São Vicente: uso do smartphone altera o relacionamento interpessoal

24/02/2016 08:01 - Modificado em 24/02/2016 08:01

smartphoneExaltam-se tanto os benefícios que as novas tecnologias trouxeram para a sociedade actual, que nem passou pela cabeça de muitos as limitações e algumas perdas que aconteceram ao longo do tempo.

Numa ronda pela cidade, não precisando ir muito longe, o NN fez uma visita a algumas escolas secundárias e universidades da ilha do Monte Cara e constatou um facto que alguns já perceberam, mas que muitos ainda não querem admitir.

Por exemplo, já pararam para observar como é que os grupos de amigos ficam à frente das escolas e também nas “pontas” dos bairros? Como é que está a ficar o encontro entre amigos? Como é que as festas estão a ficar?

O telemóvel (smartphone) já faz parte da vida das pessoas que podem ter acesso a informações instantâneas, falar com pessoas de todos os lugares, trocando fotos, vídeos, etc. Segundo alguns jovens, ficar sem telemóvel é como ficar sem alguma parte do corpo.

As pessoas parecem não se dar conta, mas os telemóveis limitam em muito o relacionamento interpessoal. Durante um encontro entre amigos, estes ficam o tempo todo “metendo” a cara dentro do próprio smartphone, iphone ou tablet, estão totalmente conectados e imersos no próprio mundo virtual, ignorando o que se passa ao seu redor. Muitas vezes, as pessoas estão uma ao lado da outra, mas utilizam essa tecnologia para se comunicarem através do WhatsApp, messenger, Instagram ou Skype.

Com isso, surgem pensamentos diversos, o jovem passa a ficar mais tempo em casa do que na rua mas isso aproxima-o de outros jovens? Isso faz com que o convívio com os outros estudantes seja alterado?

Durante a visita por algumas destas instituições de ensino e de encontros entre amigos, pudemos observar que a tendência é que a conversa de futebol, amigos, sexo, convivência, “lembra-tempo”, experiências, fica limitada a um novo mundo virtual. Para conversar com os amigos, mesmo com os que estão na porta do lado, preferimos falar via máquina.

Os relacionamentos são agora mais complexos devido à enorme rede de pessoas com quem estamos em “quase” permanente contacto. O conceito de comunidade muda: de um bairro ou de uma cidade, alargamos o horizonte do local para o global. A tecnologia promove a criação de uma espécie de interdependência social.

Paulo, estudante da Escola Secundária Jorge Barbosa, aluno do 11º ano conta que não possui smartphone como a maioria dos seus amigos, por isso, quando saem em grupo, às vezes sente-se deslocado porque estes passam quase todo o tempo com a cara dentro do telemóvel a conversarem entre eles, ou com outras pessoas e a convivência não é a mesma se todos estivessem a ter uma discussão normal entre amigos, com direito a gozo e a risadas.

Por isso, muitas vezes sugere aos amigos para largarem os telemóveis. E, muitas vezes, o esforço é reconhecido pelos amigos que seguem a sugestão do compatriota e deixam um pouco de lado os “brinquedinhos electrónicos”.

“Um deles, por exemplo, piorou muito porque não dava atenção às pessoas, mas de tempos em tempos junta-se a nós”, reconhece.

A convivência entre amigos passa a ser assim um tanto “anti-social, se é que assim se pode dizer, pois cada um centra-se no seu objecto tecnológico, perdendo certas capacidades comunicativas ou, pelo menos, diminuindo-as, porque o hábito de conversar virtualmente é tão vulgar que a conversa dita “tradicional” já não é encarada de forma normal”, desabafa.

  1. Enquanto isso temos: falta de solidariedade, dinamismo, comportamento e pouco relacionamento entre familiares

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