Norte de África tornou-se um foco central na guerra contra o terrorismo

21/08/2012 00:51 - Modificado em 21/08/2012 00:51
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Partilha de informação, aconselhamento técnico, treino militar e financiamento. São estas as armas que os EUA estão a utilizar para evitar que o terrorismo ganhe raízes no continente africano.

A Administração Obama já não vê as grandes ameaças terroristas no Afeganistão e Paquistão. Em vez disso, os responsáveis norte-americanos de contraterrorismo estão cada vez mais concentrados numa vasta área do Norte de África, da Somália, passando pelo Chade, Níger, e Mali, até à Mauritânia e à Nigéria mais para sul.

 

O secretário da Defesa, Leon Panetta, que este mês esteve na Tunísia, Egipto, Jordânia e Israel, sublinhou a crescente ameaça do terrorismo fora do Médio Oriente. E a secretária de Estado, Hillary Clinton, tinha essa questão na agenda que levou para uma viagem de duas semanas a África, com paragens no Senegal, Sudão do Sul, Uganda, Quénia, Malawi e África do Sul. “Continuamos preocupados com a presença da Al-Qaeda em África”, disse Panetta em Tunes. “Por essa razão aconselhamos fortemente países como a Tunísia a desenvolverem operações de contraterrorismo que possam produzir resultados.”

 

A região inclui tanto zonas povoadas como territórios selvagens como o Norte do Mali, que foi comparado por um responsável da Adminstração Obama com o Afeganistão nos anos 90, antes do derrube dos talibã. As informações que chegam desta zona, recolhidas pelos serviços secretos franceses, bem como pela CIA e outras agências de espionagem, dão conta de uma crescente cooperação entre grupos islamistas radicais, da existência de importantes arsenais que foram saqueados da Líbia e do recrutamento de operacionais locais por grupos terroristas como a Al-Qaeda do Magreb Islâmico e o Boko Haram da Nigéria.

 

“Esta questão gerou um alto nível de preocupação”, disse o congressista republicano Mike Rogers, que lidera o comité de serviços secretos da Câmara dos Representantes, em Washington. “Vimos estes grupos a melhorarem a sua organização e capacidades e depois vimos como eles foram capazes de operacionalizar essas capacidades. Esta é uma nova tendência.”

 

Reuniões recentes na Casa Branca sobre contraterrorismo foram dedicadas quase em exclusivo ao Norte de África, à protecção do petróleo na Nigéria e ao desenvolvimento de programas nos idiomas locais, com o Ibo nigeriano no topo da lista, segundo revelaram os três altos responsáveis da Administração Obama ouvidos para este artigo e que também participaram nestas reuniões.

 

“África é provavelmente o continente mais importante no século XXI por uma série de razões, e uma das nossas prioridades é evitar que o terrorismo ganhe raízes nesse continente”, disse o senador republicano Johnny Isakson, que integra o subcomité de assuntos africanos no comité de Negócios Estrangeiros. “Os terroristas aproveitam-se da fome e da pobreza”, afirmou Isakson. “E há muito disso no continente africano.”

 

Presença invisível

 

Para fazer face à ameaça, a Administração Obama, tanto de forma independente como em colaboração com França e outros aliados europeus, acelerou o apoio militar e de informação bem como de treino militar a regimes africanos ameaçados pelo extremismo islâmico, explicaram os responsáveis do Governo americano.

 

Os EUA já forneceram treino e equipamento não-letal a mais de 215 mil soldados das forças armadas de 25 países desde 1997, segundo o Comando Africano do Pentágono.

 

Ainda assim, os EUA querem ajudar a neutralizar os grupos terroristas calmamente, sem deixarem uma grande pegada militar que poderia causar uma reacção negativa junto da opinião pública. E isto numa altura em que o Pentágono enfrenta cortes orçamentais e está a retirar as tropas americanas do Afeganistão

 

 

 

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