Américo Medina: “as escolas do EBI deveriam ter professores de educação física”

20/10/2015 08:17 - Modificado em 20/10/2015 08:17

image-f0ae36c269a23ad5c549f27afcfeaaa498f35f8f3a4a7873a760e935e9b55b93-VAmérico Medina, professor licenciado de Educação Física (EF), assegura que esta é uma disciplina do futuro, porém, ainda existem mitos a serem quebrados, desde a estrutura física à obstinação que a EF é uma brincadeira. O professor diz que a maioria dos alunos do 7º ano chega com algumas lacunas a nível das capacidades motoras coordenativas, condicionais e psicológicas. Logo, acredita que no Ensino Básico (EBI) também deveria haver um professor de Educação Física de forma a colmatar essas lacunas e ajudar com que cada aluno seja assessorado de acordo com as suas habilidades adquiridas.

“Os professores do Ensino Básico têm uma formação na área da Educação Física e leccionam todas as disciplinas e ainda levam em cima com a EF. Sendo uma fase etária onde os alunos precisam desenvolver as suas capacidades motoras condicionais e coordenativas e ainda estão a descobrir as suas habilidades, penso que cada escola do EBI deveria ter o próprio professor de forma a melhorar o desenvolvimento dos alunos”, afirma Américo Medina. O mesmo esclarece que seria uma das medidas para evitar a “frustração desportiva”, assim como acabar com o mito que a Educação Física é só para brincar. Uma vez que é uma disciplina quantitativa na Escola Secundária enquanto na Escola Básica não, na sua experiência como professor conta que os alunos que transitam para o 7º ano chegam com algumas lacunas a nível de capacidades motoras coordenativas, condicionais e psicológicas. Américo Medina esclarece que “quando falo em capacidades motoras coordenativas, refiro-me à execução de certos movimentos que aparentemente seriam fáceis, como atirar uma bola, correr, saltar, agarrar ou fazer uma junção desses movimentos o que influi directamente na parte psicológica onde começamos primeiramente por encontrar alunos que não gostam de fazer Educação Física. No entanto, se efectuarmos jogos lúdicos como forma de aquecimento eles já estão aptos para “brincar” na aula, logo, encontramos um bloqueio psicológico que poderia ser evitado”. Todavia, reconhece que um professor de Educação Física deixa falta no EBI, mas acredita que o que mais falta faz é a “escola de rua, brincadeiras e jogos de rua, pidrinha, mangatxada, panhada, salva vida, cabra cega, numbrinha, corrida pau, etc… os alunos, as crianças de São Vicente, seriam mais evoluídas em todos os aspectos”.

Outro mito sobre o professor de EF refere-se à estrutura física, que Américo considera ser “um ponto de vista enganador. O protótipo é uma imagem antiga pelo que as pessoas que trabalham no desporto devem ser elegantes, estruturalmente fortes, entre outras exigências. É claro que uma pessoa com esse padrão, aparentemente terá maior aptidão que outros”, mas frisa que o mais importante é os alunos serem acompanhados por especialistas da área capazes e que estes tenham o dom de educar para o desporto, de ensinar e, acima de tudo, serem instruídos em várias áreas para que esses dons possam ser usados de forma correcta e sigam as normas necessárias para o conhecimento adquirido. Desta forma, Américo acredita que a Educação Física é uma disciplina do futuro, uma vez que “se conseguem juntar todas as disciplinas possíveis como a Matemática, a Computação, a Língua Portuguesa, a Formação Pessoal e Social, tudo isto numa aula e de variadas formas através jogos, perguntas, atribuição de tarefas, etc. Várias formas até mesmo as bolas ou os arcos podem ajudar. É uma disciplina incrivelmente mal explorada, também devido aos fracos recursos que temos”.

Ainda é necessário quebrar a ideia que a aula de Educação Física é um grupo de alunos a correr atrás da bola num polivalente, porque a EF não trata somente da educação corporal. É mais do que isso, transmite conhecimento, visto que é “um processo de transmitir e receber conhecimento. Para os professores é uma transmissão voluntária dos conhecimentos para um grupo de indivíduos que absorvem de uma forma intencional e o professor recebe de forma involuntária através da convivência e da procura das diversas formas de transmissão, o que nos leva a um “upgrade” constante de informações e de técnicas”, diz Américo Medina. O mesmo conclui que “a actividade física é extremamente importante no nosso progresso de vida desde o nascimento até à velhice. Muitos estudos já provaram que um indivíduo que pratica actividade física tem tendência a viver de forma mais saudável, por isso, é importante a sua prática e, o mais importante de tudo é que temos de saber incentivar as pessoas a fazerem exercício físico desde cedo.

  1. Francisco andrade

    A Educação Física é essencial para que os alunos libertam a ” energia” e o stress de uma sala de aula. Acredito que com a EF as nossas crianças não teriam “tempo” para se ocupar em brigas e discussões. E como professor vou mais longe: Defendo que todas as escolas quer do EBI quer do Ensino Secundário devia ter ma modalidade de karaté ou aiki-do para adquirir a disciplina e respeito pelo outro.

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