Explicações oportunas, relacionadas com o barco Vicente

18/02/2016 08:34 - Modificado em 18/02/2016 08:34

 Explicações oportunas, relacionadas com o barco Vicente, em resposta ao artigo escrito pelo Sr. João de Deus Oliveira da Cruz, aparecido no Jornal A semana no 4 de Dezembro de 2015.

Por: Lic. Noel Antunez Céspedes.

        Especialista Marítimo e Professor da Universidade Lusófona.

Sr. João,

Primeiro, permita-me dizer-lhe que é uma falta de ética cívica e profissional (se é que você sabe de que estou a falhar) questionar e falar de pessoas que não podem exercer o seu direito de resposta, como é o caso dos tripulantes cubanos que morreram sem desejar-lho no navio Vicente, há quase um ano.

Permita-me dizer-lhe, aliás, que no sistema educacional cubano, onde mais de 80 mil pessoas da sociedade civil e militar do continente africano já estudaram e formaram-se (a maioria grátis, desde o ensino básico até terminar a universidade e muitos fizeram especialidades e pós-graduações, incluindo gente de Cabo Verde, onde você pertence), não há lugar, por suas características, para a compra e venda de títulos profissionais, muito menos na área marítima. Saiba que o sistema de educação cubano é reconhecido pelas principais instituições mundiais como a ONU, UNICEF, UNTACD e, naturalmente, a OMI e ITF, como um sistema de educação de primeiro nível.

Como a verdade não é órfã, estou aqui como cubano e profissional na área marítima com mais de 25 ano de trabalho neste sector, que tenho me relacionando com companhias marítimas importantes e de primeiro nível de Europa, América e África, que já dirigi companhias marítimas aqui em Cabo Verde, e que graduei-me no meu país uma vez que cumpri os requisitos que também tinham cumprido os tripulantes falecidos.

Não quero analisar com você as funções da AMP e as corrupções das que você acusa a essa instituição; primeiro porque não me corresponde e, segundo, porque não está no meu dever analisar essas situações neste marco; alem disso, sempre falo o que posso demonstrar. Aliás, eu tive a valentia de dizer em voz alta, onde corresponde, que Cabo Verde carece duma política marítima tanto portuária quanto de navegação. Também é verdade a falta de profissionais no sector, como também é verdade que está na moda pedir nos concursos de emprego do sector doutores e mestres e, por demais, cabo-verdianos; não acredito num bom futuro para o sector marítimo de Cabo Verde.

Permita-me dizer-lhe que tenho conhecimento que a instituição que você acusa de corrupta, antes de autorizar o contrato de trabalho dum tripulante cubano, primeiro investiga a veracidade da documentação de cada um com as instituições cubanas correspondentes.

Quero comentar a você sobre acidentes que têm acontecido nos mares de Cabo Verde nos últimos anos com tripulações cabo-verdianas, sendo o capitão cabo-verdiano.

  1. João, dois navios com capitães cabo-verdianos chocaram no mar, incrível no século 21, como dois carros numa estrada, e não houve repercussão. Porquê?
  2. João, vários navios afundaram-se, incluindo o Holanda, cada um com capitão cabo-verdiano, e até hoje ninguém fala desses acidentes; não houve repercussão. Porquê?
  3. , João, num navio de carga e passageiros, o capitão perdeu o controlo do navio e bateu outros de pesca no cais da Praia ocasionando danos, incluso a perda de navios e, por demais, o sustento familiar de muitas pessoas, sendo o capitão cabo-verdiano. Não houve repercussão. Porquê?
  4. João, um navio de carga e passageiros, devido a mas condições do tempo no Porto da Praia e a falta de controlo do navio por parte do capitão cabo-verdiano, ficou encima do cais provocando um buraco de quase dois metros quadrados numa de suas bandas, e tivemos que postergar a saída do navio para São Vicente. Não houve repercussão. Porquê?
  5. João, quase recém-lançado, o navio Kriola ficou à deriva depois de sair do Porto da Praia e tiveram que fazer uma operação logística governamental urgente para levarem um chefe de máquina cubano, leia bem, chefe de máquina cubano, desde a ilha de Brava á Praia, para resolver a situação. A oficialidade do Kriola esse dia era cabo-verdiana, mais não sabiam como solucionar a situação criada no navio; os passageiros, nesse momento, não agradeceram à Deus, agradeceram ao cubano. Não houve repercussão. Porquê?
  6. João, acaso você sabe que alguns capitães cabo-verdianos não querem chegar de noite à São Nicolau, alegando força de ventos e falta de visibilidade? Incrível que no século 21 algum capitão diga isso.
  7. João, você sabe que alguns armadores cabo-verdianos têm visitado Cuba com o objectivo de contratar tripulações cubanas?; pessoalmente os atendi e por ética não posso revelar seus nomes. Porquê?

