Ser cabo-verdiano ou africano gera polémica nas redes sociais

5/01/2016 09:09 - Modificado em 5/01/2016 15:35

caboverdeA reportagem no jornal “O Público” com o título “Ser africano em Cabo Verde é um tabu tem um sabor agridoce e nas redes sociais alguns afirmam que são cabo-verdianos sim e não africanos. Também outros internautas entendem que se deve assumir a africanidade do País.

 

Ainda na reportagem, revela-se que “Cabo Verde não é África, os cabo-verdianos são ‘pretos especiais’ e os mais próximos de Portugal, durante anos esta foi a narrativa dominante.”Neste sentido, o jornal procura analisar as questões raciais no País e saber até que ponto os cabo-verdianos se consideram africanos ou não. Essas afirmações não foram muito bem recebidas e, a estilo cabo-verdiano, com alguma ironia, há quem diga que “o próximo artigo é: os portugueses querem ser angolanos”. Também vários internautas concordam que não faz sentido esse debate sobre a africanidade dos cabo-verdianos. Porém, é um tema que gerou dissabores, assim como comparações: “sinceramente nós somos africanos, vamos assumir isso. E somos pretos como qualquer um. O mestiço é preto mesmo aqui. Nos EUA é assim. Os portugueses fizeram de nós um povo complexado” diz um imigrante. Um comentarista assegura que está triste com os cabo-verdianos que não assumem que são africanos e, “então, o que somos? Pelo que eu saiba a nível de continentes, existem Africanos, Europeus, Americanos e Asiáticos, não sabia que Cabo Verde era um continente. Somos um povo mestiço sim, mas isso não nos torna Europeus e Europeus não são melhores que os Africanos. Tenham orgulho da vossa origem”. A questão do continente até tem os seus seguidores, mas também gera polémica porque há quem defenda que os cabo-verdianos são macaronésios, ou seja, Cabo Verde não é África nem Europa, visto que a Macaronésia é um nome moderno para designar os vários grupos de ilhas no Atlântico Norte, perto da Europa e da África e mais uma extensa faixa costeira do Noroeste da África, fronteira a esses grupos de ilhas que se estende desde Marrocos até ao Senegal.

Outros comentaristas consideram que a questão “se o cabo-verdiano é africano ou não” é um tema mais complexo do que aparenta ser e Lobo assegura que o “problema começa com a pergunta que está mal feita. A identidade colectiva não é uma singularidade e nunca pode ser resumida numa pergunta com duas opções: ou ‘és isto ou és aquilo’. Principalmente tendo em conta a pluralidade da nacionalidade cabo-verdiana. Não existe uma identidade, mas sim processos de identificação (crioulo, benfiquista, pai, músico, africano, europeu, etc., etc.). Também é verdade que existem assimetrias regionais, por exemplo no Barlavento não nos identificamos com o que vem da África porque realmente os nossos valores são distintos, a nossa história resulta de um processo de povoamento distinto. (…) Acho que é pacífico dizer que em Cabo Verde nos identificamos primeiramente como cabo-verdianos e por algum motivo será… Cabo Verde é um país híbrido, um país que não existia antes do seu povoamento e tem características únicas no mundo e devemo-nos orgulhar disso e não deixar que essa complexidade seja posta em causa por quem pretende simplificar a nossa identidade”.

Outros comentaristas não têm problemas em assumir que são cabo-verdianos e não africanos. Um deles diz “… nos flagelados do vento leste, morremos e ressuscitamos todos para o desespero dos que nos impedem a caminhada… Sou cabo-verdiano e pronto! Quem se incomoda com isso, que se vá lixar!”.

  1. j

    Eu identifico-me como Caboverdeano geograficamente, não Africano.

  2. Eduardo Oliveira

    Eu nunca pensei outra coisa senão “SOU CABOVERDEANO”.
    Acabou. Os que levantam o problema são complexados ou sedentos de protagonismo. Concentremos nas prioridades e deixemos esses frustrados caminhar para onde quiserem. O Continente Africano pode-os receber.

  3. kriol verdaqdeiro

    O Paicv e os fundamentalistas de Santiago devem ter encomendado este artigo.
    Eu nãqo sou maqnjako

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