SEPRIVAC: problemas no pagamento do INPS preocupa vigilantes

25/11/2015 07:00 - Modificado em 25/11/2015 07:40

sepricavOs vigilantes da empresa de segurança privada de Cabo Verde, SEPRICAV, afirmam estar insatisfeitos com o problema de falta de pagamento do INPS por parte da empresa para a qual trabalham e apelam aos responsáveis que resolvam a situação o quanto antes.

De acordo com um grupo de vigilantes que falava em nome dos colegas, a situação tem sido “problemática” e não entendem porque é que, apesar de todos os meses lhes ser descontada nos salários, a taxa referente ao INPS, quando chegam às farmácias ou precisam de fazer algum tratamento ou de algum familiar que beneficie do seu seguro de saúde, são informados que não estão a pagar o INPS. Conforme contam, a situação tem vindo a arrastar-se há já quatro meses.

“Todos os meses temos o desconto para o seguro e quando precisamos de comprar algum medicamento com a cobertura do INPS, as farmácias dizem que não podemos porque não temos seguro ou abono de família”, explica Davidson Lima.

Mais grave ainda, segundo nos dá conta Celestino Lopes é o caso de um trabalhador que teve de tirar o filho como seu beneficiário e mudar para a mãe que está segurada para poder fazer um tratamento urgente na cidade da Praia, “senão, poderia ter acontecido algo de mais grave”. Sendo um trabalho arriscado, este tipo de situação não pode acontecer, porque podemos sofrer ameaças ou mesmo agressões e, no entanto, não podem resolver o problema do INPS”.

O que mais incomoda os vigilantes é que tudo isso acontece e não recebem nenhuma justificativa o que “demonstra o desrespeito pelos profissionais”.

Os vigilantes afirmam ainda que estiveram nalgumas reuniões com a Direcção do Trabalho e foi-lhes dito que enviaram um comunicado à empresa, mas não obtiveram nenhuma resposta: “nunca houve nenhum feedback”.

“Por exemplo, no dia 1 de Dezembro vão completar quatro meses e, até lá, estamos no sistema porque pagaram um mês, mas logo no dia um, se não pagarem, teremos o mesmo problema outra vez e não podemos ficar nesta situação”, assevera Adilson Ramos.

“Ficam sempre no limite e, mesmo quando pagam, às vezes, muitos colegas ficam de fora do sistema e até que resolvam completamente o problema ficamos a aguardar. Há trabalhadores com receitas acumuladas e pedem dinheiro emprestado à espera de serem reembolsados mas não conseguem porque a receita passou a data que a farmácia dá”, conforme explica Davidson Lima, representante dos vigilantes.

Além desta situação que é prioritária neste momento, temos outros problemas, como o caso do fardamento em condições, pois “chegamos a passar dois ou três anos com a mesma farda e quando pedimos outra, dizem que não há”.

Outra reclamação refere-se ainda com a questão da revisão salarial. Conforme explicam, há anos que não é feita nenhuma actualização da grelha salarial. “Dizem que têm muitas dívidas, mas é problema da direcção resolvê-las. Queremos que paguem o seguro e depois veremos a questão do salário”, frisa Hélder Dias, juntamente com Francisco Rocha.

Em reacção às questões apontadas pelos profissionais da segurança, o Director/Delegado da empresa em São Vicente, António Monteiro, afirma que tem sido uma situação “pontual”. Isto porque “a cota é paga com a recepção das mensalidades dos clientes e nem sempre o cliente processa na hora, pois temos clientes que, às vezes, chegam a passar três e quatro meses sem pagar”, afirma Monteiro que acredita que “não é porque fazem de propósito, têm os seus processos e até que chegue à conta da empresa registam-se atrasos”.

Sendo assim, “não podemos simplesmente dizer ao cliente que se não paga iremos tirar o vigilante. Não é assim que funciona”.

Para António Monteiro, dizer que não pagam o INPS é inconcebível, isto porque se “não pagarmos o INPS, a Inspecção do Trabalho cairia em cima de nós. E, recentemente, fomos inspeccionados pelo Ministério da Administração Interna, pela Direcção-Geral de Segurança que fiscaliza todas as empresas e um dos itens a controlar é o seguro e, no entanto, foi emitido o alvará de 13 de Novembro que é valido até 17 de Novembro de 2017, portanto, estamos numa situação de legalidade”.

“O que acontece é que o INPS tem um sistema de processamento, pelo que se o vigilante tem trinta dias de serviço e mesmo que seja pago apenas vinte e nove, o sistema não processa e então quando eles chegam às farmácias, estas em vez de explicarem o que aconteceu, simplesmente afirmam que não pagaram o INPS”. Para o director, o INPS deveria rever o seu sistema de processamento porque causa um certo embaraço e mal-estar.

No entanto, a questão dos salários é mais complicada porque, segundo Monteiro, o próprio mercado não permite uma actualização da grelha. “O próprio mercado não permite actualizar a grelha salarial, ainda mais com as novas empresas que estão a surgir e que querem ganhar o mercado, aplicando preços mais baixos”.

António Monteiro diz não entender a reivindicação dos vigilantes no que tange ao fardamento, isto porque “hoje em dia, nenhum cliente aceita um vigilante em péssimas condições de fardamento. Temos clientes de classe como o BCA, a Caixa Económica, a Emprofac, a Telecom, a Delegacia de Saúde e são instituições com um nível de exigência enorme”. Nós primamos pela nossa imagem, por isso, temos interesse que tenham uma farda sempre em boas condições, porque a nossa imagem é muito importante para os nossos clientes”, conclui.

  1. Pagador

    O INPS, por uma questão de transparência e sobretudo de segurança social, devia publicar mensalmente no seu website, a lista das empresas que estão em situação irregular, e que por isso os seus trabalhadores não terão direito a assistência social. Com isto os trabalhadores poderiam estar sempre alerta e denunciar as respectivas empresas, pois, deduzir o valor do INPS ao nosso salário e depois não o entregar ao INPS é puro roubo.

  2. miguel

    Senhor António Monteiro é um grande mentiroso. como é possível que um homem que tem como cargo diretor da sepricav chegar a um jornal mentir dizendo que a situação do seguro em São Vicente está regularizada? pelo que nós sabemos e temos provas só foi pago o mes de agosto a uns dias, ficando por pagar meses de setembro outubro novembro e dezembro que vai completar daqui 6 dias. mentiras tem pernas curtas. ainda por cima colocou em causa o trabalho do INPS dizendo que eles deviam rever o seu sistema de processamento? Aqui o que deve ser revista é esse mau carater dele. E ja não é a primeira vez que vai aos jornais mentir sobre os vigilantes. Em 2013 chegou a dar uma entrevista a um jornal dizendo que nos recebemos 18.000 Escudos. Pelo que eu sei e posso comprovar o nosso salario é de 13.917 Escudos. Só para verem a cara de lata desse homem. Ele é um homem que não tem competência nenhuma para gerir uma empresa. ele é um autentico ignorante na materia de gerencia de uma empresa. ele nem um Código Laboral sabe interpretar.

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