Donald Trump destronado nas sondagens do Partido Republicano

4/11/2015 08:01 - Modificado em 4/11/2015 08:01
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trumpO milionário Donald Trump começa a perder fulgor nas sondagens sobre quem deve ser o candidato do Partido Republicano nas eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos, surgindo pela segunda vez atrás de Ben Carson em apenas uma semana.

Trump, um magnata do imobiliário e estrela da televisão que promete um muro na fronteira com o México e obrigar o Governo mexicano a pagar por ele, recolheu 23% das preferências na mais recente sondagem NBC/The Wall Street Journal. O favorito é agora Ben Carson, um neurocirurgião reformado para quem o aborto e a reforma do sistema de saúde implementada pelo Presidente Barack Obama são comparáveis à escravatura, e que recolheu 29% das intenções de voto na mesma sondagem.

Com 15 candidatos, a corrida no Partido Republicano está a ser muito mais disputada do que no Partido Democrata, onde se mantêm apenas três nomes – Hillary Clinton é a clara favorita, com uma vantagem de entre 20 e 30 pontos percentuais sobre o segundo, Bernie Sanders; e Martin O’Malley raramente ultrapassa 1% das intenções de voto.

Apesar da troca de nomes no topo das preferências entre os eleitores republicanos, a principal nota é que Ben Carson e Donald Trump (dois candidatos que se apresentam como sendo anti-sistema, contra os políticos de Washington) continuam a merecer a confiança de metade dos inquiridos, deixando a milhas os candidatos preferidos da ala mais tradicional, como Jeb Bush ou Marco Rubio.

Apesar de tudo, é prematuro fazer previsões sobre o resultado de um processo eleitoral que só vai começar em Janeiro, assentes em inquéritos feitos a poucas centenas de pessoas (400, no caso da sondagem NBC/The Washington Post) – e quando sete em cada dez apoiantes do Partido Republicano que vão votar nas primárias dizem que ainda não escolheram um candidato, segundo uma sondagem CBS/The New York Times publicada na semana passada.

É por isso que nomes como Jeb Bush e Marco Rubio têm ainda tempo para recuperar, até porque muitos dos candidatos menos bem posicionados nas sondagens (oito deles não ultrapassam, em média, os 3% nas intenções de voto) vão desistir da corrida até Janeiro ou no final das primeiras votações, nos estados do Iowa, do New Hampshire e da Carolina do Sul, o que obrigará os seus actuais apoiantes a procurarem outro candidato.

Um sinal de que o chamado establishment do Partido Republicano ainda não desistiu de levantar os seus candidatos preferidos do tapete para onde têm sido atirados por Donald Trump e Ben Carson foi a declaração de apoio do influente multimilionário Paul Singer a Marco Rubio, no final da semana passada.

Ainda que este apoio seja uma péssima notícia para a já muito abalada candidatura de Jeb Bush (outro dos preferidos da estrutura do Partido Republicano), é também um sinal de que a corrida está no início – até finais de Setembro, cerca de 800 dos 1200 milionários que deram dinheiro ou ajudaram a angariar fundos para Mitt Romney em 2012 ainda não tinham apostado num candidato para as Presidenciais de 2016, segundo as declarações entregues à comissão de eleições dos EUA.

O apoio do multimilionário Paul Singer foi tornado público um dia depois de Marco Rubio se ter destacado no terceiro debate televisivo entre os candidatos do Partido Republicano, e agora todos os olhos estão postos em Jeb Bush – se o filho e irmão de dois Presidentes continuar a falhar nos momentos decisivos, muitos dos seus actuais doadores poderão seguir o caminho de Singer no apoio a Rubio.

Num discurso proferido na segunda-feira em Tampa, no estado da Florida, Jeb Bush tentou relançar a sua candidatura com a ideia de que até pode ser fraco na guerra dos sound bites, mas é forte “nos princípios”. E imaginou como seria a vida de Abraham Lincoln se o antigo Presidente estivesse na corrida em 2015.

“Os seus conselheiros iam pedir-lhe que cortasse a barba. Os comentadores políticos dos canais por cabo iam dizer-lhe para não usar a cartola. As empresas de sondagens dos seus adversários iam salientar que ele tinha perdido cinco eleições antes dos 50 anos de idade”, disse Bush, antes de concluir: “Eu não posso ser alguém que não sou.”

publico.pt

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