Os cabo-verdianos são europeus

15/01/2016 08:07 - Modificado em 15/01/2016 08:07
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Os cabo-verdianos são europeus

 

Pedro d’Anunciação | 11/01/2016

 

Ao ler recentemente uma reportagem sobre Cabo Verde em que se dizia não se sentirem os daquele arquipélago africanos, recordei com saudades uma viagem minha a esse País.

 

Lembro-me na altura de ouvir os cabo-verdianos dizerem ser europeus, e como tal se sentirem. Não de criticarem os africanos. Embora se depreendesse uma crítica ao seu Continente, e uma pretendida cumplicidade com a Europa.

 

Tinham coisas simpáticas: gostavam de se assumir como ‘pretos’ e não ‘negros’, começando a pensar que a distinção nascia logo aí. Depois, achavam que tinham varrido completamente o racismo, com a mestiçagem em que se sentiam confortáveis.

 

Claro que conheci vários cabo-verdianos do tempo da Faculdade, me aconteceu dar-me demasiado com as elites. Mas surpreendi-me com outros, designadamente os engraxadores que discutiam literatura e filosofia.

 

Cabo Verde é, de facto, um País extraordinário. Nem na Europa conheci uma única região de gente tão culta e ávida de leituras (o que os portugueses, pensando nas comunidades cabo-verdianas cá existentes, têm dificuldade em acreditar). Parece que não tendo trabalho, devido a secas prolongadíssimas que não lhes permitiram passar pelo estádio agrícola, lhes dá para aproveitarem os candeeiros públicos e lerem até pela noite fora. Recorrem a bibliotecas ou a qualquer livro que se lhes apresente a jeito. Por isso, têm aquela enorme taxa de escritores por habitante. Enfim, quem nos dera a nós, europeus, sermos como eles pensam que somos; ou sermos pelo menos como eles.

 

http://www.sol.pt/SOL/noticia/492754

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