Obama diz que uso de armas químicas na Síria será “linha vermelha” para os EUA

21/08/2012 00:36 - Modificado em 21/08/2012 00:36
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O Presidente norte-americano deixou nesta segunda-feira um aviso ao regime sírio ao dizer que a movimentação e o uso de armas químicas são “uma linha vermelha” para Washington. Transpor essa linha, advertiu Obama, terá “consequências enormes”.

A possibilidade de o regime de Bashar al-Assad recorrer a armas químicas tem suscitado a preocupação de vários países que vêem o conflito entre as forças sírias e os opositores, que já causou mais de 23.000 mortos, prolongar-se há 17 meses sem que se vislumbre um cessar-fogo. Desta vez Obama não poderia ter sido mais claro. “Até agora não dei ordem para intervir militarmente”, disse numa conferência de imprensa na Casa Branca. “Mas se começarmos a ver grandes quantidades de armas químicas a ser transportadas ou utilizadas, isso mudará o meu cálculo e a minha equação”.

 

O regime sírio já reconheceu possuir uma grande quantidade de armas químicas mas, sublinhou a AFP, há também importantes stocks destas armas em vários países da região. “Não podemos ter uma situação em que as armas químicas ou biológicas caiam nas mãos erradas”, adiantou Obama. E adiantou: “Fomos muito claros com o regime de Assad, mas também com outras forças presentes no terreno”.

 

O Presidente norte-americano sublinhou que está a acompanhar de perto a situação na Síria. “Temos um conjunto de planos e já fizemos saber de forma clara a todas as forças na região que há uma linha vermelha para nós, e que ultrapassá-la terá consequências enormes”.

 

Os EUA e vários outros países ocidentais já viram ser rejeitadas por três vezes, no Conselho de Segurança da ONU, resoluções para impor sanções ao regime de Bashar al-Assad que foram vetadas pela China e pela Rússia. E viram também Kofi Annan, antigo secretário-geral da ONU, abandonar o cargo de mediador para a Síria depois de ter fracassado o seu plano de paz, dando lugar a Lakhdar Brahimi, que inicia agora as suas funções.

 

No final de Julho Obama já tinha dito que o regime de Assad cometeria “um erro trágico” se recorresse à utilização de armas químicas, depois de as autoridades sírias terem reconhecido possuir essas armas e ameaçado usá-las em caso de uma intervenção militar externa. Nessa altura, forças da oposição acusaram o regime de estar a deslocar algumas dessas armas para a fronteira.

 

“A Síria é uma questão muito difícil”, admitiu Obama. “Já disse inúmeras vezes que Assad perdeu a sua legitimidade e que deve deixar o poder”.

 

No terreno, as celebrações que assinalam o fim do Ramadão ficaram nesta segunda-feira marcadas por novos confrontos em Alepo, a capital comercial da Síria, e noutros locais, que segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, causaram pelo menos 131 mortos, entre os quais 57 civis.

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