Os chefes directos de Entany tinham a obrigação de detectar anomalias

4/05/2016 07:31 - Modificado em 4/05/2016 07:31
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monte tchotaEste online levantou na sua edição de ontem dúvidas sobre a forma como o chefe do destacamento de Monte Tchota terá gerido o conflito entre o homicida confesso e outro soldado.  Adriano Lima, militar reformado do exército português, natural de S. Vicente de Cabo Verde, residente em Tomar, Portugal, colunista, defende num artigo de opinião que “um caso comportamental que indicie tendências psicopáticas, como parece ter sido o do soldado assassino, teria de ser atentamente resolvido, mal se evidenciassem os primeiros sintomas.

Não acredito, como julgo ter lido, que o soldado fosse um “rapazinho calmo e sossegado” e que nunca dera antes sinais de comportamentos desviantes. Os seus chefes directos tinham a obrigação de detectar quaisquer sintomas, por mais ténues que fossem. Era exigível essa atenção porque não se pode confiar uma arma e munições a um desequilibrado mental”. Defende que após a detecção dessa anomalia, teriam de haver medidas disciplinares ou cautelares, estas passando por tratamento médico e/ou pela sua eliminação das fileiras, o que em linguagem militar se designa “passagem à disponibilidade”. Ainda não é conhecido o histórico médico do soldado, o certo é ele tinha à sua guarda uma metralhadora AKM e 120 munições. O que indicia que até essa altura, os colegas e chefes directos não tinham notado “nenhum comportamento anormal, embora uma leitura, mesmo que superficial do seu Facebok, deixe algumas pistas.

Lima defende que “É quem lida mais directamente com os homens que tem obrigação de os conhecer um por um: os seus problemas pessoais e até familiares, o seu comportamento psicológico, a sua formação disciplinar, as suas tendências e hábitos, o seu espírito de sociabilidade, etc. Este grau de conhecimento de proximidade também é obrigatório que o tenha o comandante de pelotão e até mesmo o comandante de companhia que se preze”.

Depois dos exames médicos que vão ser feitos ao soldado, vai-se ficar a conhecer o seu perfil psicológico para se saber se  sofre de alguma perturbação mental. Por enquanto, o único comportamento estranho que lhe é conhecido é o relatado pelo Chefe da Guarda Nacional que afirmou que o que esteve na origem do ocorrido em Monte Tchota foi um desentendimento do soldado Ribeiro com um colega que culminou com um confronto físico, donde saiu derrotado, ficando no posto de serviço em vez de outro, tendo sido alvo de gozo por parte dos restantes colegas. “O responsável pela Guarda Nacional adiantou ainda que o soldado se considerou injustiçado e “ameaçou matar a todos, ameaça que não foi levada a sério pelos demais”.

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