O que faria ao Banif? Os dez candidatos à Presidência respondem

4/01/2016 11:39 - Modificado em 4/01/2016 11:39
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BanifEntre os dez candidatos à Presidência da República, há quem tivesse aceitado a solução para o Banif, e há quem garanta que a vetaria. Veja as respostas dos candidatos à Antena 1.

Se fosse Presidente da República, como teria agido no caso do Banif: promulgaria ou não promulgaria a opção apresentada por António Costa, que passa por umainjecção pública de 2,25 mil milhões de euros, e a venda do banco ao Santander, por 150 milhões de euros?

Foi uma das perguntas lançadas no debate entre os dez candidatos que está a decorrer na manhã desta segunda-feira, 4 de Janeiro, na Antena 1.

As respostas, umas mais fugidias do que outras, variam entre a promulgação e a não promulgação.

Maria Matias: A candidata é muito crítica em relação à solução encontrada, e garante que nada obrigaria o Presidente da República a promulgar o Orçamento Rectificativo. Apesar de o Bloco de Esquerda fornecer apoio parlamentar ao actual Governo, Marisa Matias diz que havia margem de manobra para ter negociado outra solução com a Comissão Europeia, até porque o Estado detinha 60% do Banif. “Até aqui, para cada país o seu modelo de resolução, e Portugal foi o único onde os contribuintes pagaram para salvar bancos e eles serem entregues limpinhos” ao sector privado, diz a candidata.

Vitorino Silva: Elaborou pouco sobre a questão, dizendo que quando os bancos não têm juízo, o povo é que paga.

Paulo Morais: A solução encontrada para o Banif foi “a pior de todas”, diz Paulo Morais, para quem o Banif foi alvo de uma manipulação de mercado por causa da notícia da TVI. O candidato presidencial teria mandado suspender o concurso e chamado o governador do Banco de Portugal e a CMVM.

Maria de Belém: Para a candidata, há quem no debate ignore os limites dos poderes presidenciais, achando que ele pode intervir ilimitadamente – o que não é o caso. Maria de Belém diz que o Banif foi mal resolvido, porque foi sendo sucessivamente adiado e caiu “de chofre” num governo recém-empossado. Contudo, estando Portugal integrado na Zona Euro, e sendo obrigado a cumprir os compromissos, mesmo quando eles são contrários aos nossos interesses, Maria de Belém teria promulgado o Orçamento Rectificativo.

Marcelo Rebelo de Sousa: Não há dúvidas: se lhe fossem dadas garantias que o adiamento do problema ou outra solução, como a falência, traria problemas graves à economia madeirense e açoriana, e não houvesse possibilidade de esperar por Janeiro (para esperar pelas novas regras que, por exemplo, impõem perdas para depositantes acima de 100 mil euros) Marcelo Rebelo de Sousa confiaria no primeiro-ministro. Ou seja, promulgaria o Rectificativo.

Sampaio da Nóvoa: Prefere colocar a tónica na transparência dos processos – é preciso que um Presidente da República seja exigente, vigilante, actuante e que exija a informação a tempo. Quando tal não acontece, “evidentemente que as soluções são todas más”. E aí, “não há solução a não ser a de confiar no Governo que escolheu a menos má de todas”.

Jorge Sequeira: O candidato ironiza com o tratamento diferenciado que a banca tem merecido, dizendo que deveria existir um fundo de resolução para as mercearias, as oficinas de automóveis, entre outras. Garante que não poria os contribuintes a pagar a solução: “Deixava falir”.

Edgar Silva: Tal como o PCP, está em completa discordância relativamente ao Banif, por duas razões: “é uma injustiça clamorosa impor aos cidadãos tapar os processos especulativos da banca”; e também porque o processo serve para entregar sectores estratégicos ao capital estrangeiro. Edgar Silva já tinha referido no fim-de-semana que viabilizaria o Orçamento Rectificativo referente ao Banif pelo “sentido de responsabilidade” de um chefe de Estado.

Cândido Ferreira: O candidato é peremptório: “Certamente que aprovaria” o Rectificativo. E porquê? “Um Presidente da República tem de lutar pela coesão nacional” e uma eventual falência do Banif teria efeitos devastadores nas economias açoriana e madeirense, onde o banco tem forte implantação. Um Presidente tem de estar acima da luta partidária constante, diz o candidato.

Henrique Neto: Para o candidato, o BES e o Banif resultam do fracasso da política portuguesa em prever problemas. Crítico do modelo seguido, Henrique Neto teria forçado alternativas, porque “um país que assume que não pode por causa da União Europeia, não tem futuro”.

jornaldenegocios.pt

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