António Monteiro: o engenheiro mecânico que se tornou político por ‘gosto de corpo’ e vocação

3/03/2016 10:33 - Modificado em 3/03/2016 10:33
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Antonio-MonteiroA história recente da UCID confunde-se com o seu Presidente António Monteiro. Não se sabe onde começa a UCID e onde termina o Monteiro e vice-versa. Alguns críticos dizem que a UCID não existe, o que existe é o António Monteiro. Isto, porque ele é a cara da UCID para tudo: legislativas e autárquicas. Não se sabe se isso é uma crítica negativa ou um elogio. Mas há algo que ninguém pode tirar a Monteiro: o crescimento da UCID e a sua transformação num partido sério e determinado. Basta lembrar que nas eleições autárquicas de 1995 a UCID teve 345 votos em São Vicente. Hoje, é o partido charneira em São Vicente e disputa o lugar da segunda força política na ilha. Monteiro mudou o discurso nesta campanha, o objectivo já não é acabar com a maioria absoluta do MpD ou do PAICV mas ganhar as eleições.

Em 2006, o jornalista Eduíno Santos escreveu: “Um dia a UCID ganhará as eleições legislativas em Cabo Verde. Mas hoje não é a véspera desse dia”. Será que o dia 20 Março é a véspera desse dia? Monteiro acredita que sim, mas falta cumprir outra profecia visto que Monteiro profetizou que “a UCID só será governo no dia em que houver uma revolução em Cabo Verde”. Mas o líder acredita que sim e anda pelo País a mostrar que a sua UCID não é um partido só de São Vicente, mas de Cabo Verde. Uma tarefa hercúlea que o engenheiro mecânico que virou político por gosto de corpo e vocação não vira a cara e consegue convencer que vai conseguir o objectivo.

Monteiro é o típico ‘mussin de Soncent’, pese ter nascido em São Tomé há 55 anos. Ainda criança, em 1975, partiu juntamente com os pais para a ilha de São Vicente onde veio a concluir os estudos na Escola Técnica do Mindelo.
Mais tarde, em 1991, veio a licenciar-se em engenharia electromecânica em Odessa, ex-URSS e, no ano seguinte, iniciava a sua carreira política. Após o seu regresso a Cabo Verde em 1991, entrou para a UCID, partido fundado a 13 de Maio de 1978 na Holanda como fruto da discordância da unidade entre a Guiné e Cabo Verde.

Nasceu a partir do chamado grupo dos descontentes, que embora fossem militantes do PAIGC, não estavam de acordo com esta ideia de unificação política entre os dois Estados. O próprio nome do partido, União Cabo-verdiana Independente e Democrática espelha esse desagrado.

Em 1997 foi eleito Presidente do partido, reeleito em 2005 e no XV Congresso realizado em Julho de 2009, na ilha de São Vicente. É deputado na Assembleia Nacional, eleito em 2006 pelo círculo eleitoral de Nossa Senhora da Luz, São Vicente.

Nas últimas eleições legislativas o partido que dirige obteve quatro mil e 495 votos, correspondes a 2,65 por cento dos votantes e elegeu, pela primeira vez, dois deputados.

Para as legislativas de 2016, o líder do partido quer vencer as eleições que já se avizinham e “contribuir para que o País cresça de forma acelerada e cada vez mais, capaz de ajudar os cidadãos a terem uma vida condigna”.

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