Não pagamento de propinas: as várias faces da mesma moeda

5/11/2015 07:00 - Modificado em 5/11/2015 07:34

EscudosGrande parte dos alunos universitários enfrenta enormes dívidas para com as universidades. São variadas as dificuldades enfrentadas por estes estudantes e pelos seus familiares. As consequências desse endividamento faz com que as universidades passem por diversos problemas, pois não conseguem assumir nem cumprir com as despesas que acarretam.

Emigração, falecimento de familiares, crise financeira, desemprego, incumprimento de diferentes instituições que prometem ajudar nas despesas das propinas, são algumas das causas apontadas pelos estudantes universitários em dívida com as instituições do Ensino Superior.

É enorme a lista de alunos universitários com dívidas para com as instituições do Ensino Superior. A cada ano esta lista vem engrossando uma vez que, anualmente, um grande número de alunos se inscreve em diferentes cursos. Em São Vicente existem cinco universidades e nenhuma apresenta zero por cento de alunos em dívida.

As universidades em São Vicente têm passado por várias dificuldades financeiras devido à falta de pagamento das propinas. Em consequência destas situações, os docentes são quem pagam o preço do não cumprimento do pagamento das propinas.

As instituições do Ensino Superior têm tido tarefa difícil na flexibilização dos recursos para as despesas de funcionamento, devido à falta de entrada dos recursos provenientes das mensalidades.

As causas do não pagamento das mensalidades são variadas e o NN foi tentar descobri-las. Um grande número de alunos universitários continua sem concluir o curso. A maior parte dos entrevistados lamenta dificuldades financeiras. Muitos têm propinas em atraso há mais de dois anos e, consequentemente, não lhes dão o direito de entregar ou realizar e defender o trabalho de conclusão.

Vários alunos quiseram falar à nossa reportagem, embora nem todos quisessem ser identificados. Um aluno que terminou o curso de Gestão de Empresas na universidade Lusófona e que tem propinas em atraso, explicou as razões do seu incumprimento para com a instituição.

O que diz ser filho de emigrante em Portugal avança que o montante para o pagamento das propinas e várias outras despesas era custeado pela mãe que há mais de nove meses que ficou desempregada. A situação ficou insustentável, ”faltou até dinheiro para comprar um bilhete de autocarro” para se deslocar para a escola, pois reside na zona de Ribeira de Craquinha.

Liliana, também estudante universitária, queixa-se da falta de recursos financeiros para o pagamento das propinas. A entrevistada ficou órfã de mãe há praticamente um ano, motivo pelo qual não tem conseguido arcar com as despesas.

Já outra aluna que quis guardar identidade diz ser bolseira da Câmara do Porto Novo, mas que esta instituição não tem cumprido com o protocolo rubricado com a universidade onde ela estudou. Terminou o curso este ano e não consegue obter qualquer documento da universidade por causa das dívidas.

Apenas na Universidade Lusófona, a dívida dos alunos ronda os dez mil contos. Dada a situação, os docentes até recorreram ao congelamento das notas para poderem reaver os seus salários.

A realidade vivida pelas universidades é preocupante. Muitos docentes resolveram chegar a um acordo com a universidade. Já que a universidade tem dificuldades em pagar os salários, um grupo de sete professores decidiu dar parte da dívida  que  a Lusófona tinha para com eles   para o pagamento das propinas dos alunos em falta.

 

  1. Jorge da Luz

    Bom artigo pena que não se refere ao facto da propria camara de são vicente não consegue desde o ano passado para propina dos alunos carenciados.

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