Redes sociais: “São Vicente passou a factura ao PAICV pelo abandono”

22/03/2016 08:28 - Modificado em 22/03/2016 08:28

redes-sociaisNas redes sociais, muitos internautas aproveitaram para exercer a liberdade de expressão sobre os resultados das eleições legislativas de 2016, em que o Movimento para a Democracia venceu com maioria absoluta de 53,7%. Para além dos que felicitam o País pela mudança, existem os que destacam as ilhas de São Vicente e Fogo que demonstraram descontentamento para com o Partido Africano de Independência de Cabo Verde que estava no governo desde 2001.

São Vicente sempre foi especial e, mais uma vez, deu o primeiro sinal que se poderá ter nas próximas legislativas um Parlamento pluripartidário e que se acabará o mais rapidamente possível com o bipartidarismo! Viva Mindelo e agora esperemos pelas mudanças prometidas e ansiosos pela regionalização! Viva SV e Viva Cabo Verde!-  escreve Nuno no Facebook

“São Vicente e Fogo! As duas ilhas que fizeram história na Democracia Cabo-verdiana! As ilhas que apresentaram os resultados, o descontentamento geral de Cabo Verde. Estou impressionada com a atitude dos mindelenses que, mais uma vez, marcaram a diferença”, diz Indira no seu perfil do facebook. Assim como esta internauta, muitos acreditam que a ilha do Vulcão e do Porto Grande deram uma grande lição de democracia com os resultados eleitorais, uma vez que nas legislativas de 2011, em São Vicente, o PAICV venceu com 14.835 votos e em 2016 arrecadou apenas 8.431, de um universo de 34.235 votantes, tornando-se, a partir de agora, na terceira força política da ilha, já que foi ultrapassada pela UCID, agora na segunda posição. UCID que em 2011 somou 6.297 votos e nas legislativas de 2016 conquistou 9.808 e o MpD, o vencedor das eleições, obteve 15.303 votos, mais 3.762 do que em 2011. Neste sentido, a ilha de São Vicente está em destaque com os resultados de mudança nas legislativas de 2016 e nas redes sociais este facto não passou despercebido e há quem considere a ilha de São Vicente especial, uma vez que “deu o primeiro sinal que se poderá ter nas próximas legislativas um Parlamento pluripartidário e que se acabará o mais rapidamente possível com o bipartidarismo! Viva Mindelo e agora esperemos pelas mudanças prometidas e ansiosos pela regionalização! Viva SV e Viva Cabo Verde!”.

Todavia, a transformação do PAICV na terceira força política no Mindelo, demonstra que o eleitorado de São Vicente sabe ser soberano e que cobra as promessas dos partidos políticos, refere Luís e alguns já relembram “agora que a mudança está feita, quero ver se vão cumprir as promessas que foram feitas na campanha”, diz Lucthinha que aguarda expectante o compromisso com o povo mindelense e não só, com todos os cabo-verdianos e, principalmente, com as ilhas que foram esquecidas durante a governação do PAICV. Para além da mudança em São Vicente, também se regista que “os cabo-verdianos decidiram mudar o rumo do País. Parabéns aos vencedores e aos derrotados que tirem ilações da derrota”, afirma Soares. O mesmo acrescenta que o “povo demonstrou à República de Santiago e ilhas periféricas” que o que o governo fez foi um enorme tiro nos pés e pagou cara a factura. Aqui em São Vicente, o facto do PAICV ter ficado em 3º lugar, foi a demonstração clara que o esmagamento de São Vicente e das suas gentes revoltou a ilha e fez o povo mostrar um cartão vermelho claro ao governo”.

Ainda existem os incrédulos como Mário que defende que “mais uma vez, São Vicente deve esperar sentado, visto que sabemos que a mudança é nas cadeiras, e as políticas discriminatórias em relação às outras ilhas irão manter-se. A República de Santiago e arredores é para se manter por muitos anos”. Porém, há quem reconheça o trabalho do PAICV e Danita adianta que a vitória do MpD seja para o bem do País, porque “afinal, é isso que queremos. Esta vitória do MpD ficará marcada. Mas tudo o que o PAICV fez durante 15 anos para o nosso País ninguém poderá esquecer, acho eu. Espero que o nosso novo governo continue com essa mesma fúria”.

  1. Um bom Governo num país Arquipelágico como nós, é aquele que descentraliza mais poderes para todos os Municipios e que nenhuma ilha ficar prejudicada, e hoje temos um cenário diferente em todas as ilhas: falta de emprego, segurança. etc,etc

  2. Melanie Évora

    Agora esperamos que o novo Governo devolva imediatamente às ilhas de CV a competência para emitir os seus Passaportes e Bilhetes de Identidade. Força UCS, temos esperanças em si e na sua equipa. Logo no 1º mês da sua governação devolva essa competência às ilhas, pois trata-se de algo tão simples, mas José Maria Neves e a sua equipa teve a “brilhante e iluminada” ideia de centralizar a emissão dos passaportes. Já viram o transtorno mental e material que isso causa aos restantes caboverdianos, quer residentes quer não residentes em CV? PAICV de facto andou a dar tiros nos seus próprios pés e fê-lo com toda a pompa e arrogância! Mas o resultado encontra-se à vista, a bem de todos os caboverdianos. Viva a MUDANÇA.

  3. Carlos Soulé

    Era imperioso a mudança governativa em CV.

    Sempre o defendi em prol da maturidade democrática, atitude que nos diferencia de muitos outros povos vizinhos.
    Em minha opinião, uma ala do PAICV entendeu essa situação e facilitou (permitiu) que a nova liderança do partido fosse jovem e não preparada para assumir os destinos e desafios de CV. Erros na campanha foram muitos!
    Todavia, outra ala menos atenta, não entendeu a situação e tentou perpetuar o partido no Governo o que se tratou de um erro grave. Se o PAICV ganhasse, seria mais um exemplo negativo, às politicas Africanas pois, anos seguidos de governação dificilmente se traduzem em resultados positivos para um país.

    Venceu a Democracia, venceu CV. Estamos todos de parabéns.

    Agora é altura de, juntos, unirmo-nos em prol do nosso querido país.

    A cor partidária não interessa. MpD vai errar, vai aprender, vai cair, vai levantar, mas CV vai crescer e desenvolver seguramente. Esta ala do PAI vai aprender a fazer oposição, vai aprender a mensagem do povo e vai fortalecer-se como partido, agora mais jovem.

    Estamos juntos!

    Cau Soulé

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