Heidi Santos: “o meu conceito de beleza mudou com a perda do cabelo e sou uma mulher mais forte”

26/10/2015 07:32 - Modificado em 26/10/2015 07:32

received_874764355912862Heidi Santos descobre em 2008 que o seu cabelo não iria crescer mais devido à doença Alopecia Areata Universalis. Esta é caracterizada pela perda de cabelo ou de pelos em áreas arredondadas ou ovais do couro cabeludo, doença que levou Heidi à depressão. Mas hoje, ela conta que é uma mulher segura e feliz ao lado do marido, do filho e dos amigos porque superou o conceito que a beleza está no exterior e considera-se bonita sem cabelo.

“Foi em Setembro de 2008 que eu descobri que tinha Alopecia Areata Universalis. Um dia acordei como qualquer dia e fui tomar banho. Ao lavar o meu cabelo, vi que a banheira estava com muitos mais cabelos do que o normal. Durante o dia apercebia-me que ao tocar ou escovar o meu cabelo este caía de uma forma estranha. Ao falar com uma antiga amiga da universidade sobre o meu caso ela disse-me que poderia ser Alopecia. Então, aconselhou-me a ir ver um especialista. Segui o conselho dela e, de “imediato, fui ver um dermatologista”, diz Heidi Santos. Contudo, o seu chão não desapareceu nesse dia, mas quando o diagnóstico da doença foi confirmado por uma biopsia e, revela à nossa entrevista que “eu estava desesperada, a chorar e, ao mesmo tempo, queria saber se tinha cura para a minha doença e quando me disseram que não havia cura, foi um dos piores dias da minha vida. Senti uma dor bem profunda como se tivesse perdido alguém que eu amasse desesperadamente. Senti como se tivesse perdido a minha identidade. Não sabia como iria viver sem cabelo”. Heidi procurou uma segunda opinião e sabia que existe um medicamento que pode fazer o cabelo voltar a crescer, porém, também soube que o cabelo pode voltar a cair e, perante este cenário, Heidi resolveu aceitar a sua doença porque não queria iludir-se com o crescimento do cabelo e depois passar pelo sofrimento outra vez.

A depressão foi uma das barreiras que Heidi superou e afirma que “não foi nada fácil sair da depressão em que eu estava no princípio com a queda do cabelo. Mas o meu ex-namorado, o meu filho, a minha família e os amigos deram-me muita força e apoio”. Todavia, garante que foi um psiquiatra que a ajudou a viver com a doença e a sair da depressão que é um dos efeitos da Alopecia Areata Universalis, visto que afecta a autoestima. Nesta dura fase da sua vida, Heidi assegura que “o meu conceito de beleza mudou muito após a queda do meu cabelo. Achava que a minha beleza tinha acabado após a queda do meu cabelo.” Heidi conta que chegou a usar peruca ocasionalmente e usava-a mais quando ia levar o filho, na altura com seis anos, à escola “porque não queria que ele sentisse vergonha de mim perto dos colegas. Mas um dia, ele chegou a casa da escola e viu-me sem a peruca e chorou porque queria que eu coloca-se a peruca. Nesse dia decidi não usar mais a peruca porque tinha de me aceitar sem cabelo em primeiro lugar para que o meu filho me aceitasse também. O aceitar-me sem cabelo fez com que todos me aceitassem. Até os colegas da escola do meu filho”. Heidi diz que começou a entender que a sua beleza não vinha do seu cabelo mas sim da sua personalidade, da sua postura e dos seus valores e “isso não mudou com a queda do cabelo. O exterior pode ter mudado, mas o interior ficou igual. Talvez tenha ficado mais forte”.

