Deka Saimor: A Pequena grande actriz

20/11/2015 07:52 - Modificado em 20/11/2015 07:52
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Falar de Denise Saimor ou Deka, como prefere ser identificada, é complicado, pois é falar de uma adolescente que concentra em si várias personalidades que a própria não consegue descrever, a não ser a paixão que tem pelo teatro.

À semelhança de muitos (as), o “bichinho” do teatro, entrou em acção ainda em criança, aos 6 anos, mas com uma pequena diferença. Enquanto todos (as) queriam ver os desenhos animados da Disney, a nossa pequena conta que o que lhe chamava a atenção eram as publicidades. Depois do toque final, já aos 13 anos, com a peça brasileira “Hermanoteu na terra de Godah”, conta ter feito toda a peça sozinha de tanto a ver.

Fazer sozinha foi fácil, integrar-se no teatro, num grupo, já foi diferente. “A minha entrada no teatro foi um pouco difícil. Pesquisei sobre o teatro cabo-verdiano, mas não encontrei muita coisa para além dos trabalhos de João Branco, o que me levou a querer ir mais a fundo. Escrevi-lhe um texto sobre mim e porque é que queria entrar no teatro, embora sem sucesso, pois ele nunca me respondeu”, conta.

Num cenário descontraído, ambiente de ensaio, Deka começa a desvendar o caminho percorrido até agora, pertencendo a dois grupos de teatro bem conhecidos (Trupe Pará Moss e 50 Pessoa), para além de fazer parte do 15º curso de iniciação teatral.

“Em 2014, a Laura falou-me da oportunidade de entrar no projecto Kcena e logo no dia seguinte já estava aqui no Centro Cultural Português para fazer a inscrição. Depois de um casting, “fui seleccionada para minha felicidade”, revela realçando o trabalho feito com o encenador brasileiro Márcio Meirelles.

“Meirelles aproveita tudo de um actor, até mesmo os erros ou o que consideramos lixo. Fizemos muitos exercícios e, para mim, sendo tudo novo, absorvi o máximo. No final da nossa apresentação de ‘Em defesa das causas perdidas’, surgiu um convite para integrar o grupo ‘50 Pessoa’ e fazer parte do elenco de ‘Rua de boné’”.

Os convites chegavam a todo o vapor e Deka “não podia dizer que não” depois de tanto procurar. Seguiu-se o convite para trabalhar com a ‘Trupe Pará Moss’, de que é membro agora. Depois, ingressou para o 15º curso onde também trabalhou com diferentes monitores e encenadores, nomeadamente João Branco, Janaína Alves, Ricardo Fidalga, Graeme Pullyn, Ana Azevedo, Paulo Cunha, entre outros, com quem diz ter enriquecido a sua bagagem teatral.

O Percurso de Saimor não pára por aqui. Neste momento, conta com 8 participações em diferentes peças, onde, diversas vezes, esteve envolvida em 3 projectos em simultâneo. Um bom exemplo disto é a sua primeira participação no Festival Internacional de Teatro Mindelact 2015, com a estreia de ‘Inocência’ com o encenador Italiano Lamberto Carrozzi, reposições de ‘Morabesta’ do curso de Teatro encenado por João Branco e ‘Rua de Boné’ com o grupo ‘50 Pessoa’ encenado por Nick Fortes.

“Ensaiar para três peças diferentes é difícil, exige muito controlo para não se explodir, pois é muita coisa, tenho que me desligar e concentrar-me e surgem sempre conflitos”, diz a jovem entre risos reforçando que já foi aconselhada a ir com calma, pois está “muito precoce”.

Quem também partilha da opinião de que Deka deve ir com calma é a mãe, segundo conta. “No início, a minha mãe não estava lá muito de acordo mas ao ouvir muitas pessoas a falarem do meu talento relaxou um pouco e começou a ver teatro”, conta agradecida pela mudança que o teatro operou nela, abriu a “mente e os olhos para o mundo”.

Falando de Deka como pessoa e como concilia o teatro e a escola, a mesma diz, em primeiro lugar, viver uma crise de personalidades por ter feito tanta coisa e não conseguir vê-la entre todas. Quanto à escola e ao teatro, afirma ser simples conciliar visto que “cada um tem hora e lugar definido”.

Deka termina confessando que o seu maior medo no teatro é um dia chegar a uma zona de conforto. “No dia em que eu preferir por um género teatral penso que deixarei de fazer teatro, porque seria procurar uma zona de conforto, o que considero a pior coisa para um actor”, finaliza.

Deka

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