Sr. João, as causas do afundamento do navio Vicente estão fora da responsabilidade da oficialidade que você diz. Se você é um profissional sincero do sector como disse ser, eu proponho-lhe que fale a verdade. Muitas causas que nada têm a ver com o navio provocaram o afundamento. Você não está de acordo com o falado no parlamento, eu também não. Não tem havido um fórum de profissionais do sector, se é que existe, para discutir o tema.

Sr. João, você sabe uma coisa? Em Cabo Verde não há mais acidentes marítimos porque Deus é cabo-verdiano, peça à Ele todos os dias para que vos abençoe.

Conheço vários capitães cabo-verdianos que merecem meus respeitos por seu profissionalismo e seus conhecimentos, não excederiam os dedos duma mão se os teria que contar; para eles meus respeitos.

Sr. João, quando sua casa tem tecto de vidro não pode tirar-lhe pedras ao vizinho.

Duas últimas perguntas (retóricas?), Sr. João.

  1. Em quantas companhias mercantes e de cruzeiros de primeiro nível no mundo tem contratado capitães cabo-verdianos?

Algumas têm capitães cubanos, e o staff de algumas companhias europeias está composto por 50% de cubanos.

  1. Se o capitão e a oficialidade do navio Vicente fossem portugueses, você tivesse escrito sobre esse acidente?

Não acredito, o armador é francês e você não fala dele.

Sr. João, Parafraseando ao mais universal de todos os cubanos, os homens amam em segredo as verdades perigosas e só iguala o seu medo a defender-lhas, a paixão com que o fazem quando não se corre qualquer risco.

 

  1. Alcides Montrond

    Meu Caro,

    O seu artigo esta muito bem escrito para este esclarecimento. O navio Pentalina B foi metido na Pedra da MOIA-Moia para um oficial Cabo Verdiano que ate ainda nao tem nenhuma explificao como este navio foi parar na pedra. Navio estava no perfeito condicoes techinico e tambem nao foi o capitacao Cubano que meteu este navio na pedra. O que e tao triste ate ainda nao tem nenhum inquerito da capitania or uma investigacao du mao suja que esta involvido deste crime. Para esclareceler mais se o navio Pentalina B nunca foi metida na pedra, o navio Vicente nao entrava no mercado para trabalhar nas ilhas do Sul como que acontecia . Accidente do Navio Vicente esta ligada as maos sujas de roro Pentalina B. E tao triste e pena que todas gentes tinha que morrer por causas de maus professionais e crimes ligado a este accidente ate ainda nao envetigadas. Para mais esclarecimento que tambem que fica mais desgraciados sao os Armadores que tem todas as suas vidas metido a criacao das suas empresas. Niguem quer saber que o Armador que da o imprego neste setor porque ate ainda niguem nos precura a oferecer apoio que nos marecemos neste setor tao fragil. Lamento para todos as familias que tem perdido os seus filhos neste navio. Eu tambem tinha planeado para viagar neste dia para o Fogo e so com o atraso do navio que tinha de anular a minha viage.

    No meu opiniao professional o que afundeou o navio Vicente foi nagligencia de marinheiros que desmarou os atrelados antes de navio entrar no cais como esta escrito no comunicao social. Tambem nunca foi comunicado ao ponte do comando que os atrelados foi desmarados, Porque se o imidiato ou comandante tinha este conhecimento podia tomar medida differente Todos nos que operar o navio roro sabe que os atrelados desmados specialmente naquele dia de mau tempo com vento e mar muito mau era como ter uma bomba dentro deste navio. Como tinha comunicado na comunicao social que avia um son tao alto e depois de 5 minutos navio foi au fundo tao rapido. Como e possivel este navio navegar mais de 7 horas ate chegar o Fogo e nunca nada acontecia e so foi depois que o navio tinha achegado no porto e foi reincaminhado para esperar o outro navi a sair. Logo depois de trinta minutos este navio afundou. Tao estranhosa! A onde esta a logica? Todos dias pergunta o deus porque continua neste pais com tanta afronta neste sector e ninguem para dar um atencao mais serio.

    Estou aqui porque acredito na verdade e que juntos podemos vencer.
    Forca

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