Onésimo Silveira: “Aristides Pereira não tinha dimensão política, nem filosófica: era um seguidor”

1/02/2016 07:32 - Modificado em 1/02/2016 07:32

onesimoUma das expectativas em relação ao livro “Onésimo Silveira: uma vida, um mar de histórias” do jornalista José Vicente Lopes apresentado na passada sexta-feira, tinha a ver com as respostas que Silveira iria dar às considerações “pouco abonatórias” que Aristides Pereira fez sobre ele num livro do mesmo autor.

Onésimo considera que o primeiro Presidente da República de Cabo Verde “tinha uma dimensão institucional e instrumental, mas não tinha uma dimensão política nem… filosófica. Não era um pensador, era um seguidor…”. E conclui “de intelectual não tinha nada. Aliás, no livro das suas memórias dá bem conta disso. Ele ficou na história como um politico africano do consenso, mas o consenso é inimigo do compromisso”.

Pereira vetou regresso de OS ao PAICV

Neste livro, Onésimo confirma que, de facto, em 1990, no fim do regime do partido único, esteve prestes a reconciliar-se com o PAICV, mas o então Secretário-geral Aristides Pereira vetou o seu regresso”. Não sei porquê, o Aristides teve sempre uma reserva visceral contra mim. Eu nunca bajulei. Nem a ele, nem ao Cabral. A ninguém mesmo. O Aristides era daqueles que dizia que era preciso cortar as rédeas ao Onésimo. Ora, a única rédea era a minha língua, o instrumento para a expressão do meu pensamento e das minhas profundas convicções”.

Silveira revela que em 1990 o seu nome foi levado à Comissão Política e ao Conselho de Ministros para o cargo de Embaixador em Lisboa, cargo que viria a ocupar no primeiro mandato de José Maria Neves como Primeiro-ministro (2001) e Pedro Pires como Presidente da República, mas foi vetado pelo então Secretário-geral do PAICV e Presidente da República. Silveira diz no livro que tinha o apoio de Pedro Pires, na altura Primeiro-ministro, de Abílio Duarte, Presidente da Assembleia Nacional e de Silvino da Luz, Ministro dos Negócios Estrangeiros. Mesmo assim, Aristides vetou o seu nome. Questionado se acha que Aristides podia sozinho vetar o seu nome contra a vontade de Pires, Abílio e Silvino, responde: “Temos de falar com muita cautela sobre a responsabilidade colectiva no PAICV. No partido único, a responsabilidade acaba sempre por ser de uma só pessoa. No tempo de Cabral ninguém ousava criticar. Ele era o pensador e único responsável pelas grandes decisões do partido.

Desaparecido Cabral, Aristides teve de vestir essa farda para que o PAIGC não ficasse órfão. Aristides não herdou só o partido, herdou também o modo de dirigir o partido. Portanto, não querendo ele certas coisas, elas simplesmente não avançavam. Por outras palavras, não querendo ele que Onésimo fosse reintegrado, isso não avançou, simplesmente”.

  1. Senesimo

    Mas tens manha do PAICV no fim da linha em 1990. Como é que é possível querer integrar o PAICV depois de tudo o que sabias, das prisões, torturas e mortes em nome do partido único. Não estavas com o MPD em 1990? Não se percebe o Onésimo

  2. Lidio

    O Onésimo fala assim do Aristides Pereira porque Aristides, embora com timbre de educação muito elevado, não coabitava com aldrabice e o Onésimo muito habilidoso em apropriar-se de coisas alheias, certamente que não se dava com o Aristides, que era pessoa seria.

  3. Nelson Cabral Lopes

    Muito tarde pronunciaste. Sendo um convicto profundo, porque não o disse antes da morte del, estando o Sr. como Presidente da CMSV e o PAICV na Oposição?
    Agora é fácil e os mortos não se defendem das bocas de Cuxim.
    Mas se assim foi, fez bem e a prova está à vista.

  4. Nelson Cabral Lopes

    Muito tarde pronunciaste. Sendo um convicto profundo, porque não o disse antes da morte dele, estando o Sr. como Presidente da CMSV e o PAICV na Oposição?
    Agora é fácil e os mortos não se defendem das bocas de Cuxim.
    Mas se assim foi, fez bem e a prova está à vista.

  5. Aahahahaha, Cuxim. É uma grande pena. Vais morrer sem saber do que realmente o Aristides Pereira pensava sobre ti. O que dizes neste teu livreco ao JVL não é nadica de nada comparado com o que ele pensava sobre ti e qual o destino que devias ter tido. Não foi só o Aristides que teve o teu destino nas mãos. Houve mais gente muito mais importante que o Aristides no teu destino e no que és hoje. Poderias ter sido outra coisa. Vais morrer em dívida eterna para com essas pessoas e não há dinheiro no mundo que pague a dívida que devias ter pago. Então JVL? Queres saber mais?

  6. Mindelense

    O Onésimo é um grande intelectual e teve uma caminhada rica.Ele fala de muitos políticos e caracteriza-os bem.Essa do Jorge Santos e do António Jorge Delgado achei duma lucidezeLELE DIZ QUE ESSES DOIS SENHORES PERCEBEM É DE BATATAS,MANDIOCA,INHAME,MIL PÉS….

  7. Antonio

    Pelo menos AP não era tão desonesto e camaleão com Você!
    Mais vale ser-se um seguidor que um Génio Macabro, arrogante e trapaceiro!
    Aristides Pereira:
    – Não foi “piratinha” em S. Vicente
    – Não desviou as ajudas dos Nórdicos ao partido PAICV (antes da independência)
    – Não se vendeu a quem prometeu mais (ora sou PAI, ora sou MPD ora meu próprio partido. que depois abandou porque não conseguiu o poder) – não há polvo que resiste a tanta mudança de cor!
    – Agora como ninguém me quer sou REGIONALISTA!
    – Uma vergonha de que usa a inteligência para o oportunismo e maquiavelismo!
    – É pena que não existe um Premio Nobel para o mau caracter, senão, seria seu sem dúvida.
    Ele tinha estado caladinho, na esperança que o PAI ou o MPD iria oferecer-lhe qualquer coisa …. Como ninguém lhe deu nada …. Vamos lançar as chamas em quem apanhar!
    VIVA o grade Onésimo – símbolo da hipocrisia, da indecência e da falta de Moral que a sociedade cabo-verdiana chegou!

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