Cameron admite que saída britânica da UE “não seria a resposta certa”

11/01/2016 08:27 - Modificado em 11/01/2016 08:27
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foto1.Público.ptDavid Cameron deu este domingo o sinal mais claro de que apoiará a permanência do Reino Unido na União Europeia, ao afirmar que a saída “não seria a resposta certa” à difícil relação entre Londres e Bruxelas, mas repetiu que não abandonará a chefia do Governo se os eleitores decidirem em contrário no referendo que planeia organizar no Verão.

O primeiro-ministro britânico repete, assim, a táctica que usou no referendo à independência da Escócia, em Setembro de 2014, para que a votação não se transforme numa consulta à sua liderança, ainda que, como recorda o jornalGuardian, se saiba agora que Cameron chegou a redigir o discurso de demissão quando as sondagens davam vantagem aos nacionalistas escoceses. O que está em causa no próximo referendo “não é o futuro deste ou daquele político”, disse o líder conservador, durante uma entrevista ao programa dominical do jornalista Andrew Marr, na BBC.

Uma sondagem divulgada na quinta-feira indica que a maioria dos britânicos que já decidiram o seu voto apoia a saída da União Europeia, confirmando uma tendência que se tem vindo a acentuar nos últimos meses. O primeiro-ministro britânico anunciou também na semana passada que dará liberdade aos seus ministros para fazerem campanha pelo “não”. O líder conservador tem insistido que não recusa a possibilidade de ele próprio apoiar a saída se os parceiros europeus recusarem as propostas que fez para reformar a relação de Londres com a UE.

Mas, quando questionado sobre se está preparado para a eventual saída, o primeiro-ministro mostrou-se menos disposto a fazer bluff. “Não creio que [a saída] seja a resposta certa, pelas razões que já lhe dei. Mas se essa acabar por ser a resposta, vou fazer tudo para que funcione”, afirmou, garantindo, porém, que não está ainda a ser preparado um plano de contingência para um eventual abandono da UE.

Cameron, que na última semana visitou a Alemanha e a Hungria para reunir apoios às suas iniciativas, mostrou-se confiante na possibilidade de um acordo já na próxima cimeira europeia, em Fevereiro. Admitiu, contudo, que continua a não haver consenso sobre o tema mais espinhoso em cima da mesa – a impossibilidade de os trabalhadores europeus a residir no Reino Unido acederem às prestações sociais durante quatro anos, uma proposta que visa desencorajar a imigração comunitária mas que os parceiros dizem ser contrária ao princípio de livre circulação.

Um acordo no próximo mês permitiria a Londres realizar o referendo já em Junho, momento preferido pelo executivo britânico. Mas Cameron diz que o seu governo não está pressionado pelo tempo, pelo que não se oporá a prolongar por mais algum tempo as negociações, o que arrastaria a consulta para depois das férias de Verão, possivelmente para Setembro. “A substância importa mais do que o momento, por isso se não houver acordo em Fevereiro, vou esperar e continuar a insistir”, afirmou.

 

Público.pt

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