Confrontos entre sunitas e alauitas no Líbano por causa da Síria

23/08/2012 01:08 - Modificado em 23/08/2012 01:08
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Pelo menos doze pessoas morreram e 70 outras ficaram feridas em violentos tumultos entre duas comunidades rivais muçulmanas na cidade de Trípoli, no norte do Líbano, que entraram em confronto devido à crise na Síria, envolvendo-se em brutais batalhas nas ruas já pela segunda noite consecutiva.

 

O primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, um sunita, apelou ao exército e forças de segurança para porem fim ao “absurdo combate” que abalou a cidade de quase 200 mil habitantes e segunda maior do país.

“Já muitas vezes alertámos para o risco de sermos arrastados para esta violência que se espalhou em volta do Líbano”, frisou Mikati em referência à crise síria que continua há ano e meio com dezenas de milhares de mortes, num cenário de guerra civil que opõe o regime do Presidente Bashar al-Assad (aluita) e uma oposição que é maioritariamente sunita.

Mitaki instou ainda os habitantes de Trípoli a “não permitirem que alguém os transforme em munição para a guerra de outros”.

Testemunhas na cidade reportam que homens armados oriundos do distrito sunita de Bab al-Tabbana e alauitas de Jabal Muhsin – bairros separados apenas por uma rua – estiveram envolvidos em combates durante toda noite, reportando o som de tiros de espingardas e explosões de granadas. Fontes médicas precisaram por seu lado às agências noticiosas que morreram dois homens que residiam no bairro alauita e cinco no sunita, incluindo um rapaz de 13 anos.

Lojas, edifícios residenciais e carros foram danificados nos combates em ambos os bairros e, segundo correspondente da agência noticiosa francesa AFP, os residentes terão já abandonado as casas na zona onde se registaram os combates. Esta manhã, a “linha da frente” da rua que separa os dois barros estava deserta, era ainda reportado.

“O exército continua em busca dos homens armados, tendo confiscado já várias espingardas, bombas e munições”, foi entretanto avançado em comunicado do exército libanês.

Trípoli é uma das mais voláteis cidades do Líbano, com profundas cisões inter sectárias, e onde uma pequena comunidade alauita vive no meio de uma imensa maioria de população sunita. A violência entre as duas comunidades não é nova, tão pouco recente, mas os habitantes da cidade asseguram que os confrontos das últimas duas noites foram especialmente intensos – estando a ser usado mesmo armamento pesado e numa área territorial muito maior do que foi registado no passado.

As duas facções acusam-se mutuamente de terem provocado os confrontos, tidos como dos mais graves desde a guerra civil no Líbano. Um dos combatentes sunitas, identificado pela AFP como Abou Mahmoud, de 45 anos, apontou prontamente responsabilidades pela violência “ao Partido árabe Democrático de Jabal Muhsin, que é afiliado ao regime sírio e faz aquilo que [Damasco] lhe diz para fazer”. Mas na colina em frente, onde se situa o bairro alauita, Ali Fidda diz que a sua facção “não tenta impor ideias a ninguém”: “Mas estamos prontos a defendermo-nos se a tal nos virmos forçados”.

 

 

 

 

 

publico.pt

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