania.

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