PAICV e MpD pedem maioria absoluta, UCID pede o fim delas

7/03/2016 08:18 - Modificado em 7/03/2016 08:18

votoO início  da campanha eleitoral aparentou um facto que tem passado despercebido: o MpD e o PAICV a pedirem uma maioria absoluta. Isto porque ninguém perguntou ainda aos líderes desses partidos porque estão a pedir uma maioria absoluta se o sistema, desde 1991, produziu uma maior qualificada e quatro absolutas? Têm  dados, sondagens, algo que lhes indique que o sistema não vai produzir mais uma maioria absoluta? Se não têm, então é normal aceitarem que, como no passado, o eleitorado acabará por dar uma maioria absoluta ao PAICV ou ao MpD.

Mas tanto Janira como Ulisses nas acções de campanha estão a pedir a maioria absoluta que o eleitorado nunca lhes negou.

Janira Hopffer Almada, que deu o pontapé de saída da campanha com uma marcha da “onda amarela” assumiu estar a trabalhar para a maioria absoluta e pediu o empenhamento de todos os militantes e amigos do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) para conseguir esse objectivo.

Também o Presidente do Movimento para a Democracia (MpD), Ulisses Correia e Silva, quer maioria absoluta para “formar Governo com tranquilidade”.

O pedido foi feito logo no primeiro comício do partido, na sexta-feira, no bairro Achada de Santo António.

O partido, que adoptou como cor de campanha o vermelho, quer contrapor à “onda amarela” do PAICV uma “onda de mudança” e mostra-se convencido de que a vitória é garantida.

No meio dos dois, surge o líder da UCID que mantém o discurso antigo no sentido de acabar com a bipolarização do sistema político. E Monteiro está desconfiado mas sorridente com o foco da campanha na questão da maioria absoluta, pois sabe que o único partido que pode acabar com a maioria é, precisamente a UCID como fez em São Vicente há cerca de doze anos. Contas são contas: sem nem o PAICV, nem o MpD atingirem a maioria absoluta, é porque a UCID cresceu a nível nacional.

Monteiro sabe disso e quando vê o PAICV a elegê-lo como seu adversário político, bate palmas com os pés toda a vez que é atacado e diz que agora já não quer apenas acabar com a maioria absoluta, quer ser Primeiro-ministro.
No debate, Janira  questionou a sua preparação para liderar um governo por não dominar o português. Monteiro respondeu no comício de Campim: “Aqui não é terra de Camões, a nossa língua é o crioulo e se ela quer que todos falemos o português de Camões então agora é que são elas”.

A resposta do PAICV à UCID chegou pela boca do cabeça de lista por São Vicente, Manuel Inocêncio Sousa, para quem a UCID mais não é que um “pequeno partido” limitado à ilha de São Vicente, que quer uma “boleia para chegar ao Governo” e para abrir caminho à instabilidade governativa. Fica a pergunta: a UCID já é um partido da área do poder? A UCID pode chegar ao governo mesmo de boleia?

  1. VIRULENTO

    UCID mesmo com boleia não consegue ir ao poder porque não tem alguem com estofo. Na campanha a malta tem que divirtir-se com candidatos fantoches e mal preparados, irronizou Inocêncio no comicio

  2. DEFENDO IGUALDADE

    MAIORIA ABSOLUTA!!! NEM PENSAR. Estabilidade para o próximo governo governar mas também é o “INFERNO” para o Povo. Se os Caboverdianos querem que os impostos continuem a subir; se querem aumento dos preços dos serviços prestados no cartório, nos registos, na alfândega, nos hospitais; se querem aumento do IVA, se querem que o novo estatuto de cargos políticos volte de novo ao Parlamento; se querem que o emprego e os cargos de chefia sejam reservados apenas para os militantes, camaradas e amigos de Partidos, votem para uma maioria absoluta mas depois não digam que é tarde demais.

  3. Jonas

    Eu pelo menos vou ser um dos que pela primeira vez vai votar na UCID. Se muitos, nas diversas ilhas pensarem que a divisão de poder para mais um partido significa maior representatividade do povo, podem sem medo votar na UCID. Nos gabamos de muita coisa, por isso temos a oportunidade de fazer história em Cabo Verde repartindo o poder entre os três partidos. Não há nada de ingovernabilidade nisso, apenas terão que se entender e a pensarem mais no povo.

  4. Dindim

    Maioria absoluta? Deus defende.
    Já temos experiência suficiente para entendermos que maioria absoluta é a pior doença que um País pode ter.
    Maioria absoluta não tem respeito para o povo. Esses quinze anos de governação do PAIGC/CV diz tudo.

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