Heidi relembra que foi muito difícil no princípio acostumar-se com os olhares menos discretos, porque chamava a tenção por ser a única sem cabelo e algumas pessoas pensavam que eu tinha cancro, outras achavam que era uma mulher corajosa por ter cortado todo o meu cabelo e outras ainda pensavam que era Amber Rose. Aprendi a andar com a minha cara para a frente sem olhar para os lados. Mesmo assim, sinto aquela energia quando chego a um lugar. Todavia, um dos piores momentos vividos pela Heidi foram as férias em São Vicente pela primeira vez sem cabelo e assegura que foi onde ouviu os piores comentários. Mas isso fez parte do seu crescimento como mulher e afirma que “doeu muito, mas sempre ignorei, visto que essas pessoas não conhecem essa doença” e que todas as férias é uma luta na sua terra natal. No entanto, Heidi acrescenta que desconhecia a sua força interior até surgir a doença e, neste momento, “quando me levanto da cama, a última coisa que me preocupa é o que as pessoas vão pensar da minha aparência. Claro que me arranjo sempre, mas o facto de não ter cabelo já não me afecta mais nem os maus comentários que inclusive vêm de crianças que não sabem do que falam e de adultos ignorantes.

Heidi Santos vive em EUA e considera-se uma mulher feliz, visto que conheceu o seu marido sem cabelo que aceitou a sua beleza tal como ela é. Para além da vida amorosa, a entrevistada é realizada a nível profissional pois é uma terapeuta respiratória e técnica de estudos de dormir e ainda faz parte de um grupo de mulheres HWP (house wives production) que esteve presentes na Caminhada do Cancro organizada pela ACS no dia 17-10-15, onde “representámos Crioulas Contra o Cancro. Temos feito um grande trabalho apoiando a comunidade cabo-verdiana nos EUA e também em Cabo Verde. O nosso grupo conseguiu e ultrapassou o nosso objectivo financeiro com doações feitas pelo grupo e também pelos amigos e familiares. Pretendemos continuar com a luta contra o cancro e temos outros planos para ajudar a comunidade cabo-verdiana nos EUA e no nosso país”.

  1. Falsidade

    Infelizmente em Cabo Verde o péssimo hábito de falar mal das pessoas, mesmo de aquelas que não conhecemos, está profundamente enraizado na nossa cultura. Apesar da maior parte das pessoas saberem que este hábito pode prejudicar a vida de todos, continuamos a fazê-lo pelo simples facto de sermos mesquinhos.
    Para estes pobres de espírito, há que espalhar as inverdades, para que o mal possa triunfar sempre. Vivemos numa sociedade que primazia o maldizer em detrimento da descrição, a mentira em detrimento da verdade, o ter em vez do ser, onde a ética não tem voz, e muito menos vez. Ironicamente, os nossos amigos são falsos e interesseiros, e só querem o nosso bem, desde que não seja para ficar melhor do que eles. A prioridade é o eu, o agora, nem que para isso cause sofrimento aos demais.

  2. Lizy

    oi bo siempre bo foi bnita mas agora un te otchop mas linda y obrigada pe cont bo tava isdame fase nhex traboi de casa bejos forsa ai linda

  3. Marlene Oliveira

    Emocionante mesmo, e de uma grande coragem e determinação. Sem dúvida uma mulher forte e de carácter. A melhor beleza que devemos ter é a interior, que passa por nobreza de espírito e boas atitudes. Não te conheço pessoalmente, mas és sem dúvida uma mulher bastante linda, e de personalidade forte. Força sempre!!!

  4. Lorine Alfama

    De facto ela é uma pessoa extraordinária. Digo isso porque a conheço pessoalmente e convivo com ela quando vem de férias. Se tem emigrante que adora um carnaval, uma balada uma noite d’sabura ne tchon d’soncente ê Heidi. Sempre animada, disposta, forte corajosa e de uma força interior que ainda não vi em ninguém. E realmente os comentários maldosos nunca a deixaram em baixo sempre com a cabeça erguida aproveita as suas ferias. Continua sempre assim Heidi muito orgulho em ti.

  5. Anonimo

    Mensagem de Inspiração a sua! Mulher de coragem e de muita força! Mas com certeza deve ser uma mulher também de fé! Muito contente com a sua reportagem e continua sendo essa inspiração para todos!
    Beijos

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.