Adriano Lima defende que não existem razões para o CEMFA se demitir

4/05/2016 07:35 - Modificado em 4/05/2016 07:35

Adriano Miranda LimaAdriano Lima, militar reformado do exército português, natural de S. Vicente de Cabo Verde, residente em Tomar, Portugal, colunista, defendeu num artigo de opinião no site caboverdedirecto.com, que o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas não deveria ter apresentado a demissão  na sequência dos acontecimentos de Monte Tchota. Adriano Lima começa por questionar:

“Como pode um chefe militar ao mais alto nível responsabilizar-se institucionalmente por aquilo que se passa na cabeça de um soldado?” E responde à questão: “É muito forçado e dá a impressão de uma tentativa (saloia ou bacoca) de emulação de supostos padrões de ética (política) que não têm lugar no universo castrense. A ética militar é de outro jaez e jamais pode confundir-se com qualquer práxis política. Ela funda-se essencialmente num corpo de regras e princípios que têm a ver com o sentimento do dever, a honra pessoal, a conduta moral, o pundonor e o decoro militar”. Este ex-militar volta a questionar: “Ora, se um chefe militar ao mais alto nível tiver de se demitir por causa de um episódio como o ocorrido, então teria de o fazer igualmente toda a cadeia hierárquica descendente até se chegar ao comandante imediato do soldado que, no caso em apreço, deve ser o sargento. Com efeito, a demissão teria de passar por todos os escalões de comando inferiores até desembocar na função comandante de secção, efectivo de cerca de dez homens, que organicamente é comandada por um sargento”. Como se sabe, este quadro veio a verificar-se com os pedidos de demissão de todos os oficiais do Estado-Maior e o Comandante da 3 ª Região Militar, responsável pelo destacamento de Monte Tchota colocou o seu cargo à disposição.

Continua a defender que o CEMFA não tem responsabilidade directa, visto que na sua opinião, “As situações da rotina diária e disciplinar das unidades, em princípio nunca chegam nem têm necessidade de chegar, ao conhecimento pessoalizado das altas hierarquias do comando. Se há falhas, averiguam-se os factos e é punido quem, comprovadamente, tem uma clara responsabilidade material directamente  ligada ao caso. Se há envolvimento de matéria criminal, os tribunais militares julgam o processo e punem conforme o grau de culpabilidade do militar”. Lima defende que a instituição militar se guia por outras regras e princípios. “Se no exercício do mando político, costumam acontecer demissões por mero simbolismo de responsabilização do ponto de vista ético-político, o mesmo não acontece nem pode acontecer na instituição militar que se pauta por normas de conduta completamente distintas”.

  1. Eduardo Oliveira

    Este militar de alta patente – Coronel – não é nenhum comentarista indocumentado; sabe o que diz.
    Não temos tantos generais para revezarem a cada desatino de um soldado ofendido

  2. Helena

    Permita-me discordar. A atitude do CEMFA demissionário foi sim correta e de louvar. Não se deve ao que se passou pela cabeça do soldado mas sim pelo facto de um soldado com problemas psicológicos visíveis e que se vieram a provar fatais para 11 inocentes estar nas FA. É de louvar sim porque as FA tomaram conhecimento do sucedido apenas no dia seguinte! É de louvar sim porque aquele destacamento está la para proteger um ativo valiosíssimo do país. Os principais responsáveis das FA também colocaram o lugar à disposição e foi aberto um inquérito, findo o qual e caso se revele necessário, outros responsáveis da cadeia hierárquica, serão também punidos de acordo com a lei militar. Considero que este artigo desvaloriza o que este Senhor fez. Dizer que ele não devia fazê-lo não ameniza o que se passou, assim como ele próprio sabe que a sua demissão não o fará, não deixando porem de ser necessária. O Líder dá exemplo!
    Obrigada!

  3. Militar senil

    !! Então responsabilidade é de quem ? do sargeito que foi morto ? palhaço da ….. O CEMFA é quem responde (indirectamente) é obvio por tudo o que se passa desde do recruta até o mais alto nível. Obviamente que ele delega funções. Obviamente que ele não é Deus para estar em todo lado. Mas ele delega funções e as funções delegadas continuam a ser da sua responsabilidade de forma indirecta pois ele é que escolhe a quem delega funções. Por outro lado essa demissão nem é por o que aconteceu em si mas pelo descaso pelo sileencio, pelo deixar andar, pelo faz de conta. Se havia tantos problemas assim nas FA nunca ele disse nada. Nunca ele falou nada. Era vê-lo por ai a passear a pavonear as sua patentens. Isso sim é de louvar quel pelo menos teve a honra de se demitir. O palhaço o soldado não matou acidente alguém. O soldado nao matou outro soldado. Matou 11 pessoas. So nesse dia morreram mais caboverdenos que morreu em toda a luta de libertação na Guiné onde se sabe morreu 2 não é ? Ve se cresce e apesar … senhor militra do exercito portugues.

