Cabo verde não actualiza taxa de prevalência do vírus da Sida há dez anos

2/12/2015 08:37 - Modificado em 2/12/2015 08:37
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sidaCabo Verde regista dois mil e trezentos casos de seropositivos, no entanto a taxa de prevalência do HIV Sida não é actualizada há dez anos, algo que poderá acontecer no próximo ano.

Os homens são três vezes mais infectados pelo vírus do HIV do que as mulheres e são eles que mais morrem, devido a doença. A ajuda do fundo global para o país combater a epidemia tende a diminuir, o que faz com que o país tenha que assumir 50% dos custos segundo coordenador do Combate a Sida Artur Correia.

Para 2016/2017 o país deverá investir quatro mil contos no combate a doença e de 2016 a 2020, o montante deverá duplicar. Para se atingir os objectivos o país espera anular a carga viral até 2020.

Portanto quando se fala em casos de sucesso, Cabo Verde está no quadro dos países africanos que se pode orgulhar de conduzir programas com bons resultados, especialmente no que toca à transmissão do vírus por via vertical – de mãe para filho.

De acordo com a ministra-Adjunta e da Saúde, Cristina Fontes Lima “em 2005 tivemos 223 novos casos, em 2011 o número foi de 399, em 2013 registou-se 447 casos e 2014 houve 409 casos, portanto temos que continuar a seguir estas situações, e temos efectivamente grandes ganhos na área de transmissão vertical fruto de um trabalho rigoroso com as gravidas seropositivas que beneficiam de um acompanhamento permanente”.

Cristina Fontes Lima, afirma que o caminho para reverter o VIH/Sida é “identificar objectivos, concentrar acções e ser solidário”, ressalvando que “sem a ajuda da comunidade internacional”, que busca soluções nos vários domínios, não seria possível chegar tão longe.

“Não era possível chegarmos aqui se não houvesse a mobilização de recursos e acesso aos tratamentos”, precisou Cristina Fontes Lima, que lembrou que se há uns anos atrás a questão do VIH/Sida parecia um “problema impossível” de enfrentar, hoje está-se a vencer esta batalha em Cabo Verde.

De acordo com o secretário executivo do Comité de Coordenação de Combate à SIDA (CCS-SIDA) em Cabo Verde, Artur Correia, citado pelo Voa Português o número de crianças que nascem seropositivas já atingiu os 15 por cento, mas actualmente varia entre zero a 3 por cento, sendo o objectivo eliminar a transmissão vertical.

Artur Correia em declarações a RCV, destaca também que o facto de o programa ter tamanho sucesso incentiva igualmente as mulheres a engravidarem mais do que uma vez, sendo portadoras do vírus, o que não é necessariamente desejável, “porque aumenta o risco de transmissão” e o objectivo, reitera, é o de eliminar totalmente a transmissão de mãe para filho.

Cabo Verde realiza testes em cerca de 90% das grávidas e em 2014 registou 35 grávidas no seio das mulheres seropositivas, mas Artur Correia indicou que o número de grávidas seropositivas tem vindo a diminuir, na ordem os 0,6% a 0,8%.

A taxa de prevalência do VIH-SIDA em Cabo Verde é de 0,8%, com cerca de 2.300 casos conhecidos pelas autoridades sanitárias, sendo 1.300 em tratamento.

O tratamento para a prevenção de mãe para filho pode reduzir o risco de transmissão para 1 por cento, mas caso a grávida seropositiva não faça o tratamento, a probabilidade de transmissão varia entre 15 a 45 por cento.

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