Um santoantoniense que saiu de Chã de Pedras para se aventurar na Cidade Velha

29/03/2016 07:47 - Modificado em 29/03/2016 07:47

familiaManuel Anastácio Pires, 53 anos, é natural de Chã de Pedras, ilha de Santo Antão, mas quem não o conhece julga ser um filho da ilha de Santiago. Há 22 anos que “Lela de Santo Antão” como é conhecido, resolveu aventurar-se na Cidade Velha, Ribeira Grande de Santiago, situada a 15 quilómetros da cidade da Praia. Com um contrato de trabalho de guarda de galinhas, Manuel decidiu partir juntamente com a mulher e os filhos para a ilha de Santiago à procura de uma vida melhor. Apaixonado pela agricultura e criação de animais, hoje Lela diz sentir-se realizado na sua segunda casa, ilha de Santiago, onde pretende viver o resto da sua vida.

Lela é natural de Chã de Pedras, ilha das Montanhas, Santo Antão, tem 53 anos e é pai de cinco filhos. Foi aventurar-se na Cidade Velha, Santiago, após uma proposta de trabalho. Depois de vários meses a pensar na “bendita” proposta, decidiu que era esse o seu destino. A 19 de Novembro de 1994 Manuel, “Lela”, arriscou e embarcou juntamente com a mulher e os seus quatro filhos para a ilha de Santiago para trabalhar como guarda de galinhas na pousada de São Pedro.

Há 22 anos que o destino obrigou Manuel Anastácio Pires e família a trocar a ilha de Santo Antão pela ilha capital do País, onde diz sentir-se feliz e realizado na Cidade Velha, Ribeira Grande de Santiago, situada a 15 quilómetros da cidade da Praia.

Contudo, o trabalho de guarda de galinhas não deu certo e foi trabalhar para a Câmara Municipal que, por sua vez, não conseguiu fixar. O mesmo conta que depois de muita labuta juntamente com a esposa conseguiram construir a casa onde vivem com os seus cinco filhos.

Actualmente, Lela e Maria Auxilia Lopes trabalham com os espanhóis no Convento de São Francisco. Apaixonado pela água e pelo verde da Cidade Velha, Lela diz ter sido atraído pelo clima idêntico ao de Santo Antão. O pai e chefe de família diz dedicar-se à agricultura e à criação de porcos e de galinhas para reforçar o sustento da família.

Lela confessa que a sua integração não foi fácil, pois as pessoas humilhavam-no dizendo “que foi para a capital porque passava fome em Santo Antão”. Contudo, com o tempo, foi-se acostumando e as coisas mudaram e agora sente-se feliz e realizado na Cidade Velha. Ao NN, o entrevistado revela ter várias recordações da ilha natal, mas pretende viver o resto da sua vida com a sua família na Cidade Velha.

Para Lela, a Cidade Velha tem todas as condições para se viver, desde o saneamento, à saúde e à educação. Apesar disso, critica o facto de não poder realizar obras na sua residência pois trata-se de um lugar histórico, por isso, é difícil obter licença da Câmara.

Após a sua partida para a ilha de Santiago, Lela recorda que esteve em Santo Antão por quatro vezes devido à morte de familiares, pais e irmãos. Depois de muitos anos, pouco ou nada se recorda da variante de Santo Antão.

Lela e a sua família não conseguem falar outra variante a não ser o crioulo de Santiago, pois consideram ser a segunda ilha. O filho mais velho de Lela chegou à Cidade Velha com apenas quatro anos e o mais novo veio nascer em Santiago e agora está com sete anos.

  1. Veronico Jorge

    Os Santantonenses são na sua grande maioria humildes e respeitadores , por isso conseguem enfrentar as dificuldades e por conseguinte ultrapassam todas as barreiras com naturalidade, serenidade, respeito e dedicação. Esta é uma realidade que feliz ou “infelizmente” algumas pessoas não querem aceitar mas, a verdade não e nunca se pode ser escondida, este caso de Manuel Anastácio Pires é apenas um de varios dos nossos conterrâneos que muitas vezes são descriminados. Força ai Lela, CHÃ DE PEDRAS ESTÃO CONSIGO!!!

  2. Nascimento Manuel

    boa sorte primo

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