Assad decidido a ganhar a guerra contra os rebeldes mas diz precisar de tempo

29/08/2012 08:56 - Modificado em 29/08/2012 08:56

 

O Presidente sírio, Bashar al-Assad, a braços com uma revolta há mais ano e meio que devasta o país, revelou-se inamovível na determinação de ganhar a guerra contra a rebelião, sustentando que o exército só precisa de “mais tempo” para vencer as forças rebeldes que querem derrubar o seu regime.

 

“Posso resumir [o conflito na Síria] numa frase: estamos a progredir, a situação no terreno está melhor, mas ainda não ganhámos, para isso precisamos de mais tempo”, sustentou o contestado Presidente, em excertos transmitidos na manhã desta quarta-feira de uma entrevista ao canal privado pró-regime Addounia, que será vista por inteiro hoje à noite.

 

Nesta entrevista, Assad qualificou como “irrealistas” as propostas, lançadas pela Turquia, de serem criadas “zonas-tampão” em território sírio sob supervisão internacional para acolher os refugiados em fuga dos combates – uma ideia que deverá estar no topo da agenda da reunião de amanhã do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Nova Iorque.

 

“Primeiro que tudo, discutir zonas-tampão não está sobre a mesa, e em segundo lugar essa é uma ideia irrealista e impraticável, até mesmo para os países que são hostis e inimigos da Síria”, sustentou Assad, o qual conta ainda, a seu favor, com a oposição que Rússia e China têm mantido no Conselho de Segurança a quaisquer medidas de condenação do regime de Damasco e propostas de intervenção militar internacional na Síria.

 

Apesar de o país estar devastado pela vaga de violência dos últimos 17 meses, que fez mais de 25 mil mortos e forçou a fuga de centenas de milhares de pessoas, na esmagadora maioria para a Turquia, Jordânia e Líbano – além de ter destruído importantes infra-estruturas –, o Presidente sírio continua sem dar nenhuns sinais de aceitar afastar-se do poder e ceder o lugar a um governo de transição para pôr fim ao conflito, apesar dos muitos apelos que lhe são feitos nesse sentido, vindos de outros países e até mesmo de dentro do seu regime.

 

Para Assad, as já numerosas deserções que têm vindo a ocorrer em Damasco, incluindo de diplomatas e de generais de topo e até mesmo a do vice-primeiro-ministro Riad Hijab, constituem uma “limpeza” das pessoas “às quais falta patriotismo”. “As pessoas patrióticas e as pessoas de bem não fogem, não abandonam a sua pátria. Mas, no fundo, essas operações [de deserção] são positivas, são auto-limpezas do Estado e da nação”, sustentou.

 

O Addounia não precisou quando foi feita esta entrevista a Assad, o qual raramente tem tido intervenções públicas desde o início da revolta – que eclodiu com manifestações pacíficas em Março de 2011, exigindo reformas democráticas e o fim da corrupção, e depressa se transformou numa rebelião armada face à repressão brutal que o regime fez sobre os protestos, enviando tropas e tanques para dentro das cidades e bombardeando indiscriminadamente as suas populações para esmagar as bolsas de rebeldes.

 

Respondendo aos rumores de que teria abandonado a capital depois de um ataque à bomba na cidade, em Julho, o Presidente sírio limitou-se a afirmar que estava a dar esta entrevista numa sala do palácio presidencial em Damasco.

 

 

 

 

 

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  1. Djê Guebara

    Acaba com essos delincuentes pagados por os ocidentales,não aceita chantagem.

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