Presidenciais: José Maria Neves olha para o abismo

1/04/2016 08:32 - Modificado em 1/04/2016 08:32

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De repente, ninguém quer falar das eleições presidenciais. E é estranho que no ano em que se realizam essas eleições, ainda não existam candidatos. Basta recordar que há cinco anos atrás, o PAICV teve de escolher entre três candidatos, David Hoppfer Almada, Manuel Inocêncio e Aristides Lima. E hoje, paira o tabu criado por JMN se é ou não candidato o que, de acordo com determinados sectores do PAICV, condiciona o aparecimento de outras candidaturas. Não que exista grande vontade dos potenciais candidatos, tendo em conta que Jorge Carlos Fonseca será o candidato apoiado pelo MpD e sabe-se qual a dificuldade em impedir um segundo mandato. E as sondagens que tanto o MpD quanto o PAICV encomendaram, mostram que isso é verdade. E JMN sabe dessa vantagem de Jorge Carlos Fonseca, sabe que não é uma vantagem fácil de ser superada e de evitar uma derrota constrangedora, sabe que a popularidade de JCF aumentou muito com o veto ao Estatuto dos Titulares de Cargos Públicos. O que não sabe ainda são os efeitos da derrota do PAICV na sua possível candidatura à Presidência da República, uma vez que o que foi julgado foram as suas políticas e o desempenho enquanto Primeiro-ministro: a derrota de 20 de Março é muito grande para ser só de Janira. Mas, alguém do PAICV vai ter de avançar.

Um ex-dirigente do PAICV defende que “devemos apoiar um candidato credível e forte pois, mesmo que perca, será o candidato daqui a cinco anos quando o MpD terá de apoiar um novo candidato visto que JCF não poderá ser candidato”. Assim, defende que “não faz sentido apresentar um candidato só para perder e daqui a cinco anos aparecerem três ou quatro a disputar o lugar porque é mais fácil ganhar”. Resta saber se há alguém disposto a aceitar esse desafio e o consenso à volta dessa estratégia. Mas a convicção da nossa fonte e da maioria do sistema PAICV é que “se existe alguém capaz de impossíveis na política cabo-verdiana, esse alguém é JMN. Se existe alguém que pode derrotar JCF, esse alguém é JMN”. Deve ser sobre isso que o ex-presidente do PAICV está a pensar e talvez por isso diga que “ainda sou Primeiro-ministro de Cabo Verde e há um Presidente da República em funções e não gostaria de falar dessa questão das presidenciais. Ainda há muito tempo para se falar das presidências e de outras eleições porque, como devem ter constatado, ainda estamos em campanha eleitoral”. Quando JMN se decidir, ficar-se-á a saber se é ele “o homem dos impossíveis”. Se o seu ego é tão grande que lhe vai levar a trilhar o caminho de Carlos Veiga. Também considerado um prodígio da política cabo-verdiana, o homem dos milagres, das maiorias qualificadas. Duas derrotas frente a Pedro Pires acabaram com o mito e mostraram que  “quando se olha para o abismo, ele também olha para nós”.

Veiga estava a olhar para o abismo  depois da derrota do MpD em 2001, não se apercebeu que o abismo também lhe olhava. Mas Veiga já não podia voltar atrás. Já tinha anunciado a sua candidatura e depois ele tinha a certeza que era maior que o MpD. Não era. Quando JMN se decidir, ficar-se-á a saber se estava a olhar para o abismo para seguir a trilha de Veiga ou se estava a tratar da papelada para ir fazer o doutoramento, como disse que faria quando conseguiu o impossível de conseguir três maiorias absolutas consecutivas.

Eduino Santos

  1. CidadaoCV

    Pois é … Outra vez as presidenciais. Como o tempo voa! E ainda o profundo sulco causado no PAICV pelas presidenciais anteriores,(foram três rachas) não foi “coberto”. É prova disto, as eleições internas que conduziram a JHA a presidente, patentes agora nestas legislativas, e que reflectirão nas próximas autárquicas. O culminar será as presidenciais, quando o circulo se fechar. “Começou” com as presidenciais e “acaba” com as presidenciais. E não há imbatíveis, ninguém é maior que o partido.

  2. Manuel Fernandes

    EU acho que devia levar a sério este artigo. Principalmente o JMN que tem a mania que é maior que o PAICV .

  3. De " Oleo"

    Ka tem hesitada… Pel depatxa pel da cara el ba tma se derrota ma JCF.. Pois ele é culpode de tudo isso! Foi ele é k ranja problema de presidenciais, foi ele é ka kris JHA como presidente e tude kes carnirinha d´seu ba traz dele… Foi se governo é k da costa à PAICV ness campanha, fazendo de tudo pa PAICV perder… Foi se ministra Leonesa Fortes é k da indicason de voto na véspera de eleison.,,,,, Portanto Katem Hesitada, pel da cara pel ba tmal também… Kem k dode k ka ba da cara pa el pa ba pa ba kema moda el faze k Inocencio! E depos PAICV na oposição katem poder pa oferece ninguém nada pa ba kema na presidenciais…. Por isso é k tem da cara pel ba Kema! Mi é primer k ta vota contra el!!!!

  4. Bento Santos

    Oh caro Eduino Santos , não é estatuto dos titulares de cargos públicos mas sim ESTATUTO DOS TITULARES DE CARGOS POLÍTICOS!!!!

  5. Maria Fortes

    Não é preciso ser analista político pois qualquer pessoa com um mínimo de inteligência e curiosidade política, pode concluir que JMN, graças a Janira ficou totalmente destruído como possível candidato à presidência da República. Aliás para ele uma missão impossível competir com um dinossauro político com a estatura de Carlos Fonseca que decerto não deixara de se recandidatar quanto mais neste momento propício para tal.
    Também para as autárquicas, principalmente as pessoas indecisas, não gostam de votar nos vencidos e como é lógico neste caso tal tentativa e com o gosto amargo e fresco da derrota, concorrer é apenas uma questão de formalidade e demonstração de fidelidade para com os seus eleitores.
    Por agora resta apenas suportar esta travessia no deserto que faz parte da alternância numa verdadeira democracia.

  6. Silva

    Ilustre José Maria Neves, a Universidade sair-lhe-ia muito, mas muito bem nesta importante fase da sua vida. Mostre aos teus Camaradas que o país político pode viver sem ti, ainda que por uns tempos. Foste idolatrado por tantos, que queriam ver em ti um Eterno Primeiro-Ministro. Inteligentemente dissestes “Basta! Já dei o que tinha para dar como Primeiro-Ministro! Afinal não há mais cabo-verdianas e cabo-verdianos capazes de governar o meu país?” Agora estão a pressionar-te para Presidente da República. Siga em frente com o teu projeto, não ceda à pressões, desmarca-te das presidenciais de 2016, guarde a oportunidade para a melhor altura. Siga com o teu doutoramento, e sejas um bom académico, tal como foram (ou ainda são) o Manuel Veiga, o Gualberto do Rosário ou o Carlos Veiga, …

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