Major Adriano Pires: “As FA são dirigidas por civis com divisas nos ombros”

29/04/2016 08:19 - Modificado em 29/04/2016 08:19

forças armadasO Major na reserva, ex-Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, acredita que o massacre de Monte Tchota podia ser evitado se “as FA funcionassem como uma Força Armada e respeitassem os critérios militares, inclusive o que está regulamentado. É inadmissível que um soldado tenha acesso a tantas munições que lhe permitiu dizimar tantas pessoas.

Um soldado a não ser em caso de guerra, não pode ter tantas munições a seu dispor. Ele não pode ter acesso a tantas munições. Os soldados têm acesso a tantas munições porque as FA de Cabo Verde, há uns anos para cá, passaram a ser dirigidas por civis com divisas aos ombros. Num dos livros que escrevi disse que se continuasse como está, qualquer dia o Governo vai ter de recorrer a civis para comandar as FA.

Infelizmente é isso que está a acontecer neste momento: “Civis sem conhecimentos militares, sem perícia militar a dirigirem as FA. Em 2011– numa entrevista ao jornal ‘ASemana’ na altura do roubo de armas no Estado-Maior das FA, Adriano Pires previa problemas mais graves: “quanto mais tempo o País continuar a acreditar que conseguirá mudar o que está errado nas suas FA mantendo à frente  da empreitada os regentes de sempre, mais sangue será derramado, mais dor tomará conta dos seus habitantes, menos seguro será Cabo Verde…”

Adriano Pires espera que depois deste banho de sangue, o Estado tome as medidas pertinentes de forma a mudar o rumo dos acontecimentos. “Para mim, nada que aconteça nas FA de Cabo Verde surpreende, nada. Está tudo escrito. Basta ler o que tenho escrito. E falo, não porque sou bruxo, mas porque conheço as causas e as pessoas e é o que me leva a fazer as análises acertando a cem por cento nas coisas que vão acontecendo no dia-a-dia nas FA. E confesso que acredito que o caso de Monte Tchota poderia ser perfeitamente evitado se as FA funcionassem como uma Força Armada e respeitassem os critérios militares, inclusive o que está regulamentado.

  1. Adalberto Fortes Mon

    Espero que tiramos as liões suficientes com respeito, humildade e elevação, é um caso que nos interpela a todos e que todos deveriam ter uma palavra, uma opinião, que coisas do tipo não voltam a acontecer; nada é por acaso e tudo tem um porquê!
    Uma das origens do criminoso são troumas infantis identificados nos livros de “ecologia emocional”. são pessoas violadas na infãncia, revoltadas, a lei não tolera e nem a sociedade aceita nem faz com que a regeneração seja feito., espero que começem a fazer o perfil do criminosos desde a infãncia a altura do crime.
    A violência quando acontece a resposta é há algo que precisa ser afinado; portanto para grandes males também tem que haver grandes remédios, tudo é ligado; mesmo os indiferentes não ficarão fora do conjunto ao qual nós todos pertencemos.

  2. Rufino

    Subscrevo integralemnte, Sr Major … é imperioso pensar as lideranças por quem de direito … há dias travei um grande debate com 1 Agente com ano e tal de serviço, que acha por ser formado em informática, entende que não pode ser Agente … tem que transitar para chefia mais rápido possivel … se quem de direito, não regular isso mt bem como disse e bem o Sr. Major, serão civis com gdes patentes sem se interiozarem os valores Institucionais de forças hierarquizadas … vivas saudações.

  3. Maria

    Tudo se resumo a uma grande questão berço. Podemos ser pessoas analfabetas mas que saibamos educar os nossos filhos, Quando falo em filhos, não são só os meus mas de toda a sociedade. Podemos constatar que hoje existem tantos doutorados que educação nenhuma possuem, que acham que não podem ser chamados a razão quando cometem erros. Que não haja injustiça e nem apadrinhagem porque são esses dois fatores o mal da nossa sociedade. Sem esquecer também que cobiça e ganância nunca fez parte da nossa educação.

