Património cultural cabo-verdiano: São Vicente um caso a analisar

22/02/2016 07:52 - Modificado em 22/02/2016 18:59
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deluca monteiroINTRO

 

O património cultural cabo-verdiano é constituído por todos os bens materiais e imateriais, que, pelo seu valor próprio, devem ser considerados como de interesse relevante para a preservação da identidade e a valorização da cultura cabo-verdiana através do tempo (…)” – Lei sobre a preservação, a defesa e a valorização do património cultural cabo-verdiano – BO, nº 52, 29 de Dezembro de 1990, 8 pág.

“O património é considerado hoje em dia em Cabo Verde como um factor de primordial importância para a consolidação do processo de desenvolvimento, presentemente em curso, o que implica que devam ser criadas condições adequadas à gestão dos valores que o integram.

A valorização do património perfila-se como um forte contributo para a promoção das actividades turísticas, sendo esse outro dos objectivos que canalizam a atenção dos responsáveis pelo país.” – Henrique Coutinho Gouveia (Doutor em Antropologia – Museologia).

Mindelo é o resultado de duas grandes influências, a colonial portuguesa e britânica, denunciadas ao virar de cada esquina nos seus arruamentos e na arquitectura dos seus belos edifícios. Destacam-se o Palácio do Governador, o Liceu Gil Eanes, o Consulado Inglês, a Câmara Municipal, a réplica da Torre de Belém de Lisboa, o Fortim d’el-Rei – a construção mais antiga existente em Mindelo e com uma soberba vista panorâmica sobre a cidade e a baía, a Alfândega Velha – hoje Centro Cultural do Mindelo, único local instituído como guardião dos riquíssimos testemunhos da arte cabo-verdiana.

O abandono – no sentido lato do termo – de edifícios que fizeram parte de um São Vicente cultural e histórico, é um caso a analisar.

 

O CONSULADO INGLÊS – DE EDIFÍCIO HISTÓRICO A HOLOGRAMA

 

Não sei como se pode falar de conservação de Património histórico quando, se deixa literalmente marcos que ostentam a mais sublime identidade de um povo, ficar neste estado.

Continuando nesta velocidade de degradação e neste “estado de sítio” que se encontra o “CONSULADO INGLÊS DE MINDELO” nem passará a ruína, vai transformar-se num Holograma (todo mundo o vê mas na realidade ele já desapareceu há muito).

Depois, onde… sim onde, iremos buscar património para mostrar ao turista que visita Mindelo… principalmente se ousarmos dizer a um turista Inglês (que ainda bem por ora não tem como destino turístico principal esta cidade que lhe tem tanto para mostrar como parte integrante da sua história – DEPÓSITOS DE CARVÃO (que já se “esfumaram” na bruma do tempo), OS TELÉGRAFOS, O GOLFE E O CRICKET – FALHA GRAVE DE QUEM LABORA NA ÁREA DA PROMOÇÃO TURÍSTICA – ERRO CRASSO E SEM EXPLICAÇÃO)…

Sendo que o principal mercado emissor de turistas, no 2º Trimestre de 2015, era o Reino Unido com 24,2% do total das entradas e também permanecia no primeiro lugar com 34,3% do total dormidas no Sal e na Boavista – COMO É POSSÍVEL este turista não pisar solo Mindelense que tem uma maior ligação com a sua terra natal? Hein?

A maioria dos turistas provenientes do Reino Unido preferiu como destinos as ilhas da Boavista e Sal representando, respectivamente, 51,7% e 47,9% das dormidas e escolheram como local de acolhimento os hotéis, 99,8%.
Em números concretos foram 27.943 turistas Ingleses para Sal e Boavista e, vieram apenas 566 turistas Ingleses para São Vicente*.

Posto isto, entremos na questão: Que património para São Vicente?
Andamos REALMENTE a dormir na FORMA.

*Fonte: Inquérito Mensal à Movimentação de Hóspedes (INE) – 2º Trimestre 2015

Deluca Monteiro

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