Portugal: segregação institucional na base de insucesso escolar de afrodescendentes

29/04/2016 08:38 - Modificado em 29/04/2016 08:38
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racismoRelatos mostram como as acções discriminatórias com base na raça acaba por ter influência no percurso escolar, esta afirmação é feita pela responsável pela investigação.
Conclusões desta investigação apresentado em Lisboa apontam, entre outros aspectos para uma segregação e racismo institucional no que respeita ao acesso de jovens afro-descendentes ao ensino.
O estudo abrangeu afro-descendentes de origem cabo-verdiana guineense e santomense, mostra que estes jovens têm maior taxa de sucesso escolar devido a sua etnia.
Os caboverdianos são os mais afectados, conforme o estudo revela, segundo dados do Ministério da educação portuguesa, declara a investigadora de origem cabo-verdiana.
Roldão diz que entre 2001 e 2011 houve um retrocesso no acesso ao ensino superior, isto de acordo com o estudo que dá a entender que houve uma elevada percentagem de estudantes afro-descendentes que estão a ir para cursos profissionais sem que “nós consigamos saber a qualidade desses cursos”, que houve um aumento exponencial do número de matrículas em curso profissionais, por outro lado as taxas de acesso ao ensino superior, que são muito baixas e nós nem mostramos os dados todos.
Segundo a investigadora Cristina Roldão, os dados estatísticos analisados revelam um aumento do fosso entre os filhos de emigrantes e os restantes alunos, estes com taxas de reprovação três vezes superior aos restantes alunos do 1º e 2º ciclo e quase o dobro do secundário e 80% dos alunos afro-descendentes encaminhados para cursos profissionais e não para universidades.
O funcionamento destas instituições com base em acções discriminatórias, entre outros aspectos acaba por ter influência no percurso escolar destes jovens. “A questão da raça não esta ausente na forma como as instituições procedem”.
Para Cristina Roldão, quando um professor, psicólogo, decisor político exerce um acto discriminatório consciente ou inconsciente “ele não é de uma pessoa é de alguém com poder de uma instituição e isso tem o poder muito diferente daquele que é um acto individual”, que também não é legítimo, mas não tem o mesmo poder de promoção das desigualdades.
De fora desta análise ficaram de fora, os afro descendentes de naturalidade e nacionalidade portuguesa, já que exceptuando casos exceptuais a lei portuguesa não permite a desagregação de dados com base na etnia e na raça.

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