  4. Nelson Cabral Lopes

    Não vamos fazer de advinhos ou bruxos, mas o que aconteceu no Monte Txota foi algo parecido com o k aconteceu em São Vicente há quase 30 anos. Quem não se lembra daquele ex-militar que “desarmou”, e matou se não me engano, o sentinela ali em Madeiralzinho onde hoje é Pavilhão de ESJorge Barbosa e foi à casa do rival e tentou mata-lo e a sua namorada e depois se suicidou? Não é de hoje que as falhas existem. Quanto aos abusos, injurias e humilhações que os recrutas e soldados sofrem nas FA só quem la esteve pode descrever. Portanto, é uma questão cultural (” bo ta dá homme na tropa”) e deve ser revisto. Imagina, os sargentos e oficiais “põem 2 ou mais recrutas a esbofetearem-se uns aos outros porque estavam a brigar”, “dar banho aos porcos e limpar a pocilga”, “beijarem-se”, etc. Isto sim, deve acabar e existe desde a década de 80, porque ouvia dos mais velhos e assisti isso em 1998.

  5. Clara Medina

    O Exército Cabo-verdiano herdou do sistema estalinista da União Soviética a mentalidade do servilismo e obediência cega e total.
    Este mesmo exército deu durante muito tempo um impulso enorme à chamada revolução cabo-verdiana. Relembrar entre outros o desembarque de tropas em Santo Antão quando da tentativa da implantação da Reforma Agrária.
    Com a queda do Muro de Berlim e a consequente entrada da democracia em Cabo Verde o Estado estalinista cabo-verdiano perdeu uma grande parte dos seus fundamentos teóricos e infelizmente o mesmo Exército, os seus representantes máximos não tiveram como a maioria dos políticos cabo-verdianos a capacidade de se reciclarem e adaptarem-se à sociedade moderna que surgira e que tinha evoluído bastante nas últimas décadas, sacudindo as sequelas da tirania e exigindo um tratamento mais humano adaptado aos tempos modernos.
    Não é de estranhar e é sintomático que já ocorreu nos últimos tempos alguns casos de suicídio no seio do mesmo Exército e infelizmente em muitos situações há que haver algo chocante, repugnante, desumano como este para despertar a atenção dos responsáveis e convence-los a trilhar novos caminhos ou seja neste caso especial estabelecer um relacionamento e tratamento de respeito entre as classes chefias e subalternos.
    Como não temos guerra em Cabo Verde, deve ser uma situação frustrante para os militares esta situação permanente de não fazer nada. Alias estudos efectuados depois da Primeira Guerra Mundial, constataram que os soldados durante o período de paz praticavam o suicídio em maior escala do que quando do período de guerra.
    Também outro estudo de observação feito há algumas décadas atras em jardins Zoológicos concluiu que os chimpanzés que nada faziam para conseguir alimentar, a comida era-lhes servida, portanto sem nenhum esforço da parte deles, eram mais frustrados, pouco sociáveis e os mais fortes eram verdadeiros tiranos.
    Depois os responsáveis desses animais Jardins Zoológicos passaram a colocar a comida em lugares difíceis de alcançar e o resultado foi que esses mesmos animais para poderem alimentar-se passaram a colaborar um com o outro, tornaram-se mais sociáveis, a frustração diminuiu ou desapareceu e os mais fortes passaram a tratar os mais fracos com mais respeito e carinho. Passaram a ter entre eles um convívio saudável.
    Talvez o nosso Exército poderá aprender com esses animais e passar a ser mais activo no seio da sociedade, justificando assim a sua razão de existência.
    Com tantos psicólogos desempregados nesta Terra há um vasto campo de trabalho.
    Portanto maos à obra.
    P.S. Para as Famílias enlutadas sentidos pêsames e que as vítimas deste hediondo crime repousem em paz.

  6. roxana aguilera

    Como podem ter chefes com Grau Militares sem ter formação em Academias Militares ??? As FA tem Bluff como na Saude /HBS??

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