Rui Vaz: moradores já não têm confiança nos militares após o massacre em Monte Tchota

5/05/2016 07:33 - Modificado em 5/05/2016 07:33

monte tchotaNa zona de Rui Vaz, a mais próxima do destacamento militar de Monte Tchota, vive-se num clima de consternação e de medo por parte dos residentes. Isto após o massacre ocorrido há uma semana onde foram descobertos, no dia 26 de Abril, onze mortos.

Uma moradora com 74 anos, disse à Lusa que mora há 50 anos na localidade de Rui Vaz, onde vive com o marido e com o neto, que ainda tem medo de sair à rua após o massacre em Monte Tchota, visto que ainda está por perceber o que aconteceu no destacamento.

A septuagenária e a sua empregada esperam que nada de similar volte a acontecer. A empregada da casa, por sua vez, recorda que foi colega de escola no 7º ano no liceu de São Domingos de Mário Stanick, um dos oito soldados mortos no destacamento. A mesma, indignada lamenta a morte trágica do colega e relembra que “era tão tímido que os outros gozavam com ele, apanhavam as suas coisas, sem que este reagisse”.

Por outro lado, a proprietária de uma pequena mercearia em Rui Vaz recorda a rotina dos militares mas antes, respira fundo para falar do assunto. Assim, a entrevistada disse que “via-os sempre a passar aqui na estrada a fazer corrida”, acrescentado que os militares eram simpáticos e inclusive pediam água na sua loja. Entretanto, após a chacina em Monte Tchota, a dona da mercearia afirma que “não se vai afastar dos militares, mas vai passar a vê-los com outros olhos”.
Um dos guardas da residência de férias da Presidência da República de Cabo Verde que fica aproximadamente a 1 Km do destacamento, frisa que não há muito tempo para ter muitas ligações com os soldados uma vez que dantes permaneciam no local por um mês, passando para 15 dias e agora é por apenas uma semana e que apesar de conhecer os motivos que desencadearam as mortes em Monte Tchota, devido a um desentendimento entre os militares, o guarda garante que “vê a tropa com alguma desconfiança”. Ainda acrescenta que o local é muito frequentado por turistas nacionais e internacionais, sobretudo no Verão. Contudo, após o massacre em Monte Tchota, não se vêem visitas turísticas e o guarda espera que esse acontecimento não belisque a beleza e a tranquilidade da zona eminentemente turística.

De acordo com a Lusa, depois da casa de férias do Chefe de Estado, sobem-se algumas dezenas de metros numa estrada coberta por imponentes pinheiros e eucaliptos até se chegar ao destacamento de Monte Tchota, um miradouro de Santiago com 1.050 metros de altitude, perto do Pico de Antónia, o ponto mais alto da ilha, com 1.394 metros. No destacamento já estão outros militares a guardar as sete torres com antenas da rádio, televisão e telecomunicações, naquele que é considerado o ponto estratégico das telecomunicações do País.

No portão do destacamento em Monte Tchota vê-se um soldado com arma em punho que anuncia a chegada ao destacamento militar que é vedado por uma parede com quase dois metros de altura e arame farpado. “O silêncio é quebrado pelo som dos pardais e do vento nas copas das árvores. No local, nada lembra os trágicos acontecimentos de há uma semana. Lá dentro, os militares prosseguem a sua rotina diária, até o sargento pedir num cordial: por favor, para que se afastem da frente do portão”.

  1. Jacinto Fortes

    o rei vai nu”. País de desenvolvimento médio!Felizmente que muitos acreditaram neste slogan pois se as Forças Armadas da Guiné Bissau estivem ao corrente da desorganização reinante no seio das nossas Forças Armadas mesmo com pirogas quando dos últimos conflitos diplomáticos com aquele País os nossos generais guineenses tinham invadido Cabo Verde e quem sabe talvez com sucesso.
    Nós também aprendemos com os nossos irmãos da Guiné a fabricar alguns generais e dentro em breve promovidos a marechais, para não falar de coronéis analfabetos à Toi de Suna espalhados por todas essas Ilhas.
    E a palhaçada continua.

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