Posicionamento de voto – Esclarecimento II anos 90

14/03/2016 08:17 - Modificado em 14/03/2016 08:18
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12834514_980965528619645_915882302_nTem sido recorrente e assente a utilização dos anos 90, por quem não tem visão de futuro, como argumento importante para decisão de voto no dia 20 de Março de 2016… Eu nem queria comentar porque acho que é no mínimo ridículo, 16 anos depois utilizar este argumento, porém, creio ser necessário… Da forma como tem sido utilizado dá impressão que Cabo Verde como país independente começou nos anos 90 e que tudo foi caótico… Todos sabemos que não foi bem assim. Facto é que o país, como nação soberana, começou em 1975, com uma governação de partido único, cujos feitos, bem e mal foram julgados em 1991, da mesma forma, penso eu, os anos 90, foram, e bem, julgados pelo povo cabo-verdiano em 2001 aceitando-se que até 2006, fosse ainda utilizado esse argumento devido ao projecto em curso… mas hoje? 16 anos depois? Com todos os meios e condições para corrigir o que eventualmente correu menos bem? Pelo amor de Deus, é ridículo a continua utilização deste “cliché”… Se as pessoas não mudassem, se as organizações não evoluíssem, se o povo se mantivesse o mesmo, se as dinâmicas sociais e de visão futurista não existissem, certamente o PAICV não venceria em 2001, 2006 e 2011… Com isto quero dizer que todos merecem uma segunda oportunidade, todos cometeram erros e mostraram melhorias, todos acertaram e falharam na sua governação… Eu, para o bem e para o mal, utilizo os anos 90, assim como 1975 à 1991, como referencias e nunca como factores de decisão em 2016. Triste ver jovens que eram crianças e adolescentes nessa altura e não estavam virados para a política, falarem dos anos 90 como se fosse algo que lhes ferisse pessoalmente… Está em causa sim a governação 2011 à 2016, culminar de 15 anos do PAICV… AMOR A SÃO VICENTE Todo o sanvicentino que se preze, e creio que muitos ligados a governação, têm noção do ostracismo que São Vicente foi colocado pela governação dos últimos 15 anos. É verdade, perdemos pujança económica, perdemos alguma auto-estima, perdemos valor na nossa região e no país, perdemos os nossos valores, perdemos gente capacitada, perdemos muito do nosso orgulho… Os centralizadores da capital fazem e desfazem da ilha, utilizam como querem os “carneirinhos partidários” e afogam as pseudo-lideranças da ilha, ligadas ao poder, com benesses pessoais e de ego… Assim têm calado muitos, porém, na situação em que se encontra a ilha , a manter-se o que se vê, a revolução surgirá naturalmente… já tem sido recorrente ouvir sanvicentinos dizer ” se não aceitamos ser colonizados por portugueses, muito menos aceitaremos colonização de uma ilha…” Ouvir dizer que é agora que se vai virar, 16 anos depois, pelos mesmos actores que estiveram e estão na linha da frente do combate político soa a falso e demagogo… felizmente os Sanvicentinos não são parvos nem palhaços, sabem analisar e decidir… estou convicto que os sanvicentinos demonstrarão o que querem… e se não se resolver, pelo menos a valorização da ilha e seus activos, não espantem com situações de tensão que poderão originar qualquer coisa que se vá assemelhar a uma revolução. JULGAMENTO DOS ÚLTIMOS 5 ANOS DE GOVERNAÇÃO Se o MPD saiu do governo por situações incorrectas que aconteceram no final da década de 90 e foram bem julgados pelo povo, dizer que o PAICV também merece ser destituído pelas mesmas razões, sobretudo consequência dos últimos 5 anos de governação, é mera constatação de factos: basta ver tensões nas classes profissionais, basta ver greves, basta ver corrupção e jogadas de interesse existentes em vários sectores do aparelho publico, basta ver situações de má gestão de instituições e empresas públicas, infelizmente com a TACV a cabeça… Atenção: o que se pretende é o mero perpetuar de um grupo de interesses que se acha dono do país quando na verdade o país sempre foi dos cabo-verdianos que fizeram deste pequeno país a grande nação que somos… os discursos paternalistas, agora materialistas, não convencem, pelo menos os atentos e pensantes, mas sinto triste por muitos que já se resignaram a não pensar, estão cegos e “sem djobi pa lado”, com sérios riscos de eclipsarem… ou terem um grave acidente… Espero sim que todos nós, sem excepção, possamos olhar para a frente, ver o futuro, e fazer bem, a bem do nosso país em vez de interesses partidários. Com a eleição de 20 de Março os problemas não se resolverão na totalidade de uma assentada, mas a esperança de resolução aumenta conforme o nosso voto, por isso vote consciente, vote pensante, vote no bem do país. O país é de todos, os interesses, problemas, soluções, projectos e tudo o que nela ocorre são também de todos os cabo-verdianos, sem excepção, por isso sejamos todos Cabo Verde. Eu não sou partidos, eu não sou candidatos, eu sou Cabo Verde, eu sou São Vicente e é por isso que votarei consciente no dia 20 de Março.

Como admirador de Cabral…

Almada e Silva

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