Coreia do Norte anuncia ter detonado a sua primeira bomba de hidrogénio

6/01/2016 08:05 - Modificado em 6/01/2016 08:05
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coreiaA Coreia do Norte anunciou, na madrugada desta quarta-feira, ter detonado a sua primeira bomba de hidrogénio, uma versão significativamente mais poderosa de uma bomba nuclear. A notícia é avançada pelos canais oficiais do regime e não foi ainda confirmada por observadores independentes, que, no entanto, detectaram um sismo “artificial” de 5,1 pontos na escala de Richter, perto de uma conhecida zona de testes nucleares do regime. 

O teste, que a emissora estatal garante ter sido “um sucesso completo”, foi executado por volta das 10h locais – primeiras horas da madrugada em Portugal. Caso se confirmem os relatos norte-coreanos, este será o quarto teste nuclear executado pelo regime, em violação das directivas do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O dado mais surpreendente é tratar-se de uma bomba de hidrogénio, e não de um míssil nuclear tradicional, mais rudimentar e menos potente. Até agora pensava-se que a Coreia do Norte estava ainda longe de chegar à tecnologia necessária para produzir uma bomba de hidrogénio, o que se faz introduzindo uma forma radioactiva deste elemento no núcleo de uma bomba atómica.

Uma avaliação externa do teste desta quarta-feira pode demorar dias ou até semanas. Observadores internacionais mostram-se cépticos em relação à notícia de uma bomba de hidrogénio. O exercício causou um sismo de intensidade semelhante ao último teste nuclear subterrâneo, em 2013, o que parece indicar a explosão de uma nova bomba tradicional, ou, então, a de um engenho de hidrogénio menos potente.

“Julgando pelo impacto, existe a possibilidade de que as afirmações da Coreia do Norte sobre ter feito um teste com uma bomba de hidrogénio não sejam exactas”, afirmou o deputado sul-coreano Lee Cheol à agência de notícias do país, a Yonhap, referindo-se aos primeiros dados recolhidos por agências de informação. O exército sul-coreano é da mesma opinião, de acordo com a agência.

O Japão anuncia ainda esta manhã uma primeira análise ao alegado exercício norte-coreano. O seu primeiro-ministro, Shinzo Abe, até agora uma das vozes mais severas entre as várias condenações ao aparente teste atómico, afirmou no Parlamento que o “exercício nuclear conduzido pela Coreia do Norte é uma séria ameaça à nossa nação e não podemos absolutamente tolerá-lo”.

No momento de comunicar a detonação, o regime disse que o teste é unicamente defensivo e tem apenas os Estados Unidos em mente. “É uma medida de autodefesa necessária para defendermos o nosso direito a viver na face de ameaças nucleares e chantagens vindas dos Estados Unidos”, declarou a apresentadora, na emissora estatal.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas convocou uma reunião extraordinária para a manhã desta quarta-feira. A China, a grande aliada do regime norte-coreano, disse estar “firmemente contra” o teste nuclear norte-coreano. Pequim é muitas vezes o único canal diplomático para o Ocidente chegar aos líderes em Pyongyang e defende o seu desarmamento nuclear.

Kim Jong-un adoptou uma estratégia diferente e mais agressiva do que a de seu pai, que nos seus últimos anos de Governo aceitou restrições internacionais aos programas nucleares e de balística norte-coreanos a troco de ajudas externas. O regime desafiou as ordens das Nações Unidas ao fazer o terceiro teste de uma bomba atómica, em 2013, e, só no último ano, pôs em funcionamento um reactor nuclear desactivado e anunciou ter conseguido lançar o seu primeiro míssil desde um submarino.

publico.pt

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