Mandinga: nem todos cantam Aria

3/02/2016 07:50 - Modificado em 3/02/2016 07:50
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mandingas4O fim-de-semana, domingo, é dominado pelos mandingas. Desde o primeiro domingo de 2016 os mandingas têm saído à rua e atraído milhares de pessoas pelas artérias da cidade. Mandinga tornou-se, nos últimos anos, uma manifestação cultural sem precedentes com mais adeptos a cada dia que passa. A música, o divertimento, a “tcholda” têm sido os atractivos para as pessoas se ligarem a esta festa.

Mas apesar dos milhares que têm apoiado, muitos não se revêem nem nesta festa, nem no Carnaval. Apesar da forte carga cultural do Carnaval vivida através dos mandingas é difícil pensar que um mindelense não goste ou prefira outra actividade em vez de participar no desfile dos mandingas ou mesmo do Carnaval.

O convívio, a festa, a multidão, a música, são alguns chamativos para as pessoas participarem nos desfiles de fim-de-semana. Estes mesmos motivos são usados como “desculpa” para algumas pessoas decidirem não tomar parte nos desfiles. César Santos mora em Espia, local dos mais emblemáticos grupos de mandingas de São Vicente mas, mesmo assim, não se revê nesta manifestação. “Todo o fim-de-semana, por volta das três horas da tarde, já se começa a ouvir a música e os gritos. Mas não me consigo identificar”, revela. Vai à porta por curiosidade, mas revela que nunca sentiu vontade de entrar no meio.

Carla Gonçalves também não se sente à vontade com os desfiles e diz que já participou mas que não gostou muito. Fala do cansaço dos desfiles, dos empurrões, das músicas que às vezes têm conteúdos sexuais e revela que estes itens não tornaram a festa atractiva para ela. Neste sentido, prefere ficar a ver a banda passar. Na mesma linha de pensamento, Elton Fortes diz que não gosta muito de multidões e, por isso, prefere só ver, apesar “de mandinga ser muito animado”.

A questão da segurança também é citada como desculpa para não se participar na festa. Cíntia Delgado diz que há sempre confusão pelo meio e, neste sentido, prefere ficar em casa. Assim como Cíntia, Anderson Neves de Monte Sossego, não se sente muito seguro e, por isso, prefere ficar longe e assistir a toda a movimentação, pois, “gosta de ver pessoas a divertirem-se desde que seja da melhor forma”.

Mesmo que não se revejam nesta manifestação cultural, estão cientes que o fenómeno mandinga tem alcançado de ano para ano cada vez mais adeptos. E sabendo como o povo mindelense gosta de festejar, só têm de “esperar que as pessoas continuem a divertir-se dentro do respeito e harmonia”, como diz César Santos.

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