  4. Fantonnelli Mariah

    Eu também não compreendo esta atitude do CEMFA pelas razões explicadas pelo militar na reforma. Esta atitude seria compreendida, se de facto a demissão fosse solicitada de baixo para cima, isto é, desde o Superior hierárquico do sargento assassinado no massacre, até chegar ao CEMFA. Eu até compreenderia a atitude do CEMFA se tivesse colocado o cargo à disposição, logo que o novo governo é empossado, uma vez que é um cargo de nomeação do governo. Hoje de manhã, houvi o CEMFA demissionário no jornal da noite em reposição a questionar a falta de investimento para o Destacamento de Monte Tchota, o que para mim foi extemporâneo. Teve tempo de sobra para reivindicar mais investimentos. Houve falha grande, sobretudo na comunicação que tirou a vida dos 3 civis. Tudo indica que se esses espanhóis não tivessem viatura, mais pessoas teriam sidos assassinados, por falta de conhecimento atempado das FA.

  5. bernardete

    Eu também acho, este homem cobriu com seu trabalho até hospitais e não só, com evacuação dos doentes na hora certa e no momentos certos e bem equipados, com seus oficiais bem preparado a nível dos seus trabalhos e munido de equipamentos e com qualidades de serviço mais bem visto, mesmo as familias dos doentes estando com mais profunda dor que pode existir aprecia o seu grandioso trabalhos, talvés o que aconteceu é aprovação vindo de Deus porque este homem é um homem com maior capacidade que pode existir.

  6. Anildo Spenser

    O artigo està a preceito: um militar dà a sua opinião sobre assunto do seu ramo. Isso não é frequente porque, actualmente, cada um mete colherada no prato que não é dele. Como cidadão penso que fazia como o Coronel Lima mas quem tem a solução são os militares que, em tempo de guerra, passavam o assassino pelas armas po traição.

  7. D. Semedo

    Somos livres e discordar com opiniões mas devemos proferir quando estamos devidamente documentados para tratar do que queremos. Como se compreende que uma que nunca se inteirou da estrutura militar discorde da opinião de um militar de carreira que chegou a um dos mais altos cargos de um (quelquer) exército? O articulista é um CORONEL que não foi sargento promovido para desfilar no dia da independência.
    Pode-se reagir sentimentalmente senão… o melhor é sofrer com as familias e fazer votos que o que o assunto seja tratado a fundo.

  8. D. Semedo

    Penso que o comentarista que se intitula MILITAR SENIL deve estar precisando de assitência. Nem sequer tem capacidade para enchergar um assassino quanto mais julgar um profissional de alto gabarito.
    Senhor “senil”, o Exercito Português pode ter muitos nabos como os que estiveram em Cabo Verde em 1974 mas olhe que não é assim tão mau.
    Seja honesto e não esteja atrapalhando.

  9. Figueiral

    [O ministro da Defesa vai explicar esta terça-feira a demissão do ex- Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) à porta fechada. A audição de Azeredo Lopes está marcada para as 15h00 e será dividida em duas partes. Na primeira, o ministro vai pronunciar-se sobre a demissão do General Carlos Jerónimo]

    Caro Adriano com o interesse habitual li o teu comentário mas desta vez, uma excepção diga-se de passagem, discordo contigo, o que é simplesmente salutar, um combustível ideal para manter acesa a discussão. No extrato acima inserido, vêr o escândalo no Colégio Militar em Portugal, há neste caso uma certa analogia com os escândalos recentes do Colégio Militar onde o Chefe do Estado Maior do Exército pediu ou foi forçado a pedir a sua demissão. Atendendo que nós os cabo-verdianos copiamos tudo o que vem de Portugal não é de estranhar que o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas Alberto Fernandes pediu ou foi forçado a pedir a sua exoneração por instigação superior ou por não se sentir como ele mesmo disse moralmente em estado de conduzir a Instituição. Levar em consideração que houve aqui um assassinato de carácter do Chefe das Forças Armadas o que lhe impossibilita de estar à frente duma organização com tamanha responsabilidade.A meu ver Alberto Fernandes fez o que um ou outro responsável faria em caso semelhante.Adriano um abraço e que venham mais opiniões tuas pois é sempre um prazer e um enriquecimento lê-